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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Em Prova: Soalheiro Granit 2015

Este vinho, denominado de Soalheiro Granit, mostra o lado mais mineral da casta Alavrinho, através da interpretação do enólogo Luis Cerdeira. 

Tive a felicidade de provar a colheita do ano de 2015 no passado fim-de-semana e está absolutamente deliciosa.

Trata-se de um Alvarinho que sai de uma seleção específca de vinhas plantadas acima dos 150 metros de altitude, revelando a mineralidade que relaciona o solo de origem granítica do terroir de Monção e Melgaço e a casta Alvarinho, aprimorado com a batonage e o estágio nas borras fnas. A fermentação ocorre em cubas de inox a temperatura mais elevada que a usual em vinhos brancos, mostrando aroma elegante e mais mineral com um fnal seco e persistente. 

Um Soalheiro menos tropical, mais seco e gastronómico, incisivo e tenso, mesmo ao meu gosto. Muito bom. Pela amostra do 2015, evoluirá naturalmente muito bem. 

PVP: 10,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 3 de julho de 2018

Da Minha Cave: Regueiro Reserva 2013

A Quinta do Regueiro situa-se em Melgaço,  um projecto familiar, no qual o homem do leme é Paulo Cerdeira Rodrigues, homem de uma humildade e generosidade tão graciosas que acrescem ainda mais valor a este projecto. É constituída por 6ha de vinha e distingue-se dos demais produtores da região pelos seguintes factores: Vinhas em altitude, solos graníticos e intervenção minimalista nos vinhos que produz, respeitando ao máximo a casta Alvarinho, e o terroir da sug- região de Melgaço.

O seu alvarinho que é sempre designado de reserva normalmente tem um perfil muito mineral e fresco, com uma excelente acidez. Muito puro, com uma boa estrutura, fiel à casta, sem notas tropicais, muito focado no lado citrino. Um belo branco, ano após ano. Que se bebe com enorme prazer.

Com alguns anos de garrafa, diria entre os 5 e os 10 anos então ganha outra dimensão, tornando-se mais misterioso, denso e complexo, sem perder a frescura. Ganha muito com o tempo como a maior parte dos grandes brancos, sobretudo feitos de Alvarinho.

Partilhada uma magnum, de Regueiro Reserva 2013, no passado domingo, às cegas, foi um tremendo sucesso. Foi confundido com grandes malhas "durienses" ou até outros alvarinhos bem mais altos em termos de preço. Mas não ficou atrás em termos de qualidade. Bravo, Paulo Cerdeira Rodrigues. PVP: 9,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Em Prova: Covela Reserva Tinto 2007

Este vinho foi-me dado a provar na Covela e fiquei imediatamente apaixonado, ao ponto de trazer algumas garrafas para mais tarde apreciar, à mesa. O "mais tarde" não demorou assim tanto tempo, pois esta 2ª feira decidi abrir uma delas a acompanhar (magistralmente) um também delicioso bacalhau com boroa. Afinal de contas, apenas fazemos anos uma vez no ano. 

Para quem não sabe a Quinta da Covela está localizada em Baião, na fronteira da região dos Vinhos Verdes com o Douro. Produz agora apenas vinhos brancos, pois por ter tido a sua vinha de uvas tintas ao abandono durante alguns anos e devido aos socios produzirem tintos premium na Quinta da Boa Vista no Douro, decidiram... arrancar a vinha de uvas tintas! 

Erro, grande erro, como demonstra este Covela Reserva Tinto de 2007, que chega a 2018 cheio de garrra, vida e frescura. Não só pelo terroir em si, onde os tintos são capazes de se expressar desta forma, mas também pelo toque de Cabernet Sauvignon, que apesar de em percentagem reduzida marca ainda o vinho, conferindo-lhe grande frecsura, coadjuvada por Touriga Nacional e Merlot. O lote, que passou 17 meses por madeira, resulta num vinho muito complexo, com taninos sedosos nesta fase, 10 anos depois, ainda com muita fruta, notas de pimento verde, especiaria, caruma... enfim, muito complexo, gastronómico e que está sempre a mudar e melhorar de copo para copo. Com uma boca com muita estrutura, mas elegância, termina longo e de enorme prazer. Um grande vinho. Lamentavelmente, irrepetivel...! PVP: 27€. Disponibilidade: Muito Reduzida em garrafeiras seleccionadas.

Sérgio Lopes

terça-feira, 5 de junho de 2018

Em prova: O Avesso e o Arinto da Covela

            

Depois da visita à Quinta da Covela no fim-de-semana passado e das compras por lá efetuadas, regresso ao comentário sobre os brancos "edição nacional" que produz e que tive oportunidade de provar de novo. - nomeadamente monocastas Avesso e Arinto. Se o Avesso foi uma aposta desde o inicio, uma vez que se dá lindamente naquele terroir, o Arinto, casta transverslmente difundida por todas as regiões em Portugal, ganhou também o seu espaço, uns anos mais tarde, na Covela, Começou timido e fechado e agora provado o Covela Edição Nacional Arinto 2014, isto é, com 4 anos de garrafa... WOW. Cheio de acidez e frescura, mas com aquele lado citrino tão caracteistico da casta tão interessante. E tão jovem ainda... O Covela Edição Nacional Avesso cujo perfil se aproxima bastante de um caracter mineral e de fruta branca. Também tive oportunidade de beber o 2014. Em grande forma! São dois vinhos super gastronómicos, com uma frescura crocante e que estão num momento espetacular de prova. Um mais delicado - o arinto, outro mais austero - o avesso, ambos deliciosos e a um preço cordato. Vinhos verdes especiais. PVP 7,85€. Disponibilidade: OnWine

Sérgio Lopes

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Em Prova: Casa do Barroso Alvarinho Reserva 2017


De Cabeceiras de Basto chega umvinho branco da casta Alvarinho, pelas mãos do enólogo Márcio Lopes (Permitido, Proibido, Pequenos Rebentos), que aqui ajuda os irmãso Barroso a lançar o seu projecto familiar. Uma expressão original da casta, que em terra da região dos vinhos verdes, mas fora do seu habitual nato de Monção e Melgaço se apresenta com um aroma exuberante, com algumas notas tropicais. Na boca mostra uma boa acidez, mineralidade e frescura, terminando com um final crocante e gastronómico. Precisa de tempo para reduzir essa tropicalidade e ganhar ainda mais corpo, o que provavelmente vai acontecer, uma vez que tem vindo a crescer de prova para prova. Mais um alvarinho interessante e a mostrar a plasticidade da casta. PVP: 9,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Em Prova: Anselmo Mendes Contacto 2017

Anselmo Mendes Contacto é um vinho feito de Alvarinho. As vinhas, em Monção, são junto ao rio, a baixa altitude, e os solos são profundos com elevado teor de pedra rolada. O nome vem doamaceração pelicular que o vinho sofre, ou seja do contacto com as borras finas, que lhe confere um pouco mais de exuberância aromática. Sendo um vinho sempre muito bem feito, aparece este ano super equilibrado, com exuberância, claro, própria da sua juventude, mas com enorme frescura, o que para um ano quente como foi o de 2017 é de louvar. Tem um bom volume e termina bem crocante e refrescante. Depois a mineralidade e o lado vegetal dá-lhe uma certa graça. Eu acredito que este vinho é para ir bebendo e... guardar sobretudo alguns anos. Talvez uma das melhores edições de sempre na minha opinião. PVP: 9,90€. Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Radar do Vinho: Casa de Paços

Foi no passado dia 25 de Abril que juntei um grupo restrito de entusiastas pelo vinho e fomos até Barcelos conhecer melhor o projecto Quinta de Paços. Respondendo afirmativamente ao repto lançado pelo produtor Paulo Ramos, rumamos então à Casa Senhorial para a visita e uma prova vertical dos vinhos produzidos quer em Barcelos, quer em Monção (Casa do Capitão Mor). E que prova (s)...! Logo que a data foi encontrada, sabíamos com a certeza absoluta que iria ser um grande dia. Só não tinhamis noção é que o Paulo tinha preparado uma verdadeira orgia vínica, com mais de 30 vinhos à prova, alguns deles de grande raridade. Simplesmente excepcional. Foi um fartote de vinho verde, de castas diferentes, de origens diferentes, mas todos vinhos brancos com grande qualidade e longevidade, expressando o terroir e o ano de colheita, como ficou demonstrado. Mas antes de relatar as várias provas do dia, cumpre-me destacar igualmente a casa senhorial, muito bonita, cheia de luz e repleta de história. Chegados às 11h começamos por dar um passeio pela vinha circundante à casa, assente num solo onde predominam o quartzo e o granito, enquanto Paulo nos explicava a  aposta em monocastas, algumas por vezes nao tão usuais na região, como são os casos da Fernão Pires "a casta transsexual conhecida também como Maria Gomes", remata Paulo, ou o Moscatel Galego, para além de Sauvignon Blanc, e claro, Loureiro e Arinto. E também o Alvarinho, este proveniente de Monção. 

       
Rumo à sala GRANDE de provas, o primeiro vinho servido foi o Cotovia, novidade absoluta, um 100% Moscatel Galego 2017, um vinho muito equilibrado e de final médio. Uma casta que por vezes pode originar vinhos um pouco estremados, mas que aqui não é definitivamente o caso. De seguida, O Casa de Paços Fernão Pires, também um vinho aromático, mas menos expressivo que o Moscatel Galego. De novo, equilibrio, num estilo mais fácil, para ambos os vinhos. Para além do Fernão Pires 2017, provamos os anos 2012 e 2009, iniciando a primeira mini-vertical. Os 3 vinhos apresentaram uma boa evolução, na senda da fruta madura, mas sem excessos. Um vinho que não foi pensado para evoluir, mas que poderia ser um agradável vinho de sobremesa, com o tempo em garrafa, sobretudo o 2009.

  
  

A próxima vertical foi a de Casa de Paços Loureiro-Arinto, o blend que é o vinho de "entrada" do produtor. Entre aspas, pois o vinho posiciona-se nos 4,5€ e é tudo menos "entrada". À prova estiveram os anos 2017, 2016. 2010, 2007 e 2005. Um vinho muito equilibrado que com o passar dos anos em garrafa vai adquirindo aromas terciários, com o arinto provavelmente a ter o papel mais importante na sua evolução. Destaco claramente os anos 2005 e 2006, com uma acidez penetrante e uma boca vibrante. Parecia que o tempo não tinha passado por estas duas garrafas. 2016 também muito bom, a mostrar que um ano de garrafa faz muito bem a estes vinhos.

  

Seguiu-se a prova dos Casa de Paços Superior, blend da família, começado a produzir apenas no ano de 2010 e do qual provamos 2017, 2016, 2013 e 2010. Feito de Alvarinho, Fernão Pires, Arinto e Loureiro. Todos os vinhos estiveram muito bem, mas foi uma prova menos impressionante overall, em comparação com os Loureiro- Arinto. 

  

Antes das rondas finais, foi a vez de provarmos o Morgado do Perdigão 2017, blend de Alvarinho (de Monção) e de Loureiro (de Barcelos). Um vinho muito bem conseguido, cheio de personalidade, com as duas castas em disputa neste momento, mas que se bebe mesmo muito bem. Dá prazer. Provavelemente o mais pronto a beber dos vinhos provados do ano 2017. Para acompanhar a sua evolução.

  

Chegada a prova dos Alvarinho Casa do Capitão Mor, 2017, 2016, 2015, 2012, 2011, 2010, 2009, 2007, 2006, 2005 e 2004. 11 anos em prova! Consistência incrivel. Todos muito bem, com destaque para o promissor 2017, os 2010 e 2011, ambos num momento de evolução delicioso e finalmente o 2004 e 2005, já com aqueles aromas mais petrolados bem vincados, tão tipicos de um alvarinho com idade, mas sem perder frescura. Incrivel.


Pois é... a manhã já tinha ido e a hora do almoço também já ia tardia. E ainda faltavam os Reserva de Alvarinho e os Arinto que Paulo decidiu servir juntamente com a refeição, muito bem confeccionada e a ligar perfeitamente com os vinhos. Fomos provando (bebendo) para além dos "restos" de luxo da prova matinal os Casa do Capitão Mor Alvarinho Maceração Pelicular Reserva 2015, 2011, 2013 e 2010 (em magnum), dos quais destaco a magnum 2010 e definitivamente o 2015 que está incrivel, num balanço perfeito entre fruta, mineralidade, estrutura e frescura. 

  

Finalmente os Casa de Paços Arinto,  3 anos provados, 2017, 2011 e 2004. É o único vinho que vai à madeira, pois Paulo não gosta de castas terpénicas em contacto com a madeira e o Arinto é portanto a excepção. Se no 2017 se sente um pouco a madeira, sem ser em demasia, percebe-se com o 2011 e o 2004 onde pode chegar este vinho,  coim o passar do tempo, adquirindo uma untuosidade incrivel. O 2004 estava surpreendentemente novo. Um vinho que apenas é produzido em anos especiais e que é também (naturalmente) de guarda. 

  

Terminamos a refeição e o dia com uma geropiga caseira, com mais de 50 anos, que estava sublime e fechou a visita com chave de ouro! 



Não temos palavras para agradecer ao Paulo tamanha generosidade. Um dia inesquecivel. Com provas muito raras e dignas de um qualquer evento vínico, com caracter reservado e super premium. Um projecto com uma identidade muito própria e que confirma a vivacidade da região dos vinhos verdes capaz de produzir dos melhores brancos do país. 

Um 25 de Abril para recordar!

Sérgio Lopes


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Em Prova: Soalheiro Mineral Rosé 2017


Depois do Espumante Rosé, eis que surge no mercado a mais recente novidade da Quinta do Soalheiro, o Soalheiro Mineral Rosé - o seu primeiro, de um produtor cujo nome quase se confunde com (belíssimo) alvarinho. A primeira edição do Soalheiro Mineral Rosé tem uma produção de apenas 5000 garrafas e foi lançada este fim de semana no Palácio do Freixo, num evento da distribuidora Decante Vinhos e que tive a oportunidade de provar. O vinho é feito da junção de Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço, e de Pinot Noir da zona atlântica da região dos vinhos verdes. Este último sofre fermentação malolática, o que torna o vinho suave e 5. Assim, a persistência do Pinot Noir aliada à elegância e aroma expressivo do Alvarinho, tornam este vinho muito agradável e "fácil de beber". Juntando os seus apenas 12º de alcool , ao perfeito equilibrio entre acidez e doçura, será seguramente um best seller no Verão que se avizinha. Seria curioso guardar algumas garrafas e verificar como evoluirá, dado a sua composição com duas castas de enorme personalidade. Grande estreia. PVP: 12,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 16 de março de 2018

Em prova: Curvos Avesso 2016


Na minha aventura em terras Angolanas, onde estive por 2 anos, os vinhos Curvos foram companhia constante, pois num país onde tudo é hiper inflacionado, era possivel comprar estes vinhos a preços aceitáveis (supermercado Martal). Vinhos bem feitos, que dão prazer. Enfim, memórias... 

Provei, muito recentemente, de novo, o Avesso, um dos vários Curvos no mercado, feito 100% desta casta menos conhecida, mas que produz belos vinhos. O resultado é um vinho mais austero do que se espera de um "verde", isto é, com uma belíssima acidez, um bom corpo / estrutura, muito focado na fruta branca, seco e sem gás (ainda bem!). Bom companheiro, portanto à mesa. Acompanhou no restaurante Dourum, a tábua de queijos e enchidos e o bacalhau, com grande versatilidade. Disponibilidade: Garrafeiras. PVP: 4,50€

Sérgio Lopes

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Arena de Baco: Prova vertical dos vinhos Sem Igual e Vale dos Ares

Decorreu no passado dia 03 de Fevereiro, uma prova vertical 2012 a 2016, dos vinhos Sem Igual e Vale dos Ares, vinhos de João Camizão e Miguel Queimado, respetivamente. Para quem não conhece, ambos fazem parte dos Vinho Verde Young Projects, grupo constituído por 4 jovens produtores (os restantes dois são Cazas Novas e Quinta de Santiago) que juntam esforços e pretendem demonstrar que a região dos vinhos verdes é uma região, sobretudo, de grandes brancos! E como previsto, esta prova veio confirmar a qualidade de ambos os projectos, com todos os vinhos a darem boa prova, com naturalmente alguns destaques. Os vinhos foram sendo servidos dois a dois, do mais recente para o mais antigo, sempre superiormente harmonizados pela fantástica comida de conforto do restaurante o Brasão, em Felgueiras.



O projecto Sem Igual faz jus ao seu nome, pois produz vinhos verdes diferentes, desde logo a começar pela combinação de castas - Azal e Arinto, que conferem ao vinho uma generosa dose em partes iguais de nervo e corpo, sempre amparados por uma enorme frescura. São vinhos que quando novos apresentam-se até um pouco austeros, mas que com o tempo vão crescendo imenso, demonstrando grande longevidade - capacidade de evolução bem patente na prova vertical que tivemos o privilégio de fazer. Destaco o 2012, com uma evolução deliciosa e que acompanhou perfeitamente a sobremesa, o 2015, que aprecio particularmente pelo lado contido e alguma untuosidade e finalmente o 2016, que está cheio de nervo e força, com uma garra enorme e a prever-se provavelmente como uma das melhores colheitas de sempre. Muito novo, lá está, mas a dar grande prova desde já.

        

 O projecto Vale dos Ares é proveniente da sub-região de Monção e Melgaço, feito 100% de Alvarinho, naturalmente, onde tem a sua expressão máxima. Embora num registo um pouco mais frutado que o Sem Igual, são Alvarinhos sérios, fiéis à casta, procurando ser mais frescos e minerais, vinhos com nervo e personalidade. Da prova vertical, percebeu-se a influência do ano em ambos os projectos e a procura da definição do perfil, em particular no Vale dos Ares. Contudo, 2012, a primeira colheita, foi também um dos meus destaques - o exemplo perfeito de um Alvarinho com boa evolução, mas sem perder a frescura. Adorei. Destaco igualmente o 2016, num perfil mais consensual, mas nunca se socorrendo da tropicalidasde fácil. Pelo contrário, é fiel à casta, sério qb, citrino e muito agradável. Finalmente o Vale dos Ares Limited Edition, 2015, único vinho com estágio em barrica. Muito interessante, com a madeira ainda em evidência, mas cheio de nervo. Para guardar mais um par de anos. 

        

Para breve, estão preparadas algumas novidades por parte de ambos os produtores, como um espumante Sem Igual, de bolha muito fina, ainda a ganhar complexidade com o tempo de estágio em cave, e a nova aposta, no Vale dos Ares, por "vinhos de parcela" com estágio em barrica usada. O Single Vineyard que sairá no final deste ano e do qual serão produzidas apenas 600 garrafas está maravilhoso, cheio de classe, entrando directamente para a primeira liga dos Alvarinhos!

Sérgio Lopes

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Em Prova: Casa de Paços Arinto Reserva 2016

Vinho branco 100% composto da casta Arinto, proveniente da Quinta da Cotovia, em Barcelos. Criado em 1999, contudo, só é produzido nos anos em que se reconhece a elevada qualidade da casta. Fermenta e estagia em barrica  nova, por 8 meses, sobre borras finas. Provada a colheita mais recente no mercado, a de 2016, o vinho está ainda bastante jovem. 

Nariz fresco, cítrico e com notória presença da madeira (alguma baunilha). Na boca é untuoso e com uma belíssima acidez que lhe confere frescura, Precisa de tempo para se encontrar em todas as suas componentes, sobretudo na integração da madeira. 

Um vinho verde de registo diferente, com bom corpo e aptidão para a mesa, a um preço competitivo.  Para beber e guardar. PVP: 6,5€. Disponibilidade: Restauração

Sérgio Lopes

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Em Prova: Soalheiro Primeiras Vinhas 2016


Tenho bebido muitos brancos da casta Alvarinho, que é uma casta maravilhosa, e que atinge o seu expoente máximo em Monção e Melgaço. Soalheiro, é seguramente sinónimo de Alvarinho (foi a primeira marca de Alvarinho em Melgaço e um dos primeiros produtores portugueses de Alvarinho) sendo que o Soalheiro Primeiras Vinhas é proveniente das vinhas mais antigas da propriedade (com mais de 40 anos). Honra lhe seja feita à consistência ano após ano e enorme qualidade. Aroma elegante, fino e complexo, corpo untuoso, mineral e fresco, final delicioso, longo e que apetece repetir. Um vinho que evolui muito bem em garrafa. O 2016 está particularmente fresco (fruto do ano) e algo contido, mas já a dar muito prazer. Para ir bebendo. PVP: 15€ Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Em Prova: Muros Antigos Escolha 2016


No passado fim-de-semana, aproveitando a promoção de 25% no hipermercado Continente, voltei a este vinho. Decidi trazer uma garrafa para casa. Não é que o desconheça, pelo contrário, mas as escolhas são tantas que por vezes fica difícil focar em determinados vinhos de qualidade comprovada. É o caso deste vinho, Muros Antigos Escolha 2016 é um "verde" de Anselmo Mendes na sua concepção e de Constantino Ramos na execução. Tem tudo aquilo que esperamos de um vinho para consumo regular, dia-a-dia: Leve, fresco, frutado, equilibrado - com uma leve doçura amparada por uma belíssima acidez, pouco alcool (12º) e ainda é companheiro à mesa, se assim o entendermos. Tudo isto abaixo de 5€. Nice!. PVP: 4,60€. Disponibilidade: Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Em Prova: Sem Igual Branco 2016

Não é segredo para ninguém que sou um fã incondicional do trabalho de João Camizão, de quem tenho o privilégio de ser amigo. 

Nova colheita no mercado, a de 2016 do seu vinho Sem Igual (chama-se mesmo assim) embora o produtor ainda esteja a vender a colheita de 2015, pois este vinho precisa de tempo de garrafa para se encontrar.  

Contudo, tenho de destacar a colheita de 2016 que começa agora a mostrar-se, timidamente, é certo, mas prevendo um futuro promissor. 

O tal "mix" de Arinto a contribuir com o corpo e estrutura, e o Azal com a elegância e o nervo está agora a aparecer. 

Provei-o de novo no passado fim-de-semana e está cheio de força, mineral, tenso, longo, muito muito fresco. Vou reforçar o stock, para ir bebendo e guardando. tal como fiz com a colheita de 2015. 

Prevê-se uma colheita de 2016, de facto sem igual! PVP: 13€. Disponibilidade: Garrafeiras

Sérgio Lopes

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Em Prova: S. Caetano Arinto 2016


Proveniente da Quinta da Torre, em Marco de Canaveses, tive oportunidade de provar o vinho branco, feito totalmente da casta Arinto. Para além deste, a quinta produz monocastas S. Caetano Azal, Loureiro, Vinhão (tinto), espadeiro (Rosé ) e o branco colheita. O S. Caetano Arinto 2016, apresenta a acidez e frescura típica da casta que tão bons resultados dá um pouco por todo o país. Por outro lado, o açúcar residual que apresenta (6,7 g/l) aporta uma certa doçura, o que fará dele um vinho apelativo para muitos consumidores. Este ano aparece com um pouco mais de alcool que lhe confere mais volume, mas também o torna um pouco menos "verde". De saudar que se trata de um vinho da região dos vinhos verdes sem a desnecessária adição de gás. PVP: 5€. Loja do Produtor 

Sérgio Lopes

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Fora do Baralho: Pequenos Rebentos 'à moda antiga' 2016


Elaborado a partir de uvas de 40% Alvarinho, 30% Avesso e 30% Arinto, provenientes de Amarante, o vinho sofre uns dias de curtimenta e 9 meses em barricas usadas com as borras totais - 3 meses de fermentação, 6 meses de estágio.

Aspectos técnicos à parte falemos deste vinho totalmente fora do baralho. 

A cor é de um laranja muito ténue, fruto da ligeira curtimenta, a que foi sujeito. Vinho algo rústico ('à moda antiga'), com aroma fortemente mineral e ligeiro toque citrino. A boca apresenta enorme frescura, corpo e uma acidez descomunal o que indicia uma grande longevidade. Apresenta-se poderoso, com final longo e refrescante, a pedir comidas que lhe possam dar luta à mesa.

Na minha opinião, o Pequenos Rebentos 'à moda antiga' 2016 é um dos melhores e mais diferenciadores vinhos produzidos pelo enólogo / produtor Márcio Lopes. Um branco a cheirar um pouco a antigamente que foge claramente do lado frutado e apelativo e aposta na acidez e mineralidade, com o objectivo de fazer um branco de guarda. São apenas 1265 garrafas de um branco para acompanhar.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Em Prova: Muros de Melgaço Alvarinho 2016


Anselmo Mendes foi um pioneiro - o primeiro a experimentar fermentação e estágio em madeira da casta Alvarinho. Hoje em dia "nem é tema". À época era "ensaio".

E o Muros de Melgaço é o seu vinho com mais vindimas, por isso, o mais "afinado" segundo o enólogo / produtor. Sou fã de uma forma geral do seu trabalho, destacando do seu portfolio vinhos como Expressões, Parcela Única ou o Tempo, entre outros, em diversas regiões onde faz vingo. Sempre com uma qualidade inegável.

O Muros de Melgaço é icónico, com a tão característica garrafa troncocónica, que nos dificulta a colocação no frigorífico ou de uma manga refrigeradora :-). Mas pouco importa, pois o liquido que está lá dentro é sempre de uma consistência firme. E grande longevidade.

Esta edição de 2016 mostra-se cheia de mineralidade e elegância, com a madeira muito bem integrada e notas de tangerina e toranja, mas tudo com enorme profundidade, quer aromatica, quer na boca. Depois tem estrutura, mas uma lado delicado e um final bem longo, sempre com pendor mineral. Notável equilíbrio de conjunto, embora seguramente irá crescer em garrafa, como é hábito. Daqui por 4 a 5 anos se aguentarmos guardar até lá, veremos a sua (brilhante) evolução. Provavelmente uma das melhores edições deste vinho.

Sérgio Lopes

sábado, 12 de agosto de 2017

Radar do Vinho: Quinta do Tamariz

Quando penso em vinho verde, não é de Barcelos que me lembro em primeiro lugar, embora tenha grandes recordações dessa belíssima região, onde residem familiares e cujas memórias de infância remontam para os dias em que havia a matança do Porco e todo um ritual à volta do evento. Era um dia inteiro de comes e bebes, entre Rojões, papas de sarrabulho e claro... vinho verde. Contudo, sempre achei que a região de Barcelos era uma região do vinho verde de quantidade, aquele com gás e de venda à porta das adegas - fresco, frutado e ácido, mas sem muito mais para contar. Pois, na Quinta do Tamariz, não é assim. 

Na Quinta do Tamariz, localizada em Barcelos, há uma ampla tradição vinícola, sendo uma empresa de cariz familiar que se mantém na mesma família, hoje gerida pela 4.ª geração. António Nunes Borges foi o fundador em finais do século XIX, um banqueiro que decidiu expandir a sua atividade, inicialmente centrada no prestigiado banco Casa Borges & Irmão, para a exportação de vinhos feitos nas suas quintas. Mais tarde, em 1926, a sua filha Lúcia Vinagre investe num forte desenvolvimento vitivinicola, continuado pelo seu filho, sendo hoje conduzida pelo seu neto Dr. António Borges Vinagre, que tivemos o prazer de conhecer na visita.

Em finais do século XX, mais propriamente a partir da década de 80, começa o processo de reestruturação das vinhas, com particular incidência na casta Loureiro, tendo sido plantadas posteriormente as castas arinto e alvarinho, entre outras. Do seu portfolio constam vinhos, espumantes e aguardentes vínicas velhas. São 35 hectares de vinha e 90 anos de história!

Fomos recebidos pela simpática Sofia Lobo e pela enóloga Francisca Vinagre, na loja da quinta, onde ficamos a conhecer a história da quinta e da família. Por mero acaso e com grande felicidade juntou-se a nós o homem do leme, o patriarca da família, Dr. António Vinagre que logo nos acompanhou até à adega onde iríamos começar a prova. Mas antes, foi tempo de visitar a cave onde repousam as aguardentes velhíssimas.


Iniciamos então a prova do portfolio completo da Quinta do Tamariz. Todos os vinhos provados apresentaram um denominador comum: Acidez elevadíssima (as vezes até no limite), o que lhes confere enorme longevidade, frescura proveniente dos solos graníticos e pendor gastronómico. E nada de gás...ufa! Provamos as colheitas de 2015 e meus amigos, só agora estou a começar a beber os vinhos comprados (e com grande prazer).

Quinta do Tamariz Loureiro Escolha
A casta ex-libris da casa. Floral e cítrico, acidez marcante, corpo médio, pouco alcool (11,5) e muita frescura. Boa RQP. Um daqueles vinhos para se ter sempre no frigorifico. No entanto, não pensem que estarão na presença de um Loureiro frutadinho... nada disso. Aqui há alguma austeridade que lhe confere um pendor bem gastronómico. 16/20. 4,5€

Quinta do Tamariz Alvarinho
Muito delicado e leve, mas com um acidez por trás que lhe dá balanço. Diferente do que estaríamos à espera de um Alvarinho. mas também estamos em Barcelos. Gostei bastante do lado fino que este vinho apresenta. Mais uma vez apenas 12º de alcool. 16,5/20. 7,5€

Quinta do Tamariz Arinto
De novo notas citrinas e alguma fruta branca. Com corpo e final médios, mantém o registo de frescura comum a todos os vinhos. Um bom exemplar da casta Arinto, da região dos vinhos verdes 15,5/20. 6,5€

Quinta do Tamariz Grande Escolha 2013
Por algum motivo está no mercado o 2013... E porquê? Porque os vinhos da Quinta do Tamariz precisam de tempo e este blend das três castas acima mostra agora um vinho cheio, equilibrado, com acidez ajustada e final longo. Tipicidade de vinho verde sem ser agressivo. Muito bem. 16/20. 6,90€.

Provamos ainda dois espumantes, ambos brutos, o branco feito 100% de Arinto e o Rosé 100% de Touriga Nacional. O branco intenso e com muita frescura e mousse de qualidade (15,5/20); O Rosé mais leve e delicado como se pretende (15/20). Ambos bastante interessantes. PVP 10€.

Ficou a faltar provar o verde tinto, feito exclusivamente de vinhão, mas trouxe uma garrafa para casa para experimentar. E claro, as aguardentes, cujo destaque vai para a aguardente 100% de Loureiro, de 2001 com uma produção de apenas 500 garrafas. Algo a merecer por si só seguramente um comentário à parte. No final ainda trouxemos MUITA laranja boa do pomar da quinta, pois nem só de vinho reza a Quinta do Tamariz.


QUINTA DO TAMARIZ
Rua de Cantim, 106 ,
4775-091 Fonte Coberta | Barcelos

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Telefone: +351 252 960 140

Sérgio Lopes