quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Herdade de Gâmbia Tinto 2011

Ano: 2011

Produtor: Boas Quintas

Tipo: Tinto

Região: Península de Setúbal

Castas: Touriga Nacional, Aragonês e Syrah

Preço Aprox.: 3,99€

Veredicto: Herdade de Gâmbia é uma das referências da Sociedade Agrícola Boas Quintas, uma empresa com vinhos provenientes de várias regiões (Dão, Alentejo, Setúbal e Lisboa), todos com a chancela do enólogo Nuno Cancela Abreu. Os vinhos da Herdade da Gâmbia são representados pela Garcias, sendo que os restantes vinhos da sociedade agrícola Boas Quintas, posicionados num segmento de mercado mais elevado, têm como distribuição a Garcias Gourmet. A Herdade é gerida pela família Borba e situa-se na península de Setúbal, existindo as versões tinto e branco.

De cor rubi, apresenta um aroma focado na fruta vermelha madura, bem como um tom balsãmico bem evidente. Na boca, é redondo, fácil, mas com uma estrutura e final de boa persistência.

Um tinto jovem e bem feito, de taninos redondos, para beber já, acompanhando preferencialmente umas carnes grelhadas.

Classificação: 15

Sérgio Lopes

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Beyra Quartz Branco 2011

Ano: 2011

Produtor: Beyra - Vinhos de Altitude

Tipo: Branco

Região: Beira Interior

Castas: Síria e Fonte Cal

Preço Aprox.: 4,99€

Veredicto: Este vinho tem feito algum furor na eno-blogosfera, na medida em que por um lado  tem suscitado alguma admiração pela diferença que apresenta no mercado competitivo dos vinhos desta gama, mas também por outro lado, pela "luta" que tem dado na prova, não sendo completamente consensual entre os apaixonados que falam e escrevem sobre vinho.

Trata-se da incursão do enólogo Rui Roboredo Madeira na região das Beiras. Produzido através de uvas tradicionais da zona, provenientes de altitudes elevadas e com solos graníticos e um filão intenso de quartzo, o vinho pretende ser diferente. E consegue-o. Desde logo começando pelo rótulo extremamente apelativo bem como a descrição chamativa do vinho. Mas nem sempre estas duas condições são sinónimo de um bom néctar. E de facto, na prova deu "luta"...

Abri-o no sábado ao almoço para acompanhar uns filetes de peixe panga com feijão-frade. De cor citrina, mostrou-se, no nariz,  bastante mineral, leve citrino, frescura qb. Na boca, todo ele leve e com pouco para contar. Desiludiu-nos um pouco e foi parar ao frigorífico. Eis que 2 dias depois ao jantar, voltamos a bebê-lo, acompanhando um frango grelhado com salada e então mostrou-se com uma consistência, equilíbrio e complexidade completamente diferentes. Apresentou-se redondo, com corpo, sem nunca perder a acidez vibrante e o lado citrino evidente. A mineralidade é brutal, bem como um final persistente, seco e muito gastronómico.

Realmente diferente, pede tempo para ser apreciado e necessita de comida para ser potenciado. Claramente não consensual, mas muito interessante para quem procura algo diferente, a um preço em conta.

Classificação Pessoal: 16

Sérgio Lopes

domingo, 26 de agosto de 2012

Gravato Palhete 2005


Ano: 2005

Produtor: Quinta dos Barreiros

Tipo: Palhete

Região: Beira Interior

Castas: Vinhas Velhas

Preço Aprox.: 5€

Veredicto: A versão de 2005 deste vinho invulgar, mas delicioso, apresenta na sua composição ligeiras diferenças, relativamente ao 2004, provado aqui. Das vinhas velhas com mais de 60 anos, o Rabigato é substituído pela Síria Velha, mantendo no lote as castasTouriga Nacional e Franca, Tinta Barroca, Bastardo e Rufete. Estagia 3 meses em inox.

De cor ruby clara, quase atijolada, o aroma é a fruta vermelha fresca - morangos e framboesas, mostrando-se mais especiado que o seu homólogo de 2004, com presença de notas vegetais e leve floral.  Na boca, mostra toda a sua secura, em detrimento da fruta, sem nunca perder o carácter fresco e muito saboroso. De estrutura média, termina seco, longo e persistente.

Embora prefira a versão de 2004, não posso deixar de afirmar que o 2005 para lá caminha! Um vinho equilibrado, diferente, para todas as ocasiões e que merece ser descoberto.

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor.

Classificação Pessoal: 15,5

Sérgio Lopes

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Prova de Vinhos Quinta do Arcossó

Embora os vinhos Valle Pradinhos sejam os vinhos com maior notoriedade da região de Trás-Os-Montes, a Quinta do Arcossó desponta como um produtor da região, a ter em conta. Apenas em 2005, o proprietário Amilcar Salgado decidiu investir na paixão pela feitura de vinhos. Para isso recorreu à enologia de Francisco Montenegro (Quinta Nova, Aneto, Bétula) e os resultados estão à vista. A Quinta do Arcossó possui 12 hectares de vinha, situados em Ribeira de Oura, uma zona com um micro-clima muito especial, situada algures entre Chaves e Vidago  (Lugar do Penedo do Lobo). Tivemos o privilégio de provar os seus vinhos. Aqui fica o veredicto.

Quinta de Arcossó Rosé 2011

Ano: 2011

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Rosé

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Bastardo

Preço Aprox.: 4€

Veredicto: 90% bastardo e o restante Touriga Franca (praticamente residual), um vinho de cor salmão, aromas a framboesas e morangos, fresco, seco e muito agradável. Termina de média persistência. Excelente relação qualidade-preço!

Classificação: 15,5

Quinta de Arcossó Branco 2011

Ano: 2011

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Branco

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Fernão Pires, Arinto, Outras

Preço Aprox.: 7€

Veredicto: Com fermentação parcial em barricas de carvalho francês e americano e battonage por 6 meses. Trata-se de um vinho de cor citrina. O aroma é extremamente complexo, muito fresco, com notas evidentes de fruta tropical, pêssego, alguma hotelã pimenta. Exuberante com notas florais e citrinas mais escondidas. Na boca apresenta-se untuoso, com notas amanteigadas, bom volume de boca, terminando longo, persistente e muito sumarento. Apesar de ligeiramente especiado, nunca se torna chato, uma vez que a acidez o torna nada enjoativo, antes pelo contrário, algo viciante.

Classificação: 16

Quinta de Arcossó Reserva Branco 2010

Ano: 
2011

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Branco

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Fernão Pires, Arinto, Outras

Preço Aprox.: 10€

Veredicto: Com fermentação parcial em barricas de carvalho francês e americano e battonage por 8 meses. As mesmas castas que o colheita, mas mais 2 meses de battonage e uma maior percentagem de Arinto na composição do lote. Trata-se de um vinho de cor citrina. O aroma é extremamente complexo, parecido com o colheita, mas ainda mais leve e elegante. Menos exuberante, para além do floral e do citrino, aparecem notas de palha seca, abaunilhado da madeira, continuando ligeiramente apimentado mas com maior mineralidade. Na boca, Com corpo, acidez, fescura, mostrando-se meloso, intenso, quase mastigável, especiado, com final longo e muito sumarento. Muito bem conseguido.

Classificação: 16,5

Quinta de Arcossó Colheita Tinto 2007


Ano: 2007

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Tinto

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Tinta Amarela, Tinta Roriz, Outras

Preço Aprox.: 7€

Veredicto: Com estágio de 8 meses em barrica e 12 meses em garrafa. Trata-se de um vinho de cor ruby. O aroma é fortemente especiado, apimentado até, com notas de tabaco. As notas balsãmicas e da tosta da barrica sobrepõe-se um pouco no conjunto, ocultando as leves notas perfumadas experimentadas. Na boca domina a madeira e o tom picante e especiado. Mostra-se fresco, com bom volume de boca terminando de média persistência. Um pouco rude e talvez a necessitar de mais algum tempo para se mostrar na sua plenitude. Com uma complexidade / madeira invulgares para um colheita. Gastronómico, necessita de decantação.

Classificação: 15,5

Quinta de Arcossó Reserva Tinto 2007


Ano: 2007

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Tinto

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Outras

Preço Aprox.: 10€

Veredicto: Com estágio de 12 meses em barrica e 18 meses em garrafa. A Tinta Amarela é substituída pela Touriga Nacional no lote. O vinho foi decantado e comportou-se de maneira diferente no próprio dia e após 2 dias. Trata-se de um vinho de cor ruby intensa. Aroma: No próprio dia, fortemente especiado, madeira evidente a sobrepor-se no conjunto. 2 dias depois, compotado, fruta madura em abundância, frescura intensa. Boca: No próprio dia, super especiado e com a tosta da madeira abundante. 2 dias depois, fruta mastigável, sedoso, belo volume de boca, frescura imponente, terminando longo e persistente, embora bastante seco. Um vinho que necessita de paciência e talvez mais algum tempo de garrafa... Bem conseguido, mostrando claramente a rudeza (no bom sentido) do terroir.

Classificação: 16


Quinta de Arcossó Superior Bago a Bago 2008

 
Ano: 2008

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Tinto

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca

Preço Aprox.: 28€

Veredicto: Com desengace totalmente manual, escolhendo cuidadosamente cada bago, para posterior estágio de 18 meses em barrica, seguida de 16 meses de garrafa, em cave. Trata-se do topo de gama do produtor, com um preço bastante desfasado dos restantes sobretudo pela quantidade / custo de mão-de-obra utilizada para o efectuar o desengace manual. A cor é ruby intensa, muito bonita e viva. Aroma: Complexo, com fruta vermelha integrada numa madeira de qualidade, especiado, aveludado, fresco, em harmonia de conjunto. Na boca, fruta mastigável, bela acidez, taninos redondos, terminando seco e de média persistência. Elegante e sedoso, mas com um final talvez um pouco curto para um topo de gama.

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor

Classificação: 16,5


Em suma, um projecto que merece ser descoberto. Recente (2005) começa a mostrar todo o seu potencial. Neste momento considero que os brancos estão num momento fantástico e o rosé é uma excelente surpresa a um grande preço. Relativamente aos tintos, tem de se ter um pouco de paciência... mas o elevado potencial está lá.

Votos dos maiores sucessos à dupla Amilcar Salgado / Francisco Montenegro!


Sérgio Lopes

domingo, 19 de agosto de 2012

Muros Antigos Escolha Loureiro 2011

Ano: 2010

Produtor: Anselmo Mendes

Tipo: Branco

Região: Vinhos Verdes (Sub-região de Monção e Melgaço)

Castas: Loureiro

Preço Aprox.: 5,5€

Veredicto: Adquirido no El Corte Ingles, na Feira de vinhos verdes, trata-se de um vinho produzido e comercializado por Anselmo Mendes, o enólogo de Melgaço que explora de forma magistral a casta Alvarinho e que tem na elegância a sua principal virtude. Aqui trabalha a casta Loureiro, uma casta que vem ganhando o seu espaço na região dos vinhos verdes.

100%  Loureiro, apresenta uma cor palha. O aroma é muito fresco e com notas citrinas, de grande elegância, bem como algum floral bem evidente. Na boca, apresenta uma bela acidez, sendo muito fácil de beber, dada a sua leveza de conjunto. Apresenta volume médio e final de média persistência.

Fresco e jovem, para beber no verão. 12º de álcool.

Classificação Pessoal: 15

Sérgio Lopes

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Meia Encosta Branco 2011


Ano: 2011

Produtor:
 Vinhos Borges

Tipo: 
Branco

Região: Dão

Castas: Encruzado, Malvasia Fina, Fernão Pires e Bical.

Preço Aprox.: 2,99€

Veredicto: Este é daquelas "marcas", a par do Grão Vasco (da Sogrape) que me habituei a associar a Dão, desde muito cedo. Claro que há muito mais vinhos / produtores interessantes, mas é um facto que perdura nas minhas primeiras memórias vinícolas. Contudo, já há algum tempo não provava o (Dão) Meia Encosta. Tive a oportunidade de provar a edição de 2011. De referir que a versão tinta de 2010 foi distinguido com Medalha de Bronze no International Wine & Spirit Competition 2012, no Reino Unido.

De cor citrina, trata-se de um vinho leve e elegante, mineral e frutado qb, com frescura, corpo médio e final relativamente curto.

Suave, para acompanhar uma boa conversa ou em preparativos para a refeição.

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor.

Classificação Pessoal: 14

Sérgio Lopes

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Bétula 2011


Ano: 2011

Produtor:
 Catarina Montenegro (Quinta do Torgal)

Tipo: 
Branco

Região: Douro

Castas: Viognier (50%), Sauvignon Blanc (50%).

Preço Aprox.: 12 a 15€

Veredicto: Cá está a nova colheita do sempre esperado branco duriense, Bétula, de Catarina Montenegro, com enologia de Francisco Montenegro. A aposta continua no mesmo blend de castas francesas Viognier (em barrica) e Sauvignon Blanc (em inox), em iguais percentagens.

De cor citrina cristalina, o aroma é extremamente complexo, com muita mineralidade e frescura no primeiro impacto. Muita elegãncia no conjunto, onde se descobrem notas florais e fruta tropical, tosta da madeira magnificamente integrada (ligeiramente especiado). Tudo em perfeita harmonia. Na boca, apresenta-se gordo, untuoso, com uma acidez fantástica que lhe confere uma enorme frescura. Termina com um final muito longo e persistente.

Gastronómico e versátil, com finesse, como é hábito nos vinhos com enologia de Francisco Montenegro. Cada vez mais afinado.

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor.

Classificação Pessoal: 17

Sérgio Lopes