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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Fora do Baralho: Os "Rufias" do Dão

O título deste texto, com a menção a "Rufias" é mesmo propositado. Trata-se do nome dos vinhos de "entrada" do vigneron do Dão, João Tavares de Pina,  também ele um pouco "um rufia" à sua maneira, no mundo dos vinhos, tal é a forma tão particular de fazer e comunicar os seus vinhos. São vinhos que  evocam o passado, vinhos de que João gosta e que fogem claramente a modas e modernices fáceis. É para quem gosta de vinho a sério. Para quem aprecia. Estes "Rufia" são os mais novos, o branco de 2015 e o tinto de 2014. Não é comum, pois as suas referências Terra de Tavares e Torres de Tavares estão anos e anos em garrafa, antes de saírem para o mercado. Anda-se a beber ainda o 2002...!

Mas voltemos aos Rufia, pois a sua aparente juventude, não retira em nada a sua qualidade e singularidade.. O branco de 2015, aqui exemplificado na imagem ao lado, sem frutas tropicais ou doçuras banais. A cor parece de um vinho evoluído... mas nada disso. Tem sim uma enorme frescura, mineralidade e grande pendor gastronómico. Viciante! 

O tinto de 2014, cheio de aromas a bosque e adega, mas tudo num registo de frescura e vivacidade. Gastronómico, sem máscaras e com apenas 11,5º de álcool. Como é que Tavares de Pina consegue fazer estes vinhos? 

PVP: 7,5€

Sérgio Lopes

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Fora do Baralho: Quinta dos Carvalhais Espumante Reserva Rosé 2002

Não vou dar nota de prova a este "bolhas", pois seria injusto, face à data em que este vinho foi provado. Foi provado, claro, nas condições de temperatura, copos e companhia corretos, mas o que ele passou, ninguém sabe. Estou a exagerar. 

Digo "Fora do Baralho" pois este vinho terá ficado anos esquecido, com a garrafa de pé, num café que vende "umas coisas antigas porreiras" e que ninguém ainda tinha reparado nesta pérola.

A cor alaranjada "brutal" assusta qualquer um. É um facto. Ficamos a olhar para o copo, sem saber o que iria resultar da prova. Um espumante Rosé, com quase 15 anos, quando na verdade todos os entendidos defendem que o espumante não é para guardar...

Surpresa, ainda tinha bolha e bem presente. Uma evolução muito boa e prazerosa, num aroma complexo e boca ainda muito fresca. Porreiro, pá! Acompanhou um queijinho de Nisa muito bom!

Terá sido  um "tiro de sorte" ou a prova de que se o vinho base for bom (neste caso maioritariamente Touriga Nacional e Encruzado), o futuro do "bolhas" está assegurado?

Sérgio Lopes

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Fora do Baralho: Piloto Collection Roxo 2015

16/20. A Quinta do Piloto é uma das mais antigas adegas de Palmela, propriedade da família Cardoso há quatro gerações. Há um século que a família Cardoso está ligada aos vinhos de Palmela, chegando a ser o segundo maior produtor da região, com 500 hectares de vinhas, produzindo e vinificando para conhecidas marcas da região. 

Com o lançamento da marca própria em 2012 - Quinta do Piloto – a família Cardoso realizou o sonho antigo de divulgar o melhor das suas herdades e adegas, integrado num projeto mais vasto de recuperação da adega histórica e a criação de uma loja de vinhos. 

Situada em Palmela, o primeiro vinho lançado trata-se de um branco da uva tinta Moscatel Roxo, do qual provamos a última colheita. Trata-se de um branco de uva tinta, feito de uvas provenientes de uma pequena vinha propriedade da familia, há muitos anos, com aroma exuberante à casta, muito floral e com alguma lichia. Boca exótica e com bom volume. Elegante, mineral, termina de bom comprimento, mas com sensação doce, compensado por uma boa acidez. 

A título pessoal, é claramente fora do baralho - sim, mas apresenta uma certa sensação de doçura (o produtor afirma ter muitissimo pouco açúcar residual) que há que ter cuidado com a temperatura para não se tornar enjoativo. Ou seja pessoalmente, foge um pouco do registo de vinhos que mais gostamos. Mas claramente trata-se de um best seller, um vinho de carácter internacional e que fará as delicias de muitos. Diferente. PVP: 8,95€.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Fora do Baralho: Quinta de Lourosa "Vinha do Avô"

16,5/20

Arinto, Essa casta que existe por todo o Portugal e que pelas suas características, quer em lote, quer a solo, tem carácter e sobretudo transmite aos vinhos uma acidez natural (entre outras características) que lhes confere frescura. 

O Quinta de Lourosa "Vinha do Avô" é 100% feito de Arinto, Uma edição limitada de um vinho que resulta de 3 colheitas (2013, 2014 e 2015) feito com uvas de uma vinha com mais de 30 anos, o que na região dos Vinhos Verdes se pode considerar de "vinha velha". Com fermentação em barrica usada, é comercializado numa imponente garrafa de 1,5L (único formato disponivel).

Apresenta uma cor com ligeira evolução, talvez do estágio em madeira. Mostra-se contudo muito fresco, com notas limonadas, alguma mineralidade e os fumados da madeira. Na boca é fresco e untuoso, com final firme e a pedir tempo em garrafa para crescer e mostrar todo o seu potencial. Claramente não será um vinho consensual, mas será muito interessante prová-lo dentro de alguns anos para verificar o seu crescimento. Um vinho "fora do baralho". PVP: 30€

Sérgio Lopes

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Fora do Baralho: Encostas do Enxoé Branco 04, 08 e 10

Tenho para mim que o Alentejo não é a primeira região que me vem à memória, quando penso em vinhos Brancos. Ainda que, claro, como um pouco por todo o Portugal, haja belos brancos, cada vez mais concisos e bem feitos. Mas quando temos um branco de 2004 e outro de 2008 em tão boa forma, da região de Pias, não deixa de ser surpreendente certo? A imagem que acompanha este texto é bastante sugestiva, mostrando a evolução de ambos os vinhos. O 2008  ainda mais evoluído que o 2004 (quando deveria ter sido o contrário), este último, que se mostrou notavelmente fresco - um vinho com 12 anos, que em prova cega iria seguramente baralhar o maior dos provadores!. Um verdadeiro case study. Ambos foram feitos da casta Roupeiro (Siria, certo?) e mostram aqui um carácter maduro, mas sobretudo de uma enorme longevidade. Quem quiser ter a experiência, pode ir ao hipermercado Jumbo e por menos de 4€ tem lá o Encostas do Enxoé branco 2010. Já não é feito de Roupeiro, mas sim das castas mais consensuais Arinto e Antão Vaz, também provado e não tão deslumbrante como os feitos de Siria, mas sem deixar de ser admirável vermos nas prateleiras do Jumbo um vinho branco do Alentejo, de 2010. Estarão os tempos a mudar?

Sérgio Lopes

terça-feira, 10 de maio de 2016

Fora do Baralho: Luis Pato Fernão Pires "Tinto" 2012

Há uma ideia que recentemente tem vindo a ganhar múltiplos formatos, de recuperar a tradição antiga de vinificar uvas brancas e tintas ao mesmo tempo; se em tempos mais remotos isto acontecia porque as vinhas velhas continham em si percentagens – nem sempre aleatórias, julgo eu – de múltiplas castas misturadas, hoje em dia isso já é feito de uma forma mais definida, buscando no entanto um resultado que nos “devolva” esses vinhos de outrora, menos alcoólicos que o habitual, para consumo no ano, dia-a-dia e na maioria dos casos a qualquer hora… bons companheiros de todo o tipo de petisco, estes vinhos saem da actual norma com que habitualmente os classificamos, ao ponto de haver casos em que a própria região não os reconhece como sendo “seus”…

Depois de provarmos o Palhete 2005 do Gravato, o Pardusco Private Selection 2015 do Anselmo Mendes ou o Uivo Renegado 2015 do Tiago Sampaio ficamos com a ideia de que regra geral a uma base de uvas tintas é adicionada uma pequena percentagem de uvas brancas, conferindo-lhe estas maior frescura e uma acidez suplementar… pois com este Fernão Pires (o nome celebra o nascimento do seu neto Fernão) Luís Pato faz exactamente o oposto e a uma percentagem de 94% de uvas desta casta branca (que ganha o nome de Maria Gomes na Bairrada, de onde provém) junta 6% da “sua” Baga, numa fermentação que ocorre em conjunto por um período de 10 dias.

O suficiente para a Baga dominar o restante lote e aparecer tanto no nariz como na boca: contem com algumas notas típicas desta casta logo no aroma, como o barro molhado e até algum chocolate, e depois alguma rusticidade na boca, como de uma Baga até com mais idade (este teve edição única de 2012), ganhando uma acidez que casa muito bem com estes “traços de personalidade” tão evidentes desta casta. Para se beber ligeiramente fresco, claro, para melhor se apreciar um vinho que não chega aos 12% de álcool… não será fácil de o encontrar, mas até isso aguçará a curiosidade para quem não estará familiarizado com este “novo velho” estilo. PVP: 10€; Disponibilidade: Portus Wine Trip.

Marco Lourenço

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Fora do Baralho: Alves de Sousa Reserva Pessoal Branco 2006



17,5/20. A rubrica mensal Fora do Baralho pretende falar de vinhos que se destacam pelas suas características únicas  - seja pela casta fora do vulgar, modo de vinificação, raridade, etc... E não podíamos começar da melhor forma senão, com este já clássico dos vinhos de Alves de Sousa, o reserva pessoal branco de 2006. Os reserva pessoal são, como o próprio nome indica, interpretações muito pessoais do produtor em relação a vinhos que saem para o mercado já com alguma idade "de garrafa".  Também existe o mesmo em tinto que consta terá nascido de um "esquecimento" de umas quantas garrafas em cave e então foi lançado apenas mais tarde, ficando mais de 7 anos em garrafa...

O certo é que este vinho ou se adora ou se odeia, pois um branco com 7 anos está naturalmente oxidado (regra geral).

É um vinho desafiante a todos os níveis, desde logo pela cor dourada que apresenta, conferida pela fermentação e estágio em madeira (e tempo de madeira), Aromaticamente é profundamente complexo, com notas de laranja caramelizada, especiarias e até porque não dizê-lo alguma doçura. Na boca, contudo contra balança essa doçura com uma boa secura, uma estrutura bem grande e um final delicioso. Muito profundo, único e viciante. Apenas tem um senão relativamente a edições anteriores, o facto de estar um pouquinho extraído de mais, mas sem nunca lhe tirar o enorme prazer que dá a beber. Um vinho que não é barato, é certo, mas que devemos provar uma vez na vida. Eu costumo bebericá-lo por si só, a uma temperatura de 12 - 13 graus, embora harmonize muito bem com bacalhau, por exemplo. PVP: 25€. Diponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes