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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Fora do Baralho: Vinhos Antítese

Os vinhos Antítese são um projecto pessoal de dois amigos enólogos, que decidiram juntar duas castas aparentemente difíceis de resultar em blend, daí a designação "antítese". São eles Ricardo Santos - Malo Tojo (Setúbal) / Mestre Daniel (Vinho de talha no Alentejo) e Gilberto Marques (Quinta de Pancas). Existem duas referências atualmente no mercado ambas de 2016, ambas com alguma estrutura, com barrica e um ano em garrafa e vinificadas pelos dois amigos. O Antítese Pinot Grigio / Arinto é de uvas provenientes da Quinta do Carneiro (Alenquer) e mostra-se um vinho fresco, equilibrado, com um aroma muito sui-generis, provavelmente do Pinot Grigio, com notas de pêssego e mel, apoiado pela acidez de um Arinto que segura o conjunto. O Antítese Fernão Pires / Chardonnay, é feito com uvas provenientes da Quinta das Catralvas (Setúbal). É um vinho com madeira mais notória e também um pouco mais de álcool, o que o torna mais volumoso e menos fresco que o anterior, ou seja um branco de perfil mais maduro. Duas curiosidades do mundo do vinho, fruto da amizade destes dois enólogos, ainda disponíveis para quem quiser provar. PVP : 6€. Disponibilidade Reduzida.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Fora do Baralho: Vinho da Ordem

A Aldeia de Valhelhas situa-se no coração da Região da Beira Interior e do Parque Natural da Serra da Estrela e é o berço da Vinha da Ordem, num escondido vale na margem esquerda do Rio Zêzere. Os monges de várias ordens religiosas aqui produziram vinho, ao longo dos séculos, desde a fundação de Portugal, justificando o nome por que é conhecida a “Vinha da Ordem” que deu origem a um vinho peculiar, um clarete (ou rosado), que foi o grande mote para este projecto peculiar, entretanto adicionando um tinto e um branco de curtimenta. Todos os vinhos têm uma intervenção minimalista e a utilização mínima de sulfuroso, sendo por isso, o mais naturais possivel. A vinha é centenária e resulta numa mistura de castas tão diversificadas – brancas, tintas e rosadas, precoces e tardias, temporãs e serôdias, de onde se destacam as mais conhecidas: rufete, folgosão rosado, síria, fonte cal, baga....entre outras. A enologia encontra-se a cargo do professor Virgilio Loureiro, que muito tem contribuido para a identificação das castas presentes na vinha muito antiga.

O Vinho da Ordem era feito com uma mistura de castas brancas e tintas previamente definida na altura de plantação da vinha, há muitas décadas atrás, segundo tradições seculares que foram passando de geração em geração. As uvas são vinificadas com curtimenta de modo que o vinho final fique clarete, que na Idade Média era conhecido por vinho vermelho e tinha um profundo significado religioso, dado ter a cor do “sangue de Cristo”.
O Vinha da Ordem Rosado foi o vinho que Pedro Jeronimo, o homem por trás do projecto me sugeriu provar primeiro e que nas suas palavras "melhor faz jus ao projecto". Totalmente de acordo. Trata-se de um desconcertante clarete feito com uvas de cepas centenárias com 50% Tintas (Rufete, Marufo) e as restantes Brancas (Síria, Fonte Cal) e Rosadas (Folgosão Rosado). A cor do vinho é vermelho (como feito no tempo dos templários - Sangue de Cristo) No nariz apresenta fruta vermelha fresca, com destaque para a cereja e a romã. Na boca é sedoso, fresco e envolvente, com alguma rusticidade, mas uma facilidade de prova e um sabor delicioso que é impossivel não se gostar! . Um vinho diferente, original, invulgar. Viciante. Produzidas apenas 1200 garrafas.


O Vinho da Ordem Tinto segue a mesma linha do rosado, ou seja, intervenção minimalista e pouquíssima adição de sulfuroso. Feito a partir da tal mistura de castas tintas do antigamente, tais como Rufete, Jaen, Bastardinho, Marouco, entre outras. Na linha do Rosado é um vinho de aroma moderado, com uma fruta muito bonita e um caracter mineral, A boca apresenta taninos macios, mas firmes e envolventes. A acidez que contém confere-lhe uma tensão muito interessante que o faz brilhar à mesa. Um tinto muito elegante e sui-generis com uma boca muito fresca e com pouca extracção, mas com um lado rústico que lhe confere essa diferenciação acentuada. Adorei também. 700 garrafas produzidas. 

O Vinho da Ordem Branco é um "orange wine", como se pode ver pela sua cor, ou seja, um branco de curtimenta. As uvas brancas fermentam 7 dias em lagar aberto apenas com movimentação manual duas vezes ao dia com um rodo, das massas do topo para o fundo, para permitir controlo de temperatura e alguma oxigenação - daí a cor laranja. É um vinho também ele original, onde predomina por um lado a laranja cristalizada e algum fruto seco ao primeiro impacto. A boca é poderosa, com grande volume e algum "peso" devido ao ano quente, mas não quer dizer com isso que o vinho não seja fresco. Um branco para apreciar com calma e se provar pela sua diferenciação. Um belo orange wine. menos de 600 garrafas produzidas.


Os vinhos encontram-se à venda em garrafeiras seleccionadas (Garrafeira Nacional, Wines 9297,  Garrafeira Campo de Ourique, entre outras) a um PVP de 19€.


Um projecto dos mais desconcertantes que conheci recentemente. O facto de serem quase vinhos naturais permite apreciá-los ainda melhor!


Sérgio Lopes

terça-feira, 21 de maio de 2019

Fora do Baralho: Monte Meão Vinha da Cantina Tinto 2016

Da memorável visita efetuada à Quinta do Vale Meão, onde o vinho com o mesmo nome é já uma referencia mundial no que um grande tinto do Douro é capaz de oferecer - tantas camadas de complexidade, num registo de homenagem pela história da região, no entanto, há também espaço no Vale Meão para a experimentação e modernidade. 

É o caso dos Monte Meão, ensaios, de Touriga Nacional, ou Tinta Roriz, ou por exemplo e especificamente neste Vinha da Cantina, 100% feito da casta... Baga, casta que imediatamente asssociamos à Bairrada. 

No Douro, penso que são pioneiros aa utilização da Baga e confesso que o primeiro ensaio que provei deste vinho, o da edição de 2014, não me agradou por aí além. 

Ora em 2016, esta segunda edição deixou-me positivamente impressionado. Adorei!

O registo é de um vinho leve na cor e na estrutura, com apenas 12,5º de alcool, pouca extracção, fresco, elegante, com acidez, mas MUITO sabor. Simplesmente, não cansa!

Uma baga de estilo borgonhês que me apaixonou imediatamente e da qual se produziram apenas 1500 garrafas...

PVP:25€. Garrafeiras.


Sérgio Lopes

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Fora do Baralho: Gradual Marufo Tinto 2015

A Quinta da Costa do Pinhão, às portas de Favaios,  é um projeto duriense muito recente de que gosto muito e cujo primeiro ano de lançamento foi 2014. É precisamente o vinho Gradual de 2014 que tenho bebido com frequência e que comentei AQUI

Desta feita, falo-vos de uma novidade totalmente fora da caixa, nomedamente o Gradual Marufo 2015, um tinto feito com a casta Mourisco, que o IVDP chama agora de Marufo. Trata-se de uma experiência com uma casta que todos rejeitam na região, para fazer vinho, uma vez que é uma das castas recomendadas para Porto e está presente nas vinhas velhas. O mourisco fermentou com cacho inteiro, teve pisa a pé e estagiou 8 meses numa barrica de 500 litros usada. Foi por isso um ensaio - uma experiência de apenas uma barrica que necessitou de 2 anos para ser aprovado como Douro Doc. O primeiro Mourisco tinto com selo. 

O resultado é um vinho desconcertante a começar desde logo pela cor, a parecer um rosa escuro  acastanhado (?). O aroma é de fruta fresca e muita profundidade. A boca é elegante, leve mas com taninos redondos, de corpo médio, acidez vibrante e muito sabor. Um vinho que se bebe com enorme prazer, num registo elegante e com pouco alcool, como é apanágio na casa, com uma leveza desconcertante, mas sério e com complexidade suficiente para se tornar viciante, copo após copo! PVP: 15€. Disponibilidade muito reduzida.

PS: Rótulo provisório. Mas o vinho é tão bom que merece definitivamente este preview.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Fora do Baralho: Herdade do Rocim Clay Aged Branco 2017

Numa altura em que o Alentejo parece querer recuperar a tradição milenar do vinho da talha, destaco este exemplar, o Herdade do Rocim Clay Aged Branco 2017. Apesar de eu não ter provado muitos vinhos de talha, sobretudo brancos, e apesar da polémica sobre o que é realmente uma talha (com ou sem tratamento de impermeabilização), confesso que este vinho chamou-me a atenção no jantar da gala da revista Grandes Escolhas, onde foi prémio de excelência e onde tive a oportunidade de o provar à mesa e adore. Feito de Verdelho, Viosinho e Alvarinho, é pisado a pé em lagar de pedra, com o seu engaço, apenas com leveduras indigenas (como se de um tinto se tratasse), com posterior estágio de 9 meses em talhas de barro de 140 litros. Talhas essas, fruto da colaboração com uma universidade francesa para criar pequenas ânforas de apenas 140 litros, feitas de argila de sua própria propriedade, especialmente projetadas para serem usadas sem forro, permitindo taxas semelhantes de micro-oxigenação como as barrricas novas de carvalho francês. O resultado é um vinho desconcertante. De cor ambar, fruto da "curtimenta", apresenta um aroma profundo mas subtil, com notas de pedra molhada, alguma fruta cristalizada, mas tudo num registo de contenção e muita complexidade. A boca é de taninos finos, com estrutura, fresca e muita texturada. Termina austero qb, com muita tensão e um final longo e ceroso. Um vinho com delicadeza, apesar da curtimenta e do estágio em talha. Acompanhou em dois momentos um cozido à portuguesa e um anho assado na brasa, de forma brilhante. Sempre a uma temperatura a rondar os 14 grausa para tirar o máxiumo partifdo da sua estrutura e complexidade. Um digno representante de um topo de gama - branco, do... Alentejo, para apreciar vagarosamente! PVP: 35€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 29 de março de 2019

Fora do Baralho: Quinta Olival da Murta (Serra Oca)

A Quinta do Olival da Murta é um projecto de natureza familiar, que vai na sua quarta geração. Situada na Estremadura, a 80 Km da cidade de Lisboa, possui terrenos de grande influencia Altlântica e um micro clima da vertente norte da Serra de Montejunto, caracterizado pela grande amplitude térmica. Pertence à Sub região de Óbidos, uma das nove denominações de origem da “Região de Vinhos Lisboa”, que se caracteriza por vinhos tintos aromáticos, ricos em tanino e com grande capacidade de envelhecer em garrafa, e uma grande diversidade de brancos frescos e equilibrados. O projecto contempla um tinto e dois brancos, ambos muito originais, quer nas castas utilizadas, quer no método de produção, com recurso a alguma "curtimenta".
O Serra Oca Tinto (13€) é um vinho composto por Aragonez, Touriga Nacional e Castelão, com fermentação em lagar e passagem por madeira, por 18 meses. Há duas edições no mercado, atualmente, 2014 e 2015, sendo que preferi esta última, onde achei a madeira um pouco menos presente (embora não se sinta em demasia no 2014). São ambos tintos suaves, frescos e fáceis de beber, bem ao estilo da região de Lisboa. As grandes joias da coroa, na minha opinião, são os brancos, ambos de curtimenta e por isso, originais. O Serra Oca Branco 2017 (12,5€) é composto por Arinto (50%), Fernão Pires(45%) e Moscatel Graúdo (5%), fermentadas em separado em lagar com leveduras espontâneas. O Arinto e Fernão Pires com maceração pelicular e fermentação em barrica. Moscatel com curtimenta completa (estilo orange wine). Parte do lote estagia em barricas usadas de carvalho francês e restante parte do lote com estágio em inox. O resultado é um vinho mineral, com notas de laranja cristalizada e algum fruto seco. A boca é austera, com uma secura impressionante e uma acidez que marca este estilo de vinhos "orange", terminando intenso. Um vinho realmente original e "duro". Mais original ainda e o meu preferido de todos, o Serra Oca Moscatel Graúdo 2017 (12,5€), um branco de curtimenta completa, de uma casta também pouco usual. O aroma é muito complexo, com notas florais, fruta exuberante e toques melados. Tudo muito fresco. No entanto, a boca é algo mais contida de intensidade - elegante, mas a acidez lancinante que apresenta, fá-lo brilhar. Quase que parece um vinho que ameaça ser "bonito"  e exuberante pelo nariz, mas que na boca "arrasa" pela sua acidez. Apenas 12,5º de alcool e 600 garrafas produzidas, num ensaio que tem tudo para continuar. Mesmo "sui-generis".

Serra Oca (onde se diz que se ouve o mar)

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de março de 2019

Fora do Baralho: D. Graça Samarrinho Branco 2016

Dona Graça é uma marca de vinhos do produtor Vinilourenço, projecto situado do Douro Superior, mais propriamente na Meda. Com enologia do professor Virgilio Loureiro o projecto tem um portfolio vasto de referências, apostando em também apresentar o que cada casta pode aportar em termos de identidade aos vinhos produzidos. É assim no D. Graça Viosinho ou no D. Graça Rabigato, por exemplo, brancos que são escolha frequente cá em casa e que demonstram bem o terroir da Meda - com muita frescura e mineralidade. 

O D. Graça Samarrinho Branco 2016 é um branco que pretende homenagear uma uva branca do antigamente e que embora pouco conhecida e trabalhada hoje em dia produziu aqui um vinho que de facto é diferenciador. Um vinho de aroma contido mas muito mineral e com algum perfume suave. Boca cheia de acidez, sensação de lousa molhada, muito texturado e crocante. Termina muito fresco, cítrico, longo e de enorme aptidão gastronómica. Um branco de altitude, seco e com muito "nervo". mesmo ao nosso gosto. Apenas 900 garrafas produzidas! PVP: 19€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Fora do Baralho: Vulpes Vulpes Branco 2016

A adega Entre os Ríos localiza-se em Pobra do Caramiñal, nas encostas da península de Barbanza, no lado norte da Ria de Arosa, no centro geográfico das Rías Baixas. A filosofia é do máximo respeito pela paisagem e natureza, evitando o uso de tratamentos desnecessários, tais como herbicidas ou inseticidas. Também apenas são utilizadas leveduras indigenas, para preservar a autenticidade de cada ano de colheita. É por isso uma vitucultura totalmente natural e biológica, onde a influência do solo rochoso da peninsula de Barbanza, o clima e a enorme proximidade com o mar, marcam significativamente o perfil dos vinhos. 

Apesar do Albariño ser a casta dominante, nos vinhos produzidos por José Crusat, provamos um vinho produzido da uva 100% Raposo (também conhecidas por Blanco Legítimo ou Albarín) chamado Vulpes Vulpes. 

Quando abri a garrafa cheirava um pouco a enxofre, pois é  um vinho que para além de produzido em modo natural, apresenta um perfil reduzido. Confesso que guardei a garrafa do meio-dia para a noite. À noite o vinho abriu, perdendo aquele toque a enxofre, mas mantendo uma acidez desconcertante e um lado salino que pede comida, seguramente. Então apareceram notas florais, leve balsamico, canela, mas sempre com o lado "bio" a fazer-se sentir. Na boca, muito seco, cheio de garra e muito "fora do baralho". Um belíssimo vinho que se estranha no inicio e depois... entranha-se. Temos claro de estar "in the mood for it"...! PVP: 12,50€. Disponibilidade: V'Idi.

Sérgio Lopes

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Fora do Baralho: Czar

Se há vinho totalmente distinto e peculiar é o vinho Czar da Ilha do Pico - Açores. Após a revolução Russa em 1917, foi encontrado vinho licoroso da ilha do Pico nas caves do palácio do último Czar, Nicolau II. Este vinho era embarcado em barricas na ilha do Pico e enviado propositadamente pelos Czares para os seus banquetes reais. 

Chegou a constar de receitas médicas como cura para certos males e até Tolstoi o menciona no seu livro “Guerra e Paz”. Daí se ter considerado que o nome mais apropriado para este vinho seria “Czar”. As vinhas onde é produzido o CZAR, são centenárias e localizam-se na zona dos lajidos da Criação Velha, da ilha do Pico.

Por se tratar de um vinho totalmente natural, sem adição de qualquer tipo de álcool, açúcar ou leveduras, a sua composição varia de acordo com o grau de maturação e as condições climatéricas incertas de cada ano, podendo aparecer como seco, meio seco, meio doce ou doce. É um vinho que naturalmente atinge 18% de graduação, e às vezes mais. 

Essa virtude, deve-se às características peculiares das uvas de que é feito, ao tipo de solo vulcânico e à vindima tardia, ajudando na sobre maturação das uvas. Em alguns anos simplesmente não aparece, por não atingir a qualidade necessária para ser chamado Czar. 


As castas utilizadas são o verdelho, o arinto dos Açores e o terrantez. Nos anos em que saiu Czar, até 2008 eram mencionadas as castas (nem sempre todas faziam parte do lote), sendo que a partir de 2008, passa a designar-se "superior". O 2011 é "private collection". Fizemos uma prova vertical dos vinhos Czar no evento Enóphilo no Porto (2009, 2008, 2006, 2003, 2002, 2000), podendo comprovar que se tratam de vinhos muito secos (apesar do açúcar presente), devido à elevada acidez e que aguentam muito bem a passagem do tempo. Reforço que não são vinhos aguardentados como os Porto ou Madeira, por exemplo, mas sim fortificados mais próximos de um colheita tardia. A colheita mais recente no mercado é a de 2011 e pode ser encontrada nas melhores garrafeiras, com um PVP a rondar os 50€. Está muitíssimo equilibrada, entre doçura e acidez, cheia de nervo, muito iodo e salinidade, sendo um vinho "perigoso" a beber e muito versátil. Czar - uma verdadeira curiosidade no mundo vínico. Disponibilidade: Garrafeiras

Sérgio Lopes

sábado, 6 de outubro de 2018

Fora do baralho: Alberto Nanclares Albariño 2015

Mais um Albariño que conheci, graças ao meu amigo André Antunes. Mas não é um Albariño qualquer... Impressionou-me pela elevada acidez, estrema salinidade e muita complexidade e frescura. 

Trata-se de um vinho, das Rias Baixas, proveniente de vinhedos de Val de Salnes, de vinhas com idades entre os 30 a 40 anos. A proximidade com o mar e a intervenção minimalista tornam este vinho realmente sui-generis. Confesso, que às cegas não o identificaria como Albariño sobretudo, por se tratar de um vinho tão vivo e com tanta frescura e salinidade (elevada mesmo) que não é propriamente para todos os gostos. 

A passagem de 9 meses em barrica usada, com battonage constante ainda contribui mais para lhe dar complexidade e muito gozo, a beber copo após copo. 

Fiquei mesmo fã. Muito mineral e salgado! Totalmente fora do baralho! PVP: 15€. Disponibilidade: Online.

Sérgio Lopes

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Fora do Baralho: Sem Mal 2017

Novo vinho lançado por João Camizão, cujo projeto Sem Igual é já uma das novas referências na região dos Vinhos Verdes. Com este vinho, Camizão procura a experimentação e quase como um agitar a região com o seu "Sem Mal". Sem Mal é uma abreviatura de Sem Málico, pois neste vinho o ácido málico que é transformado em ácido lático, por via da fermentação Malolatica, desenrola-se na garrafa, com o gás a surgir assim naturalmente dessa fermentação. (Não há adição de CO2). Acresce o facto de os niveis de sulfuroso acrescentados serem muito reduzidos. No fundo,  Camizão tenta replicar provavelmente como o Vinho Verde seria feito antigamente (na década de 70) com o gás a surgir naturalmente e sem filtração e minima intervenção.

O resultado: Vinho de aspeto turvo, devido a não ser filtrado. Muito leve no nariz, com notas de panificação quase que a lembrar um espumante. A boca tem leve gás, uma espécie de "mousse" crocante e uma belíssima acidez como é apanágio dos vinhos do produtor. De corpo médio, o final não é muito longo, mas é seco e com um alcool a rondar os 11º, o nectar desaparece num instante.

Não será um vinho para toda a gente, mas também são apenas 333 garrafas de um "branco de antigamente"...! Leve, seco e fresco. PVP: 13€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Fora do Baralho: Anselmo Mendes Tempo 2015

Anselmo Mendes, o Sr. Alvarinho, eterno experimentalista da casta Alvarinho, fez este vinho, com uma vinificação muito especial, a partir de uma vinha com mais de 15 anos e de baixa produção, com níveis elevados de acidez e boa maturação.

É um vinho feito à antiga com curtimenta total, com mais cor e mais taninos. Explicando de uma forma mais simples, a fermentação total ocorre com as peliculas (casca da uva) o que não é usual. Acresce ainda que parte dessa fermentação ocorre com o cacho inteiro não desengaçado por várias semanas - curtimenta total. No final, efetua um estágio de 6 meses em barricas usadas de 400 litros de carvalho francês com bâttonage regular.

O resultado é uma espécie de "orange wine", com cor dourada, com um nariz onde sobressaem as notas citrinas, com predominância da casca de laranja carmelizada e até algum fruto seco. È extremamente complexo no aroma. A boca é volumosa, potente, com alguns "taninos", apoiados por uma acidez forte e vincada. Enche a boca por completo. Termina muito, muito longo, complexo e de enorme persistência. 

Um branco de enorme potência e que acompanha qualquer comida, forte. Totalmente fora do baralho, mas absolutamente delicioso! PVP: 60€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 14 de março de 2018

Fora do Baralho: Bajardão Reserva Branco 2013


Proveniente de Sabrosa, nas margens do Rio Pinhão chega um vinho "fora do baralho", a começar pelo nome - Bajardão e pelo rótulo, ambos disruptivos. Em termos de vinificação, é produzido com uvas das tipicas castas durienses Viosinho, Rabigato, Gouveio e Malvasia Fina, fermenta sobre borras, com batonage e estagia em barricas novas de Carvalho Francês, durante 12 meses. Depois, seguem-se mais 12 meses de estágio de garrafa antes de ser comercializado. 

Neste momento, com 4 anos de idade apresenta uma cor palha e mostra um nariz extremamente mineral, floral com boa evolução, com complexidade. Na boca surpreende pela enorme acidez, que lhe confere frescura e mostra também um lado untuoso muito interessante. Com apenas 12,5º de alcool, termina longo e persistente. Um vinho cuja acidez e diferença entre nariz e boca não é para todos os palatos, mas que se traduz num vinho muito interessante de descobrir, situando-se fora do registo habitual na região do Douro. PVP: 13€. Disponibilidade: Restauração.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 5 de março de 2018

Fora do baralho: Post-Quercus Baga 2015


Post-Quercus significa, “depois do carvalho” e é um vinho de Filipa Pato, produzido da casta Baga, em modo biodinâmico e cuja fermentação e estágio acontece em ânforas de barro.  Segundo Filipa Pato, defensora do mínimo de intervenção possivel nos vinhos, isto é, "sem maquilhagem", se a Bairrada é terra de solos argilo-calcários, nada melhor do que colocá-la em contacto com ânforas de  barro de 300 litros. O resultado é um vinho onde a baga aparece bem amaciada, mais delicada, focada na fruta fresca e com uma boca mais suculenta, onde se vai bebendo copo após copo, com muito prazer. Um vinho que se bebe "sem dar conta", com bom volume de boca, final persistente e totalmente fora da caixa, no que à baga diz respeito. E à região. Apresentado em garrafas de meio litro e 1 litro. PVP: 10,90€ (garrafas de meio litro). Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sábado, 6 de janeiro de 2018

Fora do Baralho: Proibido à capela Tinto 2016


Começamos 2018 com a menção a um novo vinho de Márcio Lopes, um ensaio, no mínimo... curioso... Fruto de uvas de uma vinha com quase 50 anos (90%uvas tintas, 10%uvas brancas), localizada em VN Foz Côa, colhidas ao mesmo tempo, desengaçadas à mão, cujo vinho foi trasfegado a cantaro, propositadamente deixadas em vazio, para ganhar "flôr", não filtrado ou estabilizado, e engarrafado à mão, apenas com uma ligeira adição de SO2... Vinho com apenas 11º de alcool, leve mas com boa acidez e pendor gastronómico. Diferente. Em prova, atira-nos para um alvarelhão, por exemplo, ou para uma jaen, pouco extraido e com a componente mais vegetal (verde) em evidência. Um vinho produzido à moda do "Jerez", tentando replicar a fórmula. Foram produzidas 500 garrafas apenas. PVP: 18€. Garrafeiras

Sérgio Lopes

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Fora do Baralho: Foxtrot Dominó Tinto 2014


16,5/20. Vitor Claro, conceituado chef português ficou com o "bichinho" do vinho e decidiu criar o seu projeto, vinhos Dominó. São vinhos de experimentação, com pouca maquilhagem, ao gosto pessoal do chef. Este Foxtrot Dominó 2014 é composto por 75% uvas tintas e 25% de Arinto. É um vinho tinto, sem denominação de origem, devido à percentagem de uvas brancas que contém. Mas é bem português e proveniente do Alentejo, mais propriamente de Portalegre de vinhas velhas com mais de 85 anos. O resultado é um vinho com um aroma contido, onde se sente um pouco do calor alentejano. Na boca  o tanino de parte do engaço está presente (50% do lote tinto tem engaço) mas também fruta fresca e uma frescura muito interessante, proveniente da proximidade com a Ribeira de Nisa . De corpo médio e pouco alcool (12º), é um vinho que se bebe muito bem e facilmente, sem deixar de ter uma complexidade acima da média que o torna distinto. Gostei. PVP: 10€. Disponibilidade: Portus Wine. 

Sérgio Lopes

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Fora do Baralho: Monte da Ravasqueira Late Harvest

Monte da Ravasqueira Late Harvest é um colheita tardia proveniente do Alentejo, feito 100% da casta Viognier. Sim, do Alentejo e de uma casta que tanto tem de delicada, como de "pesada" se não for tratada / vindimada correctamente, principalmente em zonas quentes. 

Ora, este vinho é o resultado de uma prensagem lenta e suave sobre as uvas durante mais de 24 horas; uvas essas congeladas durante algumas semanas previamente à temperatura de -20º C. Numa região, não propensa à formação do fungo Botrytis Cinera, responsável pela "podridão nobre" das uvas, o resultado foi, pois claro, "fora do baralho".

Um vinho licoroso com uma cor muito bonita, amarelo-limão, nariz muito fresco e complexo com a fruta citrina compotada (tipo do bolo-rei), marmelada, toranja... Boca gorda, mas muito elegante, com uma bela acidez e intensidade, nunca tornando o vinho minimamente "chato". Pelo contrário!

Para quem procura um colheita tardia na linha de um Grandjó, engane-se pois aqui estamos na presença de algo num pendor mais fino e elegante, com grande equilíbrio, mas cheio de sabor.  375cl. 10,5º. PVP: 10€

Sérgio Lopes

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Fora do Baralho: Vicentino Sauvignon Blanc 2014

16/20. 

Sauvignon Blanc feito no Alentejo. Hmmm, não é propriamente óbvio, antes pelo contrário. É certo que existem outros exemplares na região feitos da casta francesa, como por exemplo, Cortes de Cima ou Comenda Grande, que não sendo brilhantes, são bons ensaios. 

Foi por isso, com curiosidade, que comprei este vinho até por causa de algum hype à volta do mesmo, nomeadamente pela proximidade maritima das uvas, com a vinha plantada às portas da Zambujeira do Mar...

É sobretudo um sauvignon blanc marcado muito mesmo pelo lado vegetal da casta. As notas de espargo características estão lá em primeirissima linha, junto com muito leve fruto tropical. Na boca é fresco e com um toque a lembrar o salino, talvez da tal proximidade maritima? Termina com boa persistência.

Acho que provavelmente não é vinho para todos os palatos, mas que é agradável, não há dúvidas. PVP: 10€. Comprado na Garage Wines.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Fora do Baralho: Toro Albalá (Don PX)

Toro Albalá é uma empresa centenária espanhola especialista na produção de vinhos doces da casta Pedro Jimenez. O processo consiste em secar a uva ao sol, até ficar em passa (desidratada). De seguida, envelhece em cascos de carvalho americano por longos anos até ao engarrafamento. Nunca tínhamos provado algo assim e é de facto totalmente "fora do baralho". Tivemos oportunidade de fazê-lo no evento da Direct Wine na Foz do Porto (que distribui os vinhos) onde estavam em prova os seguintes vinhos:

- Don PX Cosecha 2014
- Don PX Gran reserva 1987
- Don PX Seleccion 1973
- Don PX Seleccion 1965 (à esquerda)
- Don PX Seleccion 1955

O Don PX 1965, por exemplo, esteve quase 50 anos em barrica antes de ser engarrafado. Obteve 98 pontos pelo prestigiado crítico americano Robert Parker.

De uma forma geral, tratam-se de vinhos de sobremesa com uma concentração de boca abismal. Nunca provei nada assim. O teor de açúcar é muito alto, mas balanceado por uma boa acidez. Vinhos doces, mesmo. Fora de série, pela novidade. Mas penso que se tem de provar quase com um conta gotas (tal a concentração que exibem). E não são aconselháveis a diabéticos... A descobrir!

Sérgio Lopes

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Fora do Baralho: Os "Rufias" do Dão

O título deste texto, com a menção a "Rufias" é mesmo propositado. Trata-se do nome dos vinhos de "entrada" do vigneron do Dão, João Tavares de Pina,  também ele um pouco "um rufia" à sua maneira, no mundo dos vinhos, tal é a forma tão particular de fazer e comunicar os seus vinhos. São vinhos que  evocam o passado, vinhos de que João gosta e que fogem claramente a modas e modernices fáceis. É para quem gosta de vinho a sério. Para quem aprecia. Estes "Rufia" são os mais novos, o branco de 2015 e o tinto de 2014. Não é comum, pois as suas referências Terra de Tavares e Torres de Tavares estão anos e anos em garrafa, antes de saírem para o mercado. Anda-se a beber ainda o 2002...!

Mas voltemos aos Rufia, pois a sua aparente juventude, não retira em nada a sua qualidade e singularidade.. O branco de 2015, aqui exemplificado na imagem ao lado, sem frutas tropicais ou doçuras banais. A cor parece de um vinho evoluído... mas nada disso. Tem sim uma enorme frescura, mineralidade e grande pendor gastronómico. Viciante! 

O tinto de 2014, cheio de aromas a bosque e adega, mas tudo num registo de frescura e vivacidade. Gastronómico, sem máscaras e com apenas 11,5º de álcool. Como é que Tavares de Pina consegue fazer estes vinhos? 

PVP: 7,5€

Sérgio Lopes