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terça-feira, 23 de abril de 2019

Novidade: Bone, by Pedro Martin

Depois do sucesso dos Identidade AM (Tinto do Dão), OM (Branco da Bairrada) e mais recentemente IM (espumante da Bairrada), vinhos feitos em homenagem aos membros da familia Martin, eis que chegam ao mercado os rótulos "Bone". O objetivo desta referência é o de produzir vinhos secos - "dry as a bone", que funcionem como um instrumento seguro para qualquer sommelier poder aconselhá-los à mesa, sem hesitação. São produções pequenas, de apenas 2000 garrafas de um branco e um tinto, ambos feitos na Bairrada, nas Caves Messias, com o blend seleccionado por Pedro Martin. O Bone Branco 2017 é produzido das "castas típicas da bairrada" e tem apenas uns singelos 11,5º de alcool. Fresco, leve, mas com corpo, seco - é claro e refrescante.  O Bone Tinto 2016 é feito de Syrah (40%), Baga (20%), Touriga Nacional (30%) e Cabernet Saub«vignon (10%). Tem fruta madura na medida certa, complexidade qb e pendor gastronómico, como se pretende com estas referências. Seco, é claro e muito equilibrado. Os Bone não deslumbram como os Identidade (também não seria esse o propósito), mas traduzem-se em apostas seguras, num registo mais fácil e consensual. Para a mesa. PVP: 9€.

Sérgio Lopes

terça-feira, 16 de abril de 2019

Radar do Vinho: Quinta do Côtto

Tomei contacto mais próximo, recentemente, com os projectos Quinta do Côtto e Paço de Teixeiró, ambos pertencentes à familia Champalimaud. A Quinta do Cotto é seguramente um nome conhecido do Douro, produzindo vinho tinto desde 1960 e cujos seus Grande Escolha são verdadeiros clássicos da região, cheios de carácter e longevidade. São 77 hectares de vinha, rodeadas de mata, localizadas no início da sub-região do baixo-Corgo. A Quinta do Paço de Teixeiró localiza-se na sub-região de Baião- Vinhos Verdes, composta por 7 hectares de vinha nos contrafortes do Marão. Tem um microclima muito próprio, com o solo ainda duriense (Xisto) e as noites frias da serra ajudam a que as uvas tenham um caracter muito próprio. Complementa assim a oferta do grupo, com vinhos brancos que a Quinta do Cotto não produz.
A enologia está a cargo de Lourenço Charters que tenta aportar o seu cunho pessoal ao projecto, priveliginado o terroir e a tradição. Todos os vinhos são feitos de uvas provenientes das suas Quintas e vinificados e engarrafados nas propriedades. Foi por isso um prazer visitar este projecto e poder constatar in loco o trabalho de renovação e reabilitação que Lourenço está a operar, mantendo um respeito enorme pela história da casa, limitando-se a reproduzir as melhores práticas de antigamente, mas com olhos postos no futuro. Depois da visita às vinhas e à adega, Lourenço tinha preparada uma prova com algumas referências antigas para mostrar a longevidade dos vinhos Durienses e também da região de Baião.
A Quinta do Paço de Teixeiró posui 2 vinhos, um feito de Avesso (80%) e Loureiro (20%) PVP 7€, aromático e fresco, mineral e equilbrado, mas com uma boca interessante e uma belíssima acidez; e um Avesso 100% com fermentação e estágio em barrica onde se procura maior complexidade aromática e uma boca com maior volume e untuosidade. Uma produção de apenas 1600 garrafas deste útlimo vinho que Lourenço Charters pretende ainda afinar mais. PVP: 13€. Provaram-se para além das colheitas mais recentes no mercado, a versão sem barrica, Paço de Teixeiró 2008 e a versão com barrica, Teixeiró Grande Escolha 2010, ambos ainda muito vivos, a demonstrar a longevidade destes vinhos brancos.
O Vinho Quinta do Côtto é um blend das várias parcelas da Quinta, em que 40% do lote estagiou em barricas usadas e novas durante 12 meses os restantes 60% em Cubas de Inox. Trata-se de um tinto de perfil clássico, com a fruta em primeiro plano, madeira bem integrada, nada extraído, competente e muito equilibrado. PVP: 8€. Muito seco e um great value, para quem apreciar um perfil mais tradicional, para a mesa. Para além da colheita mais recente no mercado, provamos os anos 2004 e 2008, ambos com rolha "screw cap", mostrando-se muito fechados, com anos de vida pela frente. O Quinta do Côtto Vinha do Dote é de uma só parcela, localizada a uma cota mais baixa (140m) e com aproximadamente 90 anos. É chamado vinha do Dote pois a vinha foi trazida como dote em 1865. Estagia 15 meses em barrica usada. Aqui já estamos na presença de um vinho onde as vinhas velhas aportam uma grande complexidade, com aroma complexo e muita finesse, onde predominam notas de especiarias e frutos vermelhos maduros. Bom volume de boca, com taninos sedosos, com longo e persistente final. Com grande potencial, na minha opinião e a mostrar-se muito melhor à mesa, seguramente. Um grande vinho, elegante e muito fresco, mesmo ao meu gosto PVP: 20€. O histórico Quinta do Côtto Grande Escolha que apenas sai em anos especiais e cuja última edição é de 2015, não foi provado.
Para o final deixo o vinho que mais me surpreendeu, o Quinta do Cotto Bastardo (20€), um ensaio de pouco mais de 400 garrafas que Lourenço redescobriu traduzindo-se num vinho com pouquissima extração, mas cheio de sabor, seco e com enorme frescura. Um vinho viciante e totalmente fora do baralho. Esgotado já no produtor, mas uma aposta seguríssima e demonstrativa do cunho pessoal que Lourençlo começa a aportar ao projecto.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Fora do Baralho: Herdade do Rocim Clay Aged Branco 2017

Numa altura em que o Alentejo parece querer recuperar a tradição milenar do vinho da talha, destaco este exemplar, o Herdade do Rocim Clay Aged Branco 2017. Apesar de eu não ter provado muitos vinhos de talha, sobretudo brancos, e apesar da polémica sobre o que é realmente uma talha (com ou sem tratamento de impermeabilização), confesso que este vinho chamou-me a atenção no jantar da gala da revista Grandes Escolhas, onde foi prémio de excelência e onde tive a oportunidade de o provar à mesa e adore. Feito de Verdelho, Viosinho e Alvarinho, é pisado a pé em lagar de pedra, com o seu engaço, apenas com leveduras indigenas (como se de um tinto se tratasse), com posterior estágio de 9 meses em talhas de barro de 140 litros. Talhas essas, fruto da colaboração com uma universidade francesa para criar pequenas ânforas de apenas 140 litros, feitas de argila de sua própria propriedade, especialmente projetadas para serem usadas sem forro, permitindo taxas semelhantes de micro-oxigenação como as barrricas novas de carvalho francês. O resultado é um vinho desconcertante. De cor ambar, fruto da "curtimenta", apresenta um aroma profundo mas subtil, com notas de pedra molhada, alguma fruta cristalizada, mas tudo num registo de contenção e muita complexidade. A boca é de taninos finos, com estrutura, fresca e muita texturada. Termina austero qb, com muita tensão e um final longo e ceroso. Um vinho com delicadeza, apesar da curtimenta e do estágio em talha. Acompanhou em dois momentos um cozido à portuguesa e um anho assado na brasa, de forma brilhante. Sempre a uma temperatura a rondar os 14 grausa para tirar o máxiumo partifdo da sua estrutura e complexidade. Um digno representante de um topo de gama - branco, do... Alentejo, para apreciar vagarosamente! PVP: 35€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 29 de março de 2019

Fora do Baralho: Quinta Olival da Murta (Serra Oca)

A Quinta do Olival da Murta é um projecto de natureza familiar, que vai na sua quarta geração. Situada na Estremadura, a 80 Km da cidade de Lisboa, possui terrenos de grande influencia Altlântica e um micro clima da vertente norte da Serra de Montejunto, caracterizado pela grande amplitude térmica. Pertence à Sub região de Óbidos, uma das nove denominações de origem da “Região de Vinhos Lisboa”, que se caracteriza por vinhos tintos aromáticos, ricos em tanino e com grande capacidade de envelhecer em garrafa, e uma grande diversidade de brancos frescos e equilibrados. O projecto contempla um tinto e dois brancos, ambos muito originais, quer nas castas utilizadas, quer no método de produção, com recurso a alguma "curtimenta".
O Serra Oca Tinto (13€) é um vinho composto por Aragonez, Touriga Nacional e Castelão, com fermentação em lagar e passagem por madeira, por 18 meses. Há duas edições no mercado, atualmente, 2014 e 2015, sendo que preferi esta última, onde achei a madeira um pouco menos presente (embora não se sinta em demasia no 2014). São ambos tintos suaves, frescos e fáceis de beber, bem ao estilo da região de Lisboa. As grandes joias da coroa, na minha opinião, são os brancos, ambos de curtimenta e por isso, originais. O Serra Oca Branco 2017 (12,5€) é composto por Arinto (50%), Fernão Pires(45%) e Moscatel Graúdo (5%), fermentadas em separado em lagar com leveduras espontâneas. O Arinto e Fernão Pires com maceração pelicular e fermentação em barrica. Moscatel com curtimenta completa (estilo orange wine). Parte do lote estagia em barricas usadas de carvalho francês e restante parte do lote com estágio em inox. O resultado é um vinho mineral, com notas de laranja cristalizada e algum fruto seco. A boca é austera, com uma secura impressionante e uma acidez que marca este estilo de vinhos "orange", terminando intenso. Um vinho realmente original e "duro". Mais original ainda e o meu preferido de todos, o Serra Oca Moscatel Graúdo 2017 (12,5€), um branco de curtimenta completa, de uma casta também pouco usual. O aroma é muito complexo, com notas florais, fruta exuberante e toques melados. Tudo muito fresco. No entanto, a boca é algo mais contida de intensidade - elegante, mas a acidez lancinante que apresenta, fá-lo brilhar. Quase que parece um vinho que ameaça ser "bonito"  e exuberante pelo nariz, mas que na boca "arrasa" pela sua acidez. Apenas 12,5º de alcool e 600 garrafas produzidas, num ensaio que tem tudo para continuar. Mesmo "sui-generis".

Serra Oca (onde se diz que se ouve o mar)

Sérgio Lopes

terça-feira, 26 de março de 2019

Novidade: Ládano

Mais um projeto novo, de um jovem, Daniel Carvalho Costa, que após ter trabalhado 12 anos no mundo do vinho, com diversas experiências, sentiu que tinha chegado o momento de seguir o seu próprio projeto. Nasce assim o projecto Ládano, em 2018, que para já contempla apenas dois vinhos, um tinto e um branco, provenientes de vinhas quase centenárias, situadas no Douro Superior, mais propriamente em Freixo de Espada à Cinta. O mote do projeto é o de expressar o terroir do Douro Superior e da vinha velha, resultando em vinhos distintos, com pouca intervenção e com fermentação espontânea. Daniel, sendo a 4ª geração de uma familia de produtores Durienses (Quinta de Santa Eufémia), o vinho naturalmente corre-lhe no sangue. Neste momento partilha a adega com o amigo Pedro Coelho (Pormenor Vinhos), mas a ideia é crescer de forma sustentada. A título de curiosidade, Ládano é a resina que provém da planta esteva, planta tão característica nos descritores sensoriais dos nectares durienses. Destaque também para a rotulagem, bonita e sóbria, com apontamentos de azulejos, a fazer lembrar... Portugal.

O Ládano Branco 2016 é produzido das castas Rabigato e Arinto, de uvas plantadas entre 400-600 metros de altitude, de uma vinha com 50 anos. Trata-se de um vinho muito fresco, cremoso, elegante e mineral, onde a barrica velha utilizada por 12 meses está perfeitamente integrada, conferindo apenas mais volume e untuosidade. Não sendo um potento de acidez, como até se poderia esperar pelas castas utilizadas, é um vinho muito contido e seco, com uma frescura e cremosidade não muito habituiais para o Douro Superior. Vai crescer em garrafa. 12,5º de alcool e apenas 1000 garrafas produzidas. PVP 14,5€. O Ládano Tinto 2016 provém de uma vinha com cerca de 70 anos, de videiras com mais de 15 variedades de castas. Estamos na presença de um vinho com uma fruta preta e vermelha silvestre muito bonita e fresca. A boca apresenta taninos macios e algo aveludados, mostrando-se um conjunto sumarento, equilibrado e amigo da mesa. Termina com bom comprimento e sem excessos. Também gostei, sobretudo porque sendo de um terroir tipicamente com ampltudes termicas muito elevadas, mostra-se fresco e com fruta apetecivel, sem sobrematurações. 4600 garrafas produzidas. PVP: 14,5€. Um projecto a acompanhar.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 18 de março de 2019

Radar do Vinho: Quinta do Arrobe

A região do Tejo anteriormente designada por Ribatejo, assiste hoje a uma mudança, com um número crescente de projetos de qualidade com vinhos muito apelativos, mas com o seu grau de complexidade. Vinhos feitos para beber com prazer. É o caso da Quinta do Arrobe localizada em Casével, Santarém, bem no coração do Ribatejo. Um projecto que iniciou de forma profissionalizada há 11 anos, recuperando a tradição familiar que remonta a 1882, onde já se se produzia vinho. .A Quinta do Arrobe contempla as marcas Sensato (gama de entrada) Mensagem e Oculto (gama média) funcionando também como homenagem a Fernando Pessoa, com a célebre frase ‘Boa é a vida, mas melhor é o vinho’ e finalmente Quinto Elemento, normalmente vinhos que pretendem ser diferenciadores e expressar a monocasta nos solos argilo-calcários da Quinta (Syrah, Cabernet Sauvignon, Arinto e o mais recente blanc de Noir de Trincadeira-Preta). Provamos alguns dos vinhos que passamos a descrever:

O Mensagem Branco (6€) é composto por Fernão Pires,  Arinto e Sauvignon Blanc, num conjunto franco e direto, frutado e de fácil agrado. O Oculto (6€) é um tinto composto por Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional, com um perfil internacional, onde predomina a fruta preta, alguma especiaria e uma boca média, com taninos redondos, amparados por uma boa frescura. Bem conseguido e uma óptima escolha por 6€. O Mensagem Reserva Tinto (15€) é feito de Cabernet Sauvignon e Merlot. Trata-se de um vinho bem estruturado, com um binómio frura madura - pimento muito interesante. Fresco, com taninos firmes, mas domados. Complexo, longo e de perifl internacional, mais uma vez , mas sem exageros de sobrematuração. Gostei bastante.
Da gama Quinto Elemento provamos o Reserva Arinto Chão de Calcário (14€), que como o próprio nome indica, pretende ser a expressão da casta Arinto no terroir da Quinta do Arrobe. Trata-se de um vinho con notas citrinas e florais, tudo num registo contido e bonito. A boca é elegante e com alguma untuosidade, terminando em harmonia, Um conjunto muitíssimo equilibrado, num branco muito apelativo e fácil de beber. Para mim, só precisava de um pouquinho mais de acidez para ter o fator "wow". Mas está bastante bem! No lado oposto, o Quinto Elemento blanc des noirs (16€) é um branco feito da uva tinta Trincadeira Preta. Aqui, apesar do lado aromático contido, temos uma boca mais cheia, mineral e estruturada, num registo de grande pendor gastronómico. Uma belíssima curiosidade. A precisar de tempo.

Dos tintos desta gama, terminamos em beleza a prova com o Quinto Elemento Syrah (15€), um tinto bem guloso, cheio de fruta preta madura e um lado vegetal que lhe confere frescura. A boca é ampla, com taninos redondos e final saboroso e persistente. Excelente companheiro à mesa; Finalmente, o Quinto Elemento Cabernet Sauvignon (18€), o meu preferido, com um aroma bem complexo e profundo. As notas de pimento verde são evidentes, mas sem incomodar, antes pelo contrário aportam uma sensação imediata de frescura no nariz. Encorpado, com a fruta silvestre e especiarias em bom plano,  tem uma boca estruturada,  mas elegante, terminando longo e muito prazeroso. Um belíssimo vinho, finalizando assim a nossa prova em beleza!

Sérgio Lopes

terça-feira, 12 de março de 2019

Da Minha Cave: Vinha Formal Branco 2009

Luís Pato, o Sr. Baga, dispensa apresentações. É um verdadeiro embaixador da casta Baga na Bairrada e sobretudo da região, região essa que é capaz de produzir brancos de enorme nível, com capacidade notável de evolução e envelhecimento positivo, que tipos tido o privilégio de provar (felizmente), talvez cujo maior exemplo sejam os vinhos brancos das Caves São João (Quinta do Poço do Lobo; Frei João), que por serem provenientes da década de 90 do ano passado, surpreendem grandemente por chegarem a 2019 ainda cheios de energia e vivacidade.

Por isso, é apenas natural que este Vinha Formal do ano de 2009, se apresente de uma forma soberba, no copo, 10 anos depois. Eu diria mais, foi seguramente um dos melhores brancos que bebi até à data. Feito da uva bical e com fermentação e posterior estágio de 9 meses em barrica, chega até nós incivelmente fresco. O aroma é inebrainte e desafiador, com notas quimicas e petroladas muito interessantes (quase a lembrar um muito bom riesling), entre tantos outros descritores aromáticos que nos remetem para uma sensação dominante de frescura. A boca tem uma tensão impressionante e um volume que torna o vinho mastigável e untuoso. Cheio na boca e pleno de acidez, termina muito longo e vibrante. Simplesmente desconcertante. PVP: 17€. Garrafeiras (Colheitas de 2014 em diante).

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de março de 2019

Fora do Baralho: D. Graça Samarrinho Branco 2016

Dona Graça é uma marca de vinhos do produtor Vinilourenço, projecto situado do Douro Superior, mais propriamente na Meda. Com enologia do professor Virgilio Loureiro o projecto tem um portfolio vasto de referências, apostando em também apresentar o que cada casta pode aportar em termos de identidade aos vinhos produzidos. É assim no D. Graça Viosinho ou no D. Graça Rabigato, por exemplo, brancos que são escolha frequente cá em casa e que demonstram bem o terroir da Meda - com muita frescura e mineralidade. 

O D. Graça Samarrinho Branco 2016 é um branco que pretende homenagear uma uva branca do antigamente e que embora pouco conhecida e trabalhada hoje em dia produziu aqui um vinho que de facto é diferenciador. Um vinho de aroma contido mas muito mineral e com algum perfume suave. Boca cheia de acidez, sensação de lousa molhada, muito texturado e crocante. Termina muito fresco, cítrico, longo e de enorme aptidão gastronómica. Um branco de altitude, seco e com muito "nervo". mesmo ao nosso gosto. Apenas 900 garrafas produzidas! PVP: 19€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Em Prova: Lés-A-Lés Sério de Siria 2016


O projecto “Lés-a-lés” nasce da vontade dos enólogos Rui Lopes e Jorge Rosa Santos em recuperar castas antigas e estilos de vinhos quase extintos em Portugal. O resultado é uma coleção de vinhos exclusivos de edição limitada.

“Lés-a-lés” é uma expressão portuguesa que significa “de uma extremidade à outra”, já que esta marca representa mais de 10 anos de viagens a percorrer Portugal, em busca de regiões apaixonantes e castas esquecidas. Cada vinho é por isso uma viagem, cada rótulo um bilhete para a descoberta dum património esquecido.

O Lés-a-Lés Sério de Siria é feito 100% da casta Siria, de vinhas a 650m de altitude, da Beira Interior. 

As barricas utilizadas são neutras e velhas o que não marcam nada o vinho. O resultado é um vinho  muito fresco, mineral, elegante, untuoso qb e cheio de personalidade. Gostei muito, de novo como é apanágio neste projeto, do equilibrio e prazer que dá a beber. A par do Quinta do Cardo Reserva Siria, talvez dos melhores da região. Ainda gosteium pouco mais deste pela elegância e pureza. PVP: 14,90€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Em prova: Lés-a-Lés Arinto de Pedra e Cal 2016

O projecto “Lés-a-lés” nasce da vontade dos enólogos Rui Lopes e Jorge Rosa Santos em recuperar castas antigas e estilos de vinhos quase extintos em Portugal. O resultado é uma coleção de vinhos exclusivos de edição limitada.

“Lés-a-lés” é uma expressão portuguesa que significa “de uma extremidade à outra”, já que esta marca representa mais de 10 anos de viagens a percorrer Portugal, em busca de regiões apaixonantes e castas esquecidas. Cada vinho é por isso uma viagem, cada rótulo um bilhete para a descoberta dum património esquecido.

O Lés-a-Lés Arinto de Pedra e Cal é feito 100% de Arinto, de Bucelas, de uma vinha com mais de 80 anos. 

Bucelas, às portas de Lisboa, é o "terroir" de eleição da uva Arinto. Quase que se pode afirmar que não é possivel fazer maus brancos de Arinto nesta sub-região, da mesma forma, que em Monção-Melgaço, não há como fazer um mau branco de Alvarinho. Só mesmo, quem estragar...

Agora fazer um vinho que se destaque, isso já é outra coisa. E é o que acontece neste vinho cujo nome remete também para os solos calcários de região. A vinha velha e o ano de estágio em barrica, seguido de mais um ano em garrafa, resulta num vinho de aroma contido, com as notas citrinas tipicas do Arinto, muito bonitas e puras, em primeiro plano e algumas notas minerais à mistura. A boca é equilibrada, com a madeira perfeitamente integrada, aportando um volume de boca perfeito, e muito elegante. Termina longo e com a acidez tipica da casta em solo calcário, a conferir uma enorme frescura e muito gozo a beber. Vai crescer em gararfa. Um belíssimo exemplar do que a sub-região de Bucelas é capaz de apresentar utilizando a casta rainha Arinto. Muito bem. PVP: 14,90€. Disponibilidade: Garrafeiras.


Sérgio Lopes

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Em Prova: Identidade OM Grande Reserva Branco 2017


Os vinhos "Identidade" são vinhos de boutique criados pelo Sommelier Pedro Martin, inspirados no carácter dos seus dois filhos. O Identidade OM Grande Reserva Branco 2017 é em homenagem ao seu filho Oliver Martin e reflecte a sua personalidade -  "sorriso fácil e longevidade". É uma edição muito limtada de apenas 1000 garrafas de um lote de 85% Arinto e o restante Chardonnay, de solos argilo-calcários, feito na Quinta do Poço do Lobo, na Bairrada. 

Trata-se de um vinho de aroma contido, com nuances citrinas, mas com uma boca vibrante, onde as notas calcárias e de maresia são evidentes. A boca tem volume, é fresca, crocante e com um final longo. E com apenas 11º de alcool e pendor gastronómico. Um vinho desenhado para se gostar de beber. Um vinho de sommelier? Pois, adorei. E logo na sua primeira edição, com selo de Grande reserva. Muito bem.  PVP: 15€. Disponibilidade: Martin Boutique Wine

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Em Prova: Quinta do Todão

A Quinta do Todão situa-se em frente à localidade de Gouvinhas, na sub-região do Cima Corgo. Trata-se de uma quinta histórica, com referências seculares no vinho do Porto. A sua área de vinha estende-se por 50 hectares, tendo sido uma grande parte reconvertida sob a orientação da equipa de viticultura da Quinta do Crasto. Durante muitos anos as uvas eram vendidas às casas clássicas do Vinho do Porto, mas mais recentemente decidiram produzir o seu próprio vinho, o que tem acontecido com alguma frequência nos últimos anos, no Douro, onde produtores de dimensão mais pequena, investem no seu próprio projeto. No ano passado provei pela primeira vez o Quinta do Todão Reserva Tinto 2012, produzido desde 2006, embora em quantidades muito reduzidas (único vinho até então). Este ano, o meu amigo Filipe Leonardo quis-me apresentar para além da nova colheita do reserva tinto, também os recentes Todão branco, rosé e tinto que vêm alargar o portfolio da casa.

O Todão Branco 2017, produzido das castas Viosinho, Rabigato e Códega de Larinho, mostra-se um vinho equilibrado, com notas citrinas, algum pendor mineral, fresco, com boa acidez, redondo e bom companheiro à mesa. O Todão Rosé 2017 é feito de Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca. O resultado é um Rosé Duriense com uma bonita cor e de aspeto cristalino. Mostra-se elegante, introvertido de aroma (bouquet de rosas), fresco e seco, de pendor gastronómico. Com corpo médio e final refrescante e seco. O Todão Tinto 2015 produzido de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca é um vinho com uma fruta fresca bonita que nos remonta imediatamente para o Douro. Os taninos são macios, com uma boca média e muito equilibrada, a fazer lembrar aqueles vinhos a meio caminho entre o terroir rustico do Douro, mas com um polimento muito interessante. Foi um sucesso à mesa. 



Todos os vinho da gama Todão são produzidos com uvas de terceiros, criteriosamente seleccionadas pelo enólogo Jean-Hughes Gross (Odisseia, Quinta da Casa Amarela)a um PVP recomendado de 6,99€. Para o ano está na calha, esta gama ser também produzida com uvas próprias, à excepção do branco, por limitação de altitude.

Finalmente, a nova edição do Quinta do Todão Melhores Vinhas Reserva 2013. Este vinho é feito na Quinta do Crasto, com enologia a cargo de Manuel Lobo. Feito com as melhores vinhas de castas durienses (60% Touriga Nacional+ 30% Touriga Franca+ 10% vinhas velhas - castas misturadas), apresenta o perfil típico dos vinhos com o dedo de Manuel Lobo, do vizinho Crasto: Aroma perfumado com fruta de qualidade, barrica bem integrada, vertente de elegância em vez da concentração, muita frescura, e uma boca sedosa, algum grafite e final longo de pendor gastronómico. Um belíssimo exemplar a precisar ainda de tempo. PVP: 12,99€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Em prova: Sem Igual 2017


Chegada ao mercado da novíssima colheita do vinho Sem Igual a de 2017, do meu amigo João Camizão. Numa altura em que as principais casas da região dos vinhos verdes estão a comercializar a colheita de 2018, João lançou o 2017 há poucos meses. É natural, pois normalmente os seus vinhos são totalmente diferenciadores, feitos para guarda e crescerem em garrafa, precisando de 3 a 4 anos para se mostrarem na sua plenitude. 

O "mix" de Arinto a contribuir com o corpo e estrutura, e o Azal com a elegância são a base deste vinho. Por agora, como habitual o vinho está a precisar de assentar, mostra-se um pouco fechado, muito mineral, com apontamentos citrinos e alguma fruta branca, mas muito tenso e cheio de poder contido. A boca é até um pouco austera, super fresca e com uma belíssima acidez refrescante. Dá já uma boa prova, mas precisa de tempo. Eu gosto por vezes de vinhos nesta fase, cheios do tal poder contido, mas esperando o tempo que é necessário, como por exemplo a colheita de 2016 que João ainda comercializa e está espetacular nesta fase, vale bem a pena! Prevê-se uma colheita de 2017, de novo sem igual! PVP: 13€. Disponibilidade: Garrafeiras

Sérgio Lopes

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Em Prova: Deslumbre 2017


O projeto do vinho "DESLUMBRE" nasceu à 7 anos numa "brincadeira" no sentido da criação de um vinho para consumo próprio, mas cedo Jorge Pinto se apaixonou pelo mesmo e decidiu criar e lançar o vinho Deslumbre, apenas 2 anos depois,  em 2014, com o objetivo de o comecializar. 

Proveniente da freguesia de Figueiras, concelho de Lousada, o Deslumbre 2017 é composto por: 40% Alvarinho, 40% Loureiro, 10% de Arinto e 10% Trajadura. Vinho com enologia António Sousa apresenta-se com um aroma com apontamentos citrinos e florais, muito fresco e apetecivel. Na boca apresenta um pouquinho de gás, típico do perfil de muitos vinhos da região e um ligeiro açúcar residual que não se sente em demasia, fruto talvez das castas Alvarinho e Arinto que tornam o vinho muito equilibrado e refrescante. Confesso que gostei do vinho e que dada a sua leveza, é vinho para desaparecer copo a copo, sobretudo quando o calor aperta. Um perfil típico da região, como a conhecemos. Sem exageros de doçura, no entanto, o que se aplaude.  PVP:4,5€. Disponibilidade: FB.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Em Prova: Quinta de Sanjoanne Terroir Mineral 2016

Só faltava este vinho (quer dizer ainda há o belíssimo Sanjoanne Superior), mas das minhas compras recentes, faltava falar do Terroir Mineral 2016, um dos vinhos do João Pedro Araújo que consumo com regularidade. 

Produzido das castas Avesso e Loureiro, em Amarante, trata-se de um vinho que faz jus à designação de "mineral" - com alguma austeridade e um traço acentuado a "pedra molhada" (bem sei que o descritivo "mineral" não é consensual - mas é mesmo o que parece!). 

Sente-se também alguma fruta branca e um travo limonado com alguma intensidade que lhe confere uma grande frescura. 

O conjunto é bem afinado e até com alguma delicadeza, com apenas 12,5º de alccol e que dá muito prazer a beber já. 

Mas esperemos mais um par de anos e então, esta referência ganha outra dimensão.  
Uma boa porta de entrada para os restantes vinhos que João Pedro Araújo produz na sua Quinta de SanJoanne. 

Um vinho que está sempre na porta do meu frigorífico. 

PVP: 7€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sábado, 26 de janeiro de 2019

Em prova: Quinta de Sanjoanne Alvarinho 2016


A Quinta de Sanjoanne de João Pedro Araújo desde cedo apostou na produção de vinhos diferenciadors na região dos "verdes". Até pela escolha das castas, onde por exemplo, Alvarinho (o berço de origem é Monção e Melgaço como sabemos) ou Malvasia Fina, por exemplo. São vinhos que aguentam a passagem do tempo como poucos na região, não me canso de repetir.

Este Quinta de Sanjoanne Alvarinho de 2016 está, como habitual, super novo, mas já a dar grande prazer. A componente citrina da casta está bem evidente, num conjunto cremoso, delicado, sedoso e cheio de frescura com um toque de mineralidade. A plasticidade da casta Alvarinho a mostrar-se no terroir particular de Amarante de uma forma original e muito prazerosa. PVP:10,90€ . Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Da Minha Cave: Deu-la-Deu Colheita 2015


A Adega de Monção é uma produtora de vinhos de referência na região dos vinhos verdes, em particular da sub-região de Monção e Melgaço, quer pela relação preço/qualidade, quer pela quantidade que consegue atingir anualmente. Marcas como Muralhas de Monção ou Deu-la-Deu são já "clássicos" em qualquer grande superfície e escolhas seguras para o dia-a-dia. E as colheitas do ano "desaparecem" rápido (deve estar a sair a 2018), pois são vinhos de alta rotação nas grandes superficies.

Por sorte "esqueci-me" de uma Deu-la-Deu do ano de 2015 na minha garrafeira e pude apreciá-la agora. Ainda extremamente jovem, surpreendeu pela sua pureza de citrino (um dos marcadores da casta), a sua frescura e acidez crocante, para além de corpo médio e um final bem refrescante. Um digno exemplar de Alvarinho. Vindo de uma Adega Cooperativa, cada vez mais com o selo de qualidade. Muito bem.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Em Prova: Marquês de Marialva Reserva Branco 2016

Idealizado por Osvaldo Amado, na Adega de Cantanhede, voltei a este Marquês de Marialva Arinto Reserva 2016 que tinha provado a meio do ano de 2018. 

Fácil de encontrar, por exemplo no hipermercado Jumbo, trata-se de um vinho branco da Bairrada, que mantém a chancela de qualidade ano após ano. Feito 100% de arinto, passa por madeira (25% do lote), que se sente, mas não aborrece. Ele está lá mas arredonda o vinho, combinando o lado citrino da casta com uma untuosidade muito interessante em boca. 

Mostra-se portanto um conjunto fresco, com toques minerais, os citrinos do Arinto e alguma fruta exótica. É fresco, com volume e final prazeroso - equilibrado. 

Um vinho muito bem conseguido, perfeito para a mesa, a um preço interessante. Muito versátil, acompanhou uma massa com carne.

É um vinho que normalmente precisa de algum tempo para se mostrar e só vai melhorando com a passagem do mesmo. Com 4 a 5 anos de garrafa estará provavelmente no melhor momento de consumo, mas já está muito equilibrado. Para se ir consumindo, portanto, com prazer.

PVP: 6,90€. Garrafeiras / Jumbo.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Fora do Baralho:Terroir Al Limit Priorat Blanc Historic 2015

Terroir Al Limit Priorat Blanc Historic (2015) é um vinho branco raro da região de Priorat feito de garnacha blanca (75%) e macabeo (25%). Raro, não porque a uva seja rara, mas porque se trata de uma região emagadoramente produtora de vinhos tintos. 

O Priorat é uma região localizada na Catalunha de onde os vinhos mais conhecidos e famosos - tintos, são produzidos da variedade Grenache. A região tem muito sol, pouca chuva, os solo são ricos em ardósia e quartzo e as vinhas são geralmente velhas, o que lhe confere a tipicidade de "terroir"

Este vinho, o "Terroir Historic", é surpeendente, desde logo a começar pela cor amarelada dourada, a induzir algum carácter oxidativo. A vinificação é simples e tradicional com o uso de leveduras nativas, utilização mínima de SO2 e fermentação e estágio de seis meses em depósito de cimento, o que talvez explique em parte a cor? De qualquer forma é um vinho que faz lembra um light orange wine, ou seja, terá tido curtimenta muito ligeira? 

Como podem imaginar, pela descrição acima, o vinho mexeu com os meus sentidos e foi abrindo de copo para copo. No nariz focado na fruta - lado citrino, casca de laranja, leve favo de mel, muito fresco. A boca, muito fresca e com alguma austeridade, quase que um ligeiro "tanino", muita mineralidade - pedra e a fruta de novo - citrina. Com uma acidez crocante,  de corpo médio e um final de muito prazer, em constante mutação.

Uma verdadeira surpresa proporcionada mais uma vez, pelo meu amigo André Antunes. PVP: 15€. Disponibilidade: Online. 

Sérgio Lopes

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Em Prova: Permitido Branco 2017


Edição 2017 deste vinho feito na Meda (Douro Superior) pelo  Márcio Lopes, enólogo / produtor que dispensa apresentações, nomeadamente pela consistência e qualidade que tem apresentado nos seus projetos ao longo dos últimos anos, com destaque para os Pequenos Rebentos. 

Mas não devemos secundarizar este vinho branco de vinhas de Rabigato a mais de 700 metros de altitude. A primeira vez que provei este branco foi em 2015 e ainda hoje estou a beber algumas dessas garrafas que tem melhorado e muito em garrafa. Já tenho é muito pouco...

No ano passado, achei a edição 2016 deste vinho com um pouco menos de acidez e por isso comprei menos garrafas. Erro! Este vinho passa 8 meses sobre borras e é engarrafado lá para o final do verão. Precisa de tempo de garrafa! 

O mesmo se passa com o 2017 que provado há poucos dias está a chegar a um nivel muito mais condizente com o perfil de forte mineralidade e frescura, que se sente logo no primeiro ataque e a ganhar mais complexidade, corpo e final de boca. 

Vai crescer seguramente em garrafa, pelo que me parece que terei de reforçar o stock muito em breve. PVP: 13€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes