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terça-feira, 19 de julho de 2016

Arena de Baco: O magnifico universo de Anselmo Mendes!

Não é todos os dias que se tem a oportunidade de provar a gama completa dos vinhos do universo de Anselmo Mendes. Eu diria mesmo que é algo muito raro. Pois o grupo Cegos Por Provas conseguiu esta proeza e tivemos a possibilidade de usufruir de um momento inesquecível. Lá nos deslocamos a Melgaço, mais propriamente a Penso onde o enólogo Constantino Ramos, que trabalha com Anselmo Mendes desde 2012, tinha preparado para nós uma monumental prova com 24 vinhos, incluindo algumas mini-verticais...!

Foram provados os seguintes vinhos:


- Espumante 2009 de Alvarelhão - Uma curiosidade. Fez a 2ª fermentação em cuba e por isso resultou um pouco doce. Mas a acidez até que compensa bem. 
- Muros Antigos Escolha 2015 - O entrada de gama da casa. Feito de 40% Loureiro, 40% Avesso e 20% Alvarinho. Muito equilibrado e aromático. A resultar num vinho muito consensual e perfeito para o Verão.
- Muros Antigos Escolha Loureiro 2015 vs. 2011 - Feito apenas de Loureiro. O 2015 muito aromático como é apraz da casta. O 2011 já com uma evolução com notas petroladas, meladas e de frutos secos. Com uma estrutura superior. A demonstrar claramente que o Loureiro evolui muito bem, aliás como Anselmo Mendes defende.
- Muros Antigos Escolha Avesso 2015 - O mais gastronómico dos Muros Antigos. Notas de flores brancas, num vinho com bom corpo e com o "avesso" civilizado. Excelente acidez.
- Muros Antigos Escolha Alvarinho 2015 vs. 2011 - Cítrino como deve ser e elegante o 2015. Fiel à casta nesse registo mais leve. O 2011, fora do baralho, com uma evolução boa, estrutura e acidez. Não diria que seria um Alvarinho em prova cega...
Muros Antigos Escolha Alvarinho 2009 vs. 2007 - Os dois primeiros grandes vinhos provados.  O 2007 fantástico, com uma acidez crocante e uma boca impressionante. O meu favorito. O 2009 num registo de maior complexidade e elegância. Não gerou consensos pois ambos foram considerados grandes vinhos. E eu estou de acordo.


- Contacto Alvarinho 2015 -  Floral, citrino, mas também algo tropical, com mineralidade. Um vinho que é um verdadeiro blockbuster de Anselmo Mendes, provavelmente um dos responsáveis pela consolidação da marca. E está disponível em "todo o lado" o que é óptimo.
- Muros de Melgaço - Alvarinho com contacto em madeira por 6 meses. E com aquela garrafa estranha, de cor negra. Fizemos algumas mini-verticais:
2015 vs. 2011 - 2015 com grande facilidade de prova, mas também um elevado potencial. Provavelmente o melhor alvarinho de 2015 provado por mim até à data. 2011 achei o um pouco fechado. Eu guardava mais uns anos, pois tem muito para dar.
2008 - merece um lugar de destaque. Simplesmente fabuloso em todas as suas componentes. Provavelmente o vinho da prova!
2002 vs. 1999 - Ambos evoluidos mas muito muito bons. O 2002 apresentando já alguns sinais de cansaço, contrariamente ao 1999 com uma vida e frescura desconcertantes. Muito bem!
Desta mini vertical, seleccionaria sem dúvida os 99, 08 e 15!
- Expressões 2014 - Eu gostei muito. Um Alvarinho a pretender mostrar como se faziam os Alvarinhos de outrora. A expressão do terroir de Monção e Melgaço, claro que com Alvarinho. Anselmo Mendes considera este vinho a conjugação da mineralidade e elegância do Parcela ùnica com o corpo e volume do curtimenta. Que grande, grande vinho!
- Curtimenta 2014 - Menos "direto" que o Expressões. Aqui Anselmo procura mais volume, corpo e untosidade, sem perder de vista a tipicidade da casta. Outro grande vinho, diferente do anterior, mas diria que no mesmo patamar de qualidade.
- Parcela ùnica 2014 - Como o próprio nome indica proveniente de uma única parcela de vinha onde Anselmo considera que o Alvarinho se exprime de forma mais pura e original. O resultado é um vinho com forte mineralidade, frescura crocante onde a apologia da elegância e delicadeza é o pretendido. Fabuloso!

Provamos ainda os seguintes vinhos:
- Tempo 2015 - Um branco produzido como se um vinho tinto se tratasse, sem grande intervenção exterior.
- 100% Vinhão - Verde tinto produzido com a casta rude vinhão, aqui bastante civilizada.
- Pardusco - Uma espécie de palhete (mistura de uvas tintas e brancas) bastante interessante e direto.
- Private - terminamos com este vinho que mistura o pardusco com alvarinho, com um toque de barrica. Sui generis.

Foi uma prova memorável a provar que Anselmo Mendes é um dos grandes embaixadores dos vinhos verdes e em particular das castas Loureiro e Alvarinho, sendo que da prova se conclui a excelente evolução e longevidade que ambas as castas possuem. Um obrigado muito especial ao Constantino Ramos pela condução da prova. 1 abraço.

Fotos cortesia de Daniel Campos do grupo Cegos Por Provas

Sérgio Lopes

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Arena de Baco: Luís Pato a grande nível


A rubrica Arena de Baco pretende colocar frente a frente vários vinhos e só um sairá vencedor... embora isso pouco interesse tenha. O importante é falarmos mesmo de todos os vinhos, à sua maneira, pois no confronto,  com maior ou menor Knock Out, estiveram todos MUITO bem. Os sólidos que acompanharam o festim foram: 

Entrada bola de bacon; Queijinhos Franceses. Um Frango na Púcura (não houve Pato). Sobremesa Torta de Chila.

BATALHA

  • Vinha Formal Branco Cerceal 2014  - Diz-se que apenas foram produzidas 600 garrafas deste vinho... Mais uma das experiências do Engº Químico Luis Pato com a casta Cerceal. E que bela maneira de iniciar o jantar com um vinho com uma frescura brutal e que se avizinha uma enorme longevidade. Começamos em grande.
  • Vinha Formal Branco 2003 - Que branco tão bem envelhecido... de facto com uma frescura tal que está "jovem". O grande branco da noite que dá enorme prazer a beber. 100% Bical de vinhas plantadas em solo argilo-calcário . Passa 9 meses por madeira nova. Um grande branco.
  • Vinhas Velhas Branco 2000 - Depois do Formal 2003, não seria fácil passar a outro branco... E de facto este vinhas velhas 2000 pareceu-nos mais evoluido, sem ser chato, mas talvez já tenha passado o seu melhor momento. Contudo, num nivel muito bom, comparativamente com os demais brancos provados com a mesma idade. Mas é Luis Pato e nós exigimos sempre um pouco mais, né?
  • Vinhas Velhas Tinto 1994. Entramos nos tintos e confesso que o 1994 Vinhas Velhas teve reacções contrárias. È um facto que foi o único tinto que se afastou da linha condutora dos restantes. Talvez já não tenha a força e potência de outrora, mas também não lhe demos muito tempo, pois vinham aí mais "Patos" a caminho...
  • Quinta do Ribeirinho 1ª Escolha Tinto 1996 - Baga e Touriga Nacional. Um vinho que dá muito prazer a beber e ainda em grande forma. Foi bem armazenado e devemos bebê-lo já. Uma prova de que o mix entre Baga e Touriga funciona bem. O produtor diz que em média dura 10 anos. Este já vai nos 20...!
  • Quinta do Moinho 1998 - Vinho produzido exclusivamente da casta Baga com monda em verde no início de Agosto. Estagiou em cascos de carvalho Allier durante 12 meses. Mais um vinho em grande forma a dar grande prazer na prova.
  • Vinha Barrio Tinto 2000 e 2001 - De uma vinha arrancada em 2004, em virtude de não estar alinhada, por ser uma vinha com mais de 80 anos. Tanto o 2000 como o 2001 em grande grande forma. Gostei muito das notas especiadas e até quimicas, com a fruta ainda bem presente num conjunto deliciosamente fresco. 2001 melhor que o 2000, mas ambos fantásticos!
  • Vinha Barrosa Tinto 2001 - O vinho da noite. Uma combinação de todas as partes em harmonia. Fruta, especiaria, volume de boca, elegância, frecura, um vinho de nivel mundial. Provavelmente um dos melhores Barrosa de sempre. EU, se tivesse mais garrafas não esperaria mais para as beber, com enooooooorme prazer!
  • Luis Pato Espumante Bruto 1995 - Terminamos com um espumante de 95 que o próprio Luis Pato nos fez chegar. Com uma evolução já muito grande. Mais vinho que espumante, quase sem bolha. Não deslumbrou.
Resumindo, será muito dificíl repetir tal line-up, com vinhos de anos tão distintos  (e antigos) de um só produtor. Praticamente estivemos na década de 90... O nível dos vinhos foi de uma qualidade muito muito alta, o que vem comprovar que Luis Pato é um dos grandes embaixadores de Portugal, da Bairrada e da casta Baga!

May the Wine be with you...!

Sérgio Lopes

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Arena de Baco: Alentejo e Bairrada com um toque de Colares


A rubrica Arena de Baco pretende colocar frente a frente vários vinhos e só um sairá vencedor... embora isso pouco interesse tenha. O importante é falarmos mesmo de todos os vinhos, à sua maneira, pois no confronto,  com maior ou menor Knock Out, estiveram todos bem. Os sólidos que acompanharam o festim foram: Entrada bola de cogumelos e bacon; Uma magnífica língua de vaca estufada com puré de batata; Sobremesa Tarte de Chocolate.

BATALHA

  • Encostas de Enxoé 2008 e 2004  - Quem disse que o Alentejo não tem a longevidade de outras regiões? Estes 2 brancos portaram-se lindamente e desmentem essa afirmação, ambos evoluidos é certo (com 8 anos e ... 12 anos respectivamente), mas no bom sentido, com o 2004 curiosamente a se mostrar com uma frescura notável, em grande grande forma. E esta hein?!.(Branco - Alentejo)
  • Adega de Borba Reserva 1977 - Bem, aqui já é "esticar a corda" um pouquito com este tinto com quase 40 anos... Confesso que não achei que estivesse nas melhores condições, embora as opiniões não fossem unânimes. Tenho ainda uma outra garrafa do mesmo ano para "tirar a teima". (Tinto - Alentejo)
  • Colares Reserva 1992 - Colares é uma região pequena mas muito particular, pela curiosidade das castas plantadas e longevidade dos vinhos produzidos. Este exemplar é oriundo da Adega Viúva Gomes e foi de facto uma enorme curiosidade. Estranha-se e depois entranha-se. Uma prova de pujança da região, num vinho com quase 25 anos.. (Tinto - Colares)
  • Casa de Saima Reserva e Garrafeira 1995. Entramos aqui no campeonato dos grandes vinhos. Dois potentos da Bairrada, do mesmo ano 1995, um reserva e outro Garrafeira. Vinhos que mostram o que é a região; terão sido jovens imberbes e dificeis, estando agora deliciosamente amaciados pelo tempo dando enorme prazer a beber. Grandiosos e a mostrar que a Casa de Saima merece ter o seu lugar ao lado de outros produtores de renome da região. (Tinto - Bairrada)
  • Quinta de S. Lourenço 2007 - Das Caves S. Domingos, feito com uvas provenientes de uma só propriedade, com o mesmo nome - Quinta de S. Lourenço; Baga , Maria Gomes e Arinto, sendo que as duas últimas, as uvas brancas, estagiam por 3 meses em barricas de carvalho francês. O degorgement é de Novembro de 2013, o que significa que estamos na presença de um "bolhinhas" que estagia em cave pelo menos 6 anos, antes do engarrafamento final... O resultado é um espumante complexo e sedutor. Apesar de ser de 2007, a bolha é elegante mas muito presente. Gastronómico, apresenta uma mousse deliciosa e notas de bolo inglês, terminando com bela persistência. É comprar e beber em todas as ocasiões...! .(Espumante - Bairrada)
  • Montanha Prestige - Espumante bastante competente, à venda no Pingo Doce, a rondar os 4€.(Espumante - Bairrada)
Uma prova de vinhos entre o Alentejo e a Bairrada, com alguns "intrusos".

May the Wine be with you...!

Sérgio Lopes

terça-feira, 26 de abril de 2016

Arena de Baco: Jantar épico


A rubrica Arena de Baco pretende colocar frente a frente vários vinhos e só um sairá vencedor... embora isso pouco interesse tenha. O importante é falarmos mesmo de todos, à sua maneira, pois no confronto,  com maior ou menor Knock Out, estiveram todos bem. Os sólidos que acompanharam o festim foram: Entrada bola de presunto; Uma feijoada branca de línguas de bacalhau e samos; Nacos de vitela grelhada com batata a murro e um molho especial; Sobremesa Bolo de chila e amêndoa.

BATALHA

  • Passionada 2008 - Ensaio de Anselmo Mendes, que prova a longevidade da casta Loureiro. Um vinho ligeiramente doce, com uma boa evolução, mas com uma surpreendente acidez para um vinho "verde" com 8 anos. Bebe-se bem como aperitivo ou acompanhando sobremesas. Ainda.(Branco - Vinhos Verdes)
  • Quinta Paço do Lobo Arinto 1995 - Aroma inebriante com as notas meladas em destaque. Na boca, muito fresco e gastronómico. O final podia ser mais longo, mas não deixa de ser um vinho impressionante com 21 anos... Para se beber, com muito prazer. (Branco - Bairrada)
  • Gravato Palhete 2004 - Bem diferente do Palhete de 2005, mais próximo daquilo que viria a ser o tinto Vinhas Velhas de 2008. Quase um tinto, na realidade cheio de pujança. Deu  uma tareia na feijoada de Samos e linguas de bacalhau. (Palhete - Beiras)
  • Quinta Paço do Lobo 1995. Mais um vinho das caves São João com "tudo no sitio" e que se bebe com prazer. (Tinto - Beiras)
  • Casa de Santar Reserva 1994 - O primeiro grande tinto da noite, em boa forma, com enorme finura e a dar muito prazer na prova. (Tinto - Dão)
  • Luis Pato Vinhas Velhas 1992 - Um grande vinho, segundo o produtor aguenta-se mais duas décadas. tudo o que um baga antigo tem de ter está cá: A complexidade, a elegância, o prazer a beber.(Tinto - Bairrada)
  • Quinta Vale Dona Maria 1997 - Um poderoso vinho do Douro, a mostrar todo o carácter da região, num extraordinário momento de prova. provavelmente o vinho da noite. (Tinto - Douro)
  • Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon 1997 - Este vinho estava um pouco evoluído, mas deu conta ainda de prova, não tendo sido brilhante. (Tinto - Lisboa)
  • Quinta da Covela Escolha 2005 - O vinho mais "jovem" em prova.. quer dizer já com 11 anos. Na realidade ainda com muito para andar mas que dá um enorme prazer a beber. O terroir especial da Covela ali entre o DOuro e a região dos vinhos verdes torna cada vinho com muita identidade. É o caso deste vinho, pois claro. (Tinto - Minho)
  • Encontro Bruto 2006 - Por último um espumante com 10 anos, que cumpriu muito bem a sua função de nos limpar o palato. (Espumante - Bairrada)
Uma prova de vinhos antigos bastante diversificada a honrar esta primeira edição da batalha na Arena de Baco.

May the Wine be with you...!

Sérgio Lopes