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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Arena de Baco: Almoço #Murgafriends

O mote era provar um espumante muitissimo especial, criado pela Murganheira, uma produção limitada a apenas 500 garrafas, que sairá mais próximo do Natal e será um produto Super Premium. Para já, não podemos divulgar muito sobre o mesmo, pois encontra-se no "segredo dos deuses". Mas tivemos o privilégio de o provar "en primeur" este passado sábado e está tão fino, guloso e cheio de classe, que efetivamente promete! Mas antes de falarmos do almoço do passado sábado, contextualizemos os #Murgafriends - um grupo de enófilos esclarecidos que visitou as Caves Murganheira, tendo em comum a enorme admiração pelo projeto e os seus fabulosos  e consistentes espumantes,  e desde então tem-se juntado para diversos eventos e visitas. Assim, com o privilégio de degustar o espumante Super Premium da Murganheira, decidimos marcar um almoço onde se também se provaram outros espumantes, de grande nível. Às cegas, pois claro.


O almoço decorreu no restaurante Dona Júlia, em Braga, onde o serviço foi exemplar. É um restaurante com nível, intimista, family friendly e onde os produtos são bem tratados, bem como o vinho, o espumante e muito champanhe, que se pode ver exposto um pouco pelas paredes. A vista também é lindíssima, para além de possuir 3 salas distintas, a sala principal - airosa, outra no primeiro andar, com foco no Sushi e uma última mais recatada e intimista, talvez mais propicia para um jantar ou evento privado. O menu que foi seleccionado para acompanhar os espumantes continha uma série de entradas tradicionais, em modo petisco, tais como favas com grão, pataniscas de bacalhau, tripas à moda do porto ou folhado de queijo de cabra com doce. Para pratos principais, um bem conseguido Bacalhau à Braga e um Naco de carne grelhadinho na perfeição. Para a sobremesa, naturalmente... Pudim Abade de Priscos, que estava delicioso.


Para além do Murganheira Super Premium (não posso revelar a designação oficial), houve 7 espumantes às cegas e 3 vinhos brancos no inicio , o Sem Mal 2017 de João Camizão, de que gosto muito e 2 vinhos da Herdade Papa Leite, do Alentejo, totalmente novidade para mim. Neste fartote de espumantes de qualidade que se seguiu, reinou a qualidade: Para começar, um Afros Loureiro 2009, um espumante dos vinhos verdes que foi uma surpresa, apresentando notas meladas de evolução, mas com muita frescura ainda, Ninguém estava à espera, às cegas que fosse este espumante. Os Kompassus Rosé 2011 e 2012, um pouco abaixo do que haviamos provado recentemente, mas a mostrarem ser espumantes rosés bem feitos e amigos da mesa; O São Domingos Velha Reserva Vintage 2004, impressionou pela sua juventude, apesar de alguma rusticidade típica desta referência, bem conhecida e que consumimos com regularidade cá em casa. Com 14 anos e ainda cheio de vida pela frente. Sem Igual 2015, ainda não saíu para o mercado mas apresenta a acidez, frescura e lado seco que João Camizão tanto gosta nos seus vinhos. Um espumante diferenciador da região dos vinhos verdes. Vértice Milésime 2009, com 4 anos de estágio antes de degorgement, mais 4 anos de estágio em garrafa, fizeram deste espumante distinto um dos preferidos em prova; Finalmente, o meu espumante preferido e que me encheu totalmente as medidas, o Familia Hehn Velha Reserva 2006, tem tudo aquilo que aprecio num grande espumante, com alguma evolução, cheio de fruto seco, notas de panificação, mousse cheia de classe, muita frescura . Uma delicia. Está num momento de prova extraordinário. Um produtor que tal como a Murganheira pertence à sub-região da Távora Varosa. 


Foi de facto um grande almoço que se prolongou pela tarde fora e culminou com uma visita à nova loja de Agostinho Peixoto, a Espumanteria Portuguesa onde se podem comprar mais de 100 referências de espumantes. Bravo!

Sérgio Lopes

sábado, 14 de abril de 2018

Arena de Baco: Prova Vertical Quinta da Gaivosa

Tradicional vertical: já não é a primeira vez que me dá esta sensação de andar para trás no tempo e ir absorvendo algo de futuro. Foi assim hoje também, na Quinta da Gaivosa, numa vertical do vinho com o nome da casa, aquele que eu conheço desde sempre (a saber: desde 1992, um ano depois da Gaivosa ter lançado o seu primeiro vinho, curiosamente branco; esse primeiro tinto de 92 não esteve presente nesta prova). Os vinhos vieram depois de uma atenta visita à exemplar adega imaginada pelos Alves de Sousa e traçada por Belém Lima; o novo e o antigo não se confundem, mas entrelaçam-se, numa confluência de gerações e memórias. Da vertical: o 2005 foi (con) sensual e tido como o melhor, isso se falarmos no melhor momento para um Gaivosa ser provado; para mim o 2011 estará igualmente perfeito, como que reunindo num só ano tudo aquilo que oferece este terroir do Baixo Corgo, o que é imenso, e daí o equilíbrio ser tão fundamental. A seguir o 2013, o 99 e o 95 - incrível como persiste um modelo desde o início, estando estes mais antigos vivíssimos, com taninos e elegância à superfície e mergulhando mais no seu interior a fruta que sai dos bons douros. Menos bem o 2003 e o 2009, onde a sobrematuração tomou conta deste perfil, vestindo o aroma e a boca de roupagem mais quente e indefinida. para finalizar houve ainda o Vintage 2015 da Quinta da Gaivosa no esplendoroso terraço da adega, logo depois do Eng. Domingos Alves de Sousa dizer algo como “isto está tudo muito bom, mas temos de almoçar...”. com toda a razão do mundo, assim foi, no Chaxoila, até porque os vinhos não acabavam por ali. para que viva na memória!

Marco Lourenço (Cegos Por Provas)

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Arena de Baco: Prova Vertical Quinta dos Roques Malvasia Fina

Na Quinta dos Roques fomos recebidos para uma inédita prova: uma vertical de uma casta pouco ou nada trabalhada em estreme - Malvasia Fina, mas é de algumas invulgaridades de que é feita a história do Dão e também desta quinta, que já vem lançando este vinho (com uma única interrupção), pelas mãos de Luís Lourenço e agora também do seu filho José, desde 1996.

Esta é uma casta muito utilizada em lote, pois suaviza a acidez e o corpo que outras apresentam; dir-se-ia então delicada, com acidez moderada e aromas que vão desde o marmelo, o alperce seco, ou o pêssego, até aos florais mais intensos, e a especiarias como a pimenta branca ou a mostarda... pelo menos foi o que os anos mais marcantes nos transmitiram, contrariando mesmo essa ideia de que a casta seria pouco resistente ao passar do tempo. Por outro lado é a prova de como anos tão diferentes podem transportar o vinho até ao aqui e mais além...

Andando “da frente para trás”, aparece logo a acidez do 2017, com as colheitas de 15, 14 e 13 a revelarem o lado (bem) conhecido da Malvasia, vinhos sóbrios, com algum volume, acidez moderada mas presente. Conforme se ia descendo na linha temporal, as primeiras notas oxidativas e apetroladas, como no 2010, às vezes mais florais e a plástico como o 2008 - a mim parecia-me um Gewurztraminer - ou a chá como no admirável 2007 iam aparecendo, mas com o serviço do 2004 achámos todos que dali para a frente (andando para trás...) já nada haveria a assinalar. Puro engano: já o 2002 aparentou uma frescura e côr bem mais “saudável” que outros mais recentes; e depois vieram outros dois que para muitos foram os melhores vinhos em prova, o 1999 e o 2000, finos, secos, com notas de açúcar queimado e caramelo compensados por uma acidez e persistência notáveis.

Assim que se ainda os virem por aí... não esperem para abrir!

Marco Lourenço (Cegos Por Provas)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Arena de Baco: Prova Vertical dos vinhos Morgado Santa Catherina

No ano de 2017 tive a felicidade de beber várias vezes este vinho - Morgado de Santa Catherina, feito 100% de Arinto, proveniente da zona de Bucelas e que se encontra facilmente nas grandes superfícies comerciais. Um vinho que tem estágio em madeira nova e que aguenta bem a passagem do tempo, melhorando com 3 a 4 anos de garrafa (ou mais). Foi por isso natural que eu e o Amândio Cupido (Garficopo) tendo adquirido várias garrafas de anos diferentes e com a ajuda adicional do produtor, preparamos uma prova vertical, dos anos 2010 a 2016, com um vinho de 2004 de acréscimo, que o Cupido tinha comprado. 


Considero as provas verticais muito interessante, mas a condição de guarda de cada um dos vinhos é fundamental para haver justiça no veredicto final. E a maior parte das garrafas foram adquiridas na cadeia de supermercados do malogrado Belmiro de Azevedo, pelo que é importante efectuar esta ressalva. De qualquer das formas, à excepção do 2004 que já tinha passado o seu melhor momento, todos se apresentaram em boa forma. Alguns mesmo em belíssima forma.


Começamos a prova do mais novo, para o mais antigo (outra discussão sempre interessante neste tipo de prova), com o 2016 ainda bastante fechado (estágio de garrafa - enviada pelo produtor), mas a demonstrar que o uso da madeira está mais comedido. Vamos ver como evoluirá. 2015, um dos preferidos, com a madeira bem integrada, enorme frescura, elegante, a precisar de tempo, mas a dar já uma belíssima prova. Comprar, beber e guardar. 2014 e 2013 num registo um pouco abaixo do 2015. 2012, o mais consensual em prova e também o mais equilibrado. Estava fantástico, com "tudo no sítio". 2011 de novo um pouco abaixo do 2012, menos fresco. Por fim, o 2010, cheio de força, uma enorme surpresa, ainda com muito para dar. Provavelmente o primeiro vinho onde apanhamos realmente notas de evolução, mas das boas...

Uma prova vertical a demonstrar a qualidade e longevidade destes vinhos, provavelmente o branco mais "escolha segura" na casa dos 10€, nas grandes superfícies. Uma prova superiormente harmonizada pelos maravilhosos cozinhados do Cupido, que infelizmente não temos fotos! Um jantar que se prolongou pela noite fora em ambiente de grande confraternização.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Prova vertical dos vinhos Sem Igual

Sem Igual é um projecto de João Camizão, vinhos verdes diferentes, desde logo a começar pela combinação de castas - Azal e Arinto, que conferem ao vinho uma generosa dose em partes iguais de nervo e corpo, sempre amparados por uma enorme frescura. São vinhos que quando novos apresentam-se até um pouco austeros, mas que com o tempo vão crescendo imenso, demonstrando grande longevidade - capacidade de evolução bem patente na prova vertical que tivemos o privilégio de fazer, há uma semana. Provamos desde 2012 a 2016, as 5 colheitas produzidas até agora.

O Sem Igual 2012 está delicioso, impressiona pela forma como evoluiu tão bem, com uma acidez desconcertante e notas meladas e petroladas, sem perder a fruta e o lado floral, num conjunto fantástico. Que grande vinho e que acompanhou brilhantemente a minha sobremesa, harmonizando na perfeição com um delicioso bolo de chocolate. Deste ano há pouquíssimas garrafas na reserva particular do produtor. O Sem Igual 2013, um pouco austero ainda, mas com uma prova bastante agradável, com predomínio das notas vegetais e algum citrino. Fresco e com vida pela frente. O menos "preferido", se assim podemos dizer.  O Sem Igual 2014, foi o preferido da maioria. Está num momento de forma delicioso, cheio de complexidade, com notas amanteigadas, a fazer lembrar um Borgonha. O Sem Igual 2015, continua a ser o meu preferido. Embora aprecie o registo do 2014, adoro o "nervo" do 2015. Gosto particularmente da boca vibrante, frescura ácida e final bem prolongado, mas ao mesmo tempo do nariz contido e misterioso, cheio de complexidade. Estou muito curioso em verificar como vai evoluir. Seguramente por muitos anos. Este é o vinho que se encontra à venda neste momento. Finalmente, o Sem Igual 2016, ainda tremendamente jovem e à procura de encontrar o seu caminho. Há quem preveja vir a ser um dos melhores (bem, todos são ótimos). Para mim, parece neste fase que vai buscar as notas mais frutadas e amanteigadas dos anos pares - 2012 e 2014, mas já mostra uma elevada acidez e alguma austeridade, características dos anos ímpares - 2013 e 2012. Será? Um par de anos o dirá.

Em suma, grande prova e a confirmação da enorme qualidade dos vinhos Sem Igual. Estejam atentos que virão novidades para breve.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Arena de Baco: Orgia de Magnuns no aniversário do Alirio

Foi no passado sábado que o Alirio Fonseca comemorou o seu aniversário. Para quem não sabe, o Alirio é um winelover que nas suas palavras "só gosta de vinhos bons", pelo que em cada prova que organiza ou que participa, decide partilhar belíssimos vinhos com a malta amiga. E não é essa uma das razões de gostar do vinho? A partilha de belos momentos de convívio à mesa. E assim foi. No restaurante "O Filipe" em Matosinhos, o Alirio juntou 24 amigos e 18  garrafas Magnum para que ninguém ficasse com sede. Foram 3 brancos e 15 tintos que estiveram à altura de um serviço exemplar do restaurante, com comida com fartura e de belíssima qualidade!


BRANCOS
- Sem Igual 2015 - Vinho verde de João Camizão, um dos vinhos que bebo com regularidade. Neste almoço foi penalizado por a temperatura estar um pouco elevada demais, não mostrando todo o seu "nervo" característico. Ainda por cima, o ano de 2015 que produziu um "Sem igual" com notas amanteigadas a fazer lembrar um Borgonha... Também foi o primeiro vinho em prova, o que muitas vezes é penalizante.
- Quinta de Santiago Reserva 2015 - Um Alvarinho que tem o perfil da produtora - bonito e perfumado. Embora fugindo um pouco ao registo habitual dos Alvarinho (mais citrino), deu uma excelente prova, cheio de frescura, tendo sido de agrado geral.
- Anselmo Mendes Curtimenta 2011 - Um extraordinário branco, da casta Alvarinho, num grande momento de prova, a mostrar aquela complexidade que estes vinhos ganham com meia dúzia de anos em cima, com deliciosas notas petroladas, muita frescura e um corpo bem interessante. Delicioso.

TINTOS
- Vale do Ancho Reserva 2006 - Proveniente do Alentejo, um vinho que nunca tinha provado. Em grande forma, com frescura e intensidade, pronto a beber. Gostei muito. A provar que o Alentejo produz grandes vinhos e com longevidade de guarda.
- Quinta da Fata Reserva 2009 - Identificado imediatamente (a prova foi cega), devido aquele lado de lagar tão característico, tal como o pinho e a resina, como só um Fata apresenta. Ainda "duro" e cheio de vida, num perfil que não é / foi consensual.
- Quinta Poço do Lobo Reserva 1995 - Bairrada de "caras", feito com baga, castelão e Moreto, um belissimo exemplar da região, cheio de frescura e ainda com longos anos pela frente. Excelente.
- Van Zellers 2005 - Um Duriense de perfil mais maduro, potente e carnudo a mostrar esse lado da região - um pouco mais extraído, mas que brilha à mesa com um naco de carne.
- Casa da Passarela Vinhas Velhas 2008 - O primeiro Vinhas Velhas da casa. A Touriga Nacional domina com lindas notas de Bergamota. frescura, elegância e fruta a rodos, num momento de prova brilhante. Estes Vinhas Velhas da Passarela eram sublimes e muito acessiveis. Agora têm outra designação e não são tão baratos. Mas o projecto ganhou em dimensão e novas referências, com o toque de Midas do enólogo Paulo Nunes a prestigiar a região. Um dos vinhos do almoço.
- Marquês de Marialva Reserva Baga 1995 - Taninos de veludo, a mostrar como um baga envelhece e bem. Está no momento final de prova, ou seja, para beber agora. Talvez precisasse de um pouco mais de estrutura para ser um colosso. No entanto, estamos a falar de um vinho com mais de 20 anos e com uma prova bastante agradável. E não é um garrafeira.
- Periquita 1978 - Infelizmente, já tinha passado o seu melhor momento.
- Quinta do Crasto Reserva 1999 - Ao contrário do Van Zellers, aqui tivemos um vinho nada extarído, fresco e equilibrado, com notas de vinagrinho a dar-lhe uma complexidade adicional bem interessante. Um dos que gostei mais.
- Zambujeiro 2005 - Vinho Alentejano de um produtor conceituado e cujos vinhos envelhecem bastante bem. Achei-o um pouco pesado demais, ou seja, extraido, talvez a precisar de mais tempo em garrafa ou então a sofrer por estar a competir com uma concorrência de peso? Quero voltar a prová-lo a solo.
- Palato do Coa Grande Reserva 2011 - Douro Superior de caras, um misto de potência com aquela frescura da altitude, num ano, 2011, de sonho para o Douro. Gostei bastante.
- Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2006 - Grande Vinho. Incrivel momento de prova com um equilíbrio fenomenal e a dar muito prazer. Syrah. Ninguém adivinhou em cega!
- Quinta da Pellada Touriga Nacional 2004 - Para mim o melhor vinho do almoço e um dos melhores vinhos que já bebi. Acidez descomunal, numa boca sedosa e muito fresca. Taninos frimes, final muito longo. Vinagrinho a dar-lhe caracter. Brilhante. (Nunca na vida associava a Dão e muito menos Touriga Nacional, tal a acidez descomunal que apresentou).
- Quinta da Leda 2008 - Confesso que este vinho me passou um pouco lado. Duriense interessante mas não me marcou. Estranho?
- Cabernet Abibes - Blend de Cabernet Sauvugnon dos anos 2011, 2012 e 2013, proveniente da Quinta dos Abibes - Bairrada. Uma novidade completa para mim, pois não conhecia. Trata-se  de um vinho que ainda não se encontra em comercialização, mas que seguramente irá dar que falar. Aliás como tudo o que a dupla professor Batel e o enólogo Osvaldo Amado produzem nos Abibes!
- Tenuta Pianpolvere 2007 - Barolo. Vinho Italiano com aqueles taninos de "partir" os dentes. Em belissima forma. Com anos e anos pela frente... A gritar por decantação prévia. No entanto, eu tinha ficado lá atrás no Pellada 2004...

Uma grande grande prova. Memorável! Muito obrigado Alirio.

Sérgio Lopes



segunda-feira, 10 de julho de 2017

Arena de Baco: Prova Cega - Aniversário Sérgio Lopes

No passado dia 25 de Junho decidi, para comemorar o meu aniversário, abrir a minha casa e a minha garrafeira para uma prova cega com "the gang" que gosta destas coisas e que me acompanha nestas andanças. Preparei assim uma prova cega de 10 brancos e 10 tintos, todos vinhos provenientes da minha garrafeira pessoal e que decidi partilhar com os amigos. A escolha dos vinhos foi baseada no meu gosto pessoal, mas também com o objectivo de apresentar uma prova equilibrada, passando por várias regiões e anos de colheita. Cada conviva trouxe um petisco que acompanhou os brancos e que acabou por se prolongar para os tintos. 


O "Welcome Drink" decorreu com um muito competente espumante da Quinta do Encontro, em magnum, que serviu esse propósito. Mais tarde, já bem mais tarde... foram servidos fora da prova cega mais alguns espumante, para fechar a noite. Espumantes que eu gosto bastante, tais como, o Quinta de São Lourenço 2007 e o Velha Reserva 2008, ambos das Caves Solar de São Domingos e o delicado Marquês de Marialva Cuvée 2011, da Adega de Cantanhede.

Prova Cega dos Vinhos Brancos


Os vinhos foram servidos da década mais antiga para a mais recente. Começamos em grande com 2 brancos dos anos 90 de se tirar o chapéu - o Casa de Saima 1993 e o Quinta Poço do Lobo de 1991, ambos da Bairrada, ambos cheios de vida! O Bons Ares 2001 já estava um pouco cansado mas ainda a dar boa prova. Seguiu-se um desconhecido Carvalha do Assento 2000 do Dão, competente e um surpreendente Quinta de Maderne Pedernã 2005 a mostrar como os vinhos verdes evoluem bem. O Myrtus 2008 estava em grande forma com a madeira bem integrada e o Pormenor 2015 a mostrar um lado bem mais sedutor do Douro. O Permitido 2015 continua excelente, um belíssimo branco do Douro Superior, feito 100% de Rabigato que faz parte das minhas escolhas habituais, tal como os Alvarinhos do Paulo, do qual o Regueiro Primitivo 2015 está simplesmente sublime, com uma acidez para durar anos e anos. Terminamos a prova de brancos com um Morgado de Santa Catherina 2012 num belissimo momento, a provar que este best seller é muitissimo competente e um preço cordato. Foi uma grande prova com os 6 primeiros vinhos separados por décimas. Sendo que o Regueiro e o Morgado ficaram em primeiro lugar ex-aqueo!

Prova Cega dos Vinhos Tintos


       

Chegados aos tintos começamos logo com duas magnum e que grandes vinhos - O Dão Pipas 1975 extraordinário, parecia um vinho com menos 20 anos, de tal jovialidade que demonstrava. Brutal. O Periquita de 1982 um clássico que até tem um preço e acessibilidade bons, a mostrar-se ainda vivo e bem prazeroso.  De seguida, o Porta dos Cavaleiros de 1984, já tendo passado o seu esplendor mas ainda a dar uma prova minimamente agradável. Duas bombas de taninos do ano de 1991, surpreendentes, se seguiram, um Casa de Saima e um Quinta de Camarate, Bairrada - Baga e Castelão - Setúbal, respectivamente a representar as regiões e castas superiormente. Luis Pato Vinhas Velhas 1992, mais um excelente exemplar de Baga, macio e delicado. Esporão 4 castas 2002, ainda com fruta madura e a mostrar o terroir quente do Alentejo. Quinta do Corujão 2003, num excelente momento de prova, a demonstrar o caracter, elegância e pendor gastronómico dos vinhos do Dão. E finalmente dois durienses muito interessantes o Pormenor 2014 do meu amigo Pedro Coelho e o Aneto 2011, um colheita acima da média do extraordinário ano de 2011, produzido por Francisco Montenegro. Resultados da prova cega, podem ser consultados acima.

No final ainda tivemos um Porto Vintage de 1963 da Borges & Irmão, já um pouco evoluído demais e um LVB de 1995 da Ramos Pinto, muito bom, a acompanhar o bolo de aniversário.


Foi uma grande prova, mas talvez um pouco longa demais... A repetir, sem dúvida, pois a minha garrafeira ainda tem mais coisinhas interessantes para partilhar...

Sérgio Lopes

sábado, 17 de junho de 2017

Arena de Baco: Prova Vertical Soalheiro Primeiras Vinhas 2006-2016

Soalheiro, dispensa apresentações. É a primeira marca de Alvarinho (a primeira vinha foi plantada em 1974) da sub-região de Monção e Melgaço e provavelmente um dos produtores com maior responsabilidade em colocar a casta Alvarinho num patamar de excelência. Outros produtores seguiram os seus passos, mas o seu lugar no podium dos grandes da sub-região mantém-se inabalável. Para além da marca Soalheiro Clássico, produz diversas referências desde coisas mais sérias como o Reserva, passando por vinhos mais leves (Allo, feito de Alvarinho e Loureiro) ou espumantes.

Mas a referência que mais gosto é, de longe, para mim, o Soalheiro Primeiras Vinhas. Este vinho é produzido com as uvas das vinhas mais antigas plantadas na propriedade (com mais de 40 anos) e pretende captar a pureza, mineralidade e fruta de qualidade do Alvarinho. Foi, portanto, com enorme prazer que tive a oportunidade de participar numa prova vertical completa de Soalheiro Primeiras Vinhas, com todos os anos em prova, ou seja de 2006 a 2016. A prova decorreu na Garrafeira A.Dega, em Famalicão, acompanhada de uns petiscos deliciosos para dar maior brilho ao evento. 

Apenas 12 "almas" sortudas puderam participar nesta prova. Foi bastante restrito mas muito animado! A prova foi conduzida do mais mais recente 2016 (colheita actualmente no mercado), para o 2006 (primeiro ano). Escusado será dizer que TODOS os anos em prova se mostraram muito bem, diria em grande forma mesmo. Alguns dos anos em prova até surpreenderam pela sua jovialidade e potência. Para mim, enquadro os vinhos no patamar de 17 a 19 valores. Todos. O que demonstra como evolui bem em garrafa. Os meus destaques vão para o 2015, com todo aquele "nervo" e tensão tão característicos de um ano perfeito como foi o ano de 2015. O Primeiras Vinhas de 2015 vai durar muitos, muitos anos. Está ainda bem jovem e até um pouco "duro", mas muito apetecível. No outro oposto, o 2008, com uma acidez e frescura notáveis. A mostrar uma jovialidade tal que em prova cega ninguém lhe daria esta idade. Tão novo... Outro vinho que adorei, o 2011, num registo de enorme finesse, tão delicado e suave, quase de veludo. talvez não tão intenso como os restantes, mas muito equilibrado e a dar enorme prazer.

Os anos 2009 e 2012, num composto entre fruta já madura mas muita acidez, a prever igualmente grande longevidade. 2010, muito mineral e o mais herbáceo em prova, mas num momento de consumo muito interessante 2013 um pouco mais doce (um ano mais quente?), 2014 talvez um pouco mais curto (o ano não foi dos melhores). 2016, muito novo naturalmente mas deu uma boa prova desde já. 2006 e 2007, os primeiros a mostrar notas realmente de evolução. Não quer dizer que sejam más, mas a querer parecer que, nesta fase, a curva da complexidade estará a ultrapassar a da frescura.

Em suma, a confirmação de que são grandes vinhos brancos, capaz de se bater com os melhores quer nacional, quer internacionalmente. Por apenas 14,90€ é possível comprar este grande vinho. O problema é conseguir guardar algumas garrafas. Obrigado ao Eduardo Branca pela oportunidade proporcionada. Pena apenas não ter estado presente o produtor Luis Cerdeira. Teria sido muito bom partilhar e trocar ideias com o contexto do produtor.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Arena de Baco: Prova Vertical Quinta do Arcossó Reserva Branco

A Quinta do Arcossó, para quem não conhece, é neste momento uma das maiores referências da emergente região vinícola de Trás-os-Montes, região cujo projecto com maior notoriedade será provavelmente Valle Pradinhos. Localizada entre Vidago e Chaves a Quinta do Arcossó é propriedade de Amilcar Salgado que com a sua simplicidade, enorme simpatia, paixão pela região e enologia conjunta com o enólogo Francisco Montenegro (Aneto) tem vindo a consolidar o projecto, levando-o a um patamar de inegável qualidade. De entre as várias referências produzidas dos solos graníticos da propriedade tivemos a oportunidade de efectuar uma prova vertical completa dos vinhos Quinta do Arcossó reserva Branco.

A prova foi completa desde o primeiro ano, 2008, até ao mais recente no mercado, 2015. Esta ocasião rara de poder contar com todos os anos desta referência, foi possivel devido ao Jorge Neves (wine lover que escreve por vezes no contra-rótulo), flaviense e apreciador deste projecto e que nos proporcionou tão ímpar prova.

Os vinhos foram provados à mesa, como se pede, pois são muito gastronómicos e acompanhados dos deliciosos pratos preparados pelo Amândio Cupido (o que já vai sendo um clássico).

   
 
Pudim de Peixe, Bola de Carne, Açorda de Camarão, Empadão de Bacalhau e uma deliciosa mousse de chocolate, deram bem conta dos vinhos em prova.

Quanto aos vinhos, mostraram-se secos, austeros e muito gastronómicos. Os mais jovens, 2015 e 2014 ainda a precisar de tempo, não se notando a madeira superiormente integrada, mas precisando de "garrafa" para "casar" todos o elementos. O 2013, infelizmente apresentava "rolha". Foi caso único. 2012 melhor.

2011 foi o ano que mais surpreendeu. O vinho estava super equilibrado, com acidez e complexidade, num registo de grande prazer. 2010 igualmente bom. 2009 e 2008 a notar-se que à data terá sido utilizada muita madeira, de excelente qualidade é certo, mas a dar uma prova "mais madura" aos vinhos nesta fase. Felizmente que agora não é assim e de facto o 2015 vai seguramente evoluir muito bem, apresentando desde já uma frescura invejável, fruto de um grande ano para vinhos brancos.

Foi uma grande prova a confirmar a inegável qualidade destes vinhos. Por menos de 10€ são vinhos para comprar às caixas, para ir bebendo e guardando alguns, sem qualquer perigo. Só vão melhorar com o tempo em cave. Não são vinhos "doces" e frutados, antes secos e minerais, que precisam de comida, logo se mostrarão muito bem à mesa.

Fotos cortesia de Amândio Cupido

Sérgio Lopes


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Arena de Baco: Prova Vertical Meandro

O Alírio, um grande enófilo, proporcionou no dia 13 de maio, uma vertical completa de Meandro. Penso ter sido uma prova inédita, pois de Quinta de Vale Meão, já tinha ouvido falar, mas do seu irmão, nunca.


A Prova, como muitas vezes acontece com as verticais, não foi cega, mas decorreu aos ziguezagues, pois começou com o 2007, seguiu-se o 1999, 2008, 2000, 2009 e assim sucessivamente. Quanto ao resultado, penso ter sido a opinião geral de que os vinhos mais velhos foram os melhores. Dentro destes, aí já as opiniões se dividiram, entre o 2000, com potência, classe e pronto a beber, o 2001 com mais potência e mais madeira, e o 2002 (ano maldito), ainda com mais potência. 


Diria que estes (2001 e 2002) bem como o 2011, vão ficar melhores daqui por uns 5 anos. Dos mais novos, além do 2011, merece um especial destaque o 2010, frutado e com tal classe, que vários dos presentes pensaram tratar-se de um Quinta de Vale Meão. Eu particularmente também gostei do 2014, com fruta e num perfil fresco. Ainda se provou o Quinta do Vale Meão 2010, curiosamente achei que fazia pouca diferença para o Meandro 2010, e o Vintage 2003.


Um dos convivas era a Luisa Olazabal, simpática e discreta, a apreciar o entusiasmo geral. Claro que aproveitou no final para reforçar que os vinhos do Douro também podem envelhecer bem, o que foi óbvio para todos. Uma palavra especial para a equipa do Garfo e Rolha, em Leça da Palmeira que nos serviram um grande almoço, que acompanhou muito bem os vinhos servidos.

Duarte Silva (Wine Lover)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Arena de Baco: Zafirah e os vinhos de 1995-2000

No dia do derby Benfica - FC Porto, juntamos "the gang" (parte dele) e com o mote de provarmos o vinho Zafirah de Constantino Ramos (o enólogo de Anselmo Mendes), cada um trouxe umas coisitas mais antigas para provar às cegas. Escolhemos brancos e tintos entre os anos 1995 e 2000. Para acompanhar as provas foram sendo servidos uns petiscos muito bons, na Tasquinha do Dinis, em Vila do Conde (por trás do Outlet), onde fomos muito bem tratados!


Relativamente aos brancos, sabíamos que poderíamos estar a "esticar a corda"... brancos entre 15 a 20 anos podia correr mal. E de facto não correu muito bem. Tínhamos vinhos como o Ameal 2003, o Boição 2000, o primeiro branco da Gaivosa de 96, um Quinta da Camarate de 99, até um Palácio da Brejoeira de 2000... Risco elevado e resultado satisfatório para alguns, mau para tantos outros que já tinham passado o seu melhor momento. Excepção e honra seja feita ao Porta dos Cavaleiros de 1998, um branco que não só foi o melhor branco da prova cega, como um dos melhores vinhos em prova. Surpreendente o equilíbrio, acidez e a vivacidade. Bravo! Nada de novo para um vinho proveniente das catacumbas das Caves São João.


Quanto aos tintos, que grande prova! Começamos mal, com um Dão Garrafeira 2000 da Adega de Tazem, cheio de Brett... Que pena. Mas depois foi sempre em grande: Bacalhoa 1999, em grande forma, Quinta de Pancas 1998 Touriga Nacional, ambos monocastas e a mostrar que nem só de Baga rezam os grandes vinhos feitos em Portugal. Claro que os Baga também estiveram excelentes, como o Casa de Saima 2000, um colheita, sim um colheita em belo momento e o grande vencedor da noite Valdarcos Reserva 1999, um grande grande Bairrada, com os taninos sedosos e toda aquela complexidade que um vinho antigo aporta.



No final ainda se abriu um Alfrocheiro Preto de 1994 da Quinta dos Carvalhais, também ele num ponto excelente e um Colares de 1990

O Zafirah foi sendo bebido antes do jogo, no intervalo do jogo e após o jogo, quer como acompanhamento das diversas iguarias servidas, quer como corta sabores. Um verdadeiro todo o terreno!

fotos cortesia de Marco Lourenço (Cegos por Provas)

Sérgio Lopes

sábado, 18 de março de 2017

Arena de Baco: Prova cega de Alvarinho


Faz hoje precisamente uma semana que decorreu mais um evento na Charming House, no Porto. A Charming House é um alojamento de "charme" em pleno coração do Porto, que para além de oferecer dormidas, promove diversos eventos vínicos e enogastronómicos. O evento da semana passada consistiu em provar 13 vinhos da casta Alvarinho, completamente às cegas. A prova foi promovida e conduzida por Paulo Pimenta, administrador do grupo Wine & Stuff, que com a sua habitual paixão foi mexendo com as cabeças dos participantes, para que a prova fosse dinâmica e interactiva. Foram mais de 40 pessoas num grupo bastante heterogéneo composto por provadores experientes, provadores menos experientes, curiosos e até produtores de alguns dos vinhos em prova. Aqui ficam os resultados da prova cega:


Tivemos vários anos em prova e uma selecção de alguns dos melhores vinhos produzidos em Portugal, faltando muito poucos, tais como o Parcela Única e Curtimenta, de Anselmo Mendes, o Poeira de Jorge Moreira e talvez o Soalheiro Primeiras Vinhas. De qualquer das formas, o nivel dos vinhos em prova foi altíssimo. E todos os produtores cederam gentilmente os seus vinhos para a prova.

A nivel pessoal, destaco os seguintes vinhos. Para mim os vinhos que claramente mais gostei:

1 - Quinta do Regueiro Barricas
2 - Pequenos Rebentos Edição Limitada
3 - Quinta de Santiago Reserva e Valados de Melgaço

Também gostei bastante do Soalheiro "normal" num perfil mais contido e citrico do que o habitual. Pena alguns vinhos terem saído penalizados, como o Vale dos Ares, em que uma das garrafas tinha "rolha" ou o Expressões de Anselmo Mendes, um grande vinho e um dos alvarinho que mais gosto, a mostrar a sua juventude e caracter imberbe do ano 2015, e por isso, ainda muito fechado.

Deu também para perceber que o ano de 2014 não foi tão bom e por isso os vinhos devem ser bebidos e não vão usufruir da guarda. já o 2015 é outra história... todos os vinhos a apresentar uma acidez e profundidade formidáveis. Podemos beber e guardar os vinhos de 2015 por bastantes anos seguramente.

Aqui ficam mais fotos da "festa":

   
  
  

Sérgio Lopes

sexta-feira, 10 de março de 2017

Arena de Baco: Prova Vertical de Duorum


Numa altura em que se comemoram os 10 anos do projecto Duorum, localizado no Douro Superior, esta prova não poderia ter acontecido em momento mais oportuno. Acho que posso afirmar que foi a primeira prova vertical MUNDIAL completa dos vinhos Duorum Colheita Tinto. A prova foi realizada graças ao Amândio Cupido que conseguiu juntar todas as referências desde 2007 ( nascimento do projeto) até 2014 (última colheita atualmente no mercado).

Juntamo-nos então à mesa a provar cada um dos vinhos, acompanhando uma carninha com arroz bem saborosa, preparada pelo... Cupido. Regra geral, conseguimos perceber que esta joint-venture entre João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco não é uma "receita", isto é, cada vinho respeitou o correspondente ano de colheita e isso foi notório: Começamos com o 2014, ainda muito marcado pela madeira, a mostrar um lado "doce" que não agradou muito. Suspeitamos que irá "acalmar". 2013 e 2012 começaram a mostrar um perfil mais fresco e frutado, bem agradável, com todos os elementos muito melhor integrados, denotando que esta referência necessita de uns 5 anos no minimo para se mostrar melhor. 2012 foi por ventura um dos favoritos em prova, pela enorme frescura apresentada. Depois tivemos uma espécie de interregno entre a matriz que estávamos a sentir, uma vez que o 2011 se mostrou muito duro, seco e marcado pela madeira, num registo mais austero. Talvez a precisar de tempo? O 2010, o mais evoluído de todos, completamente fora do registo dos anteriores. Parecia um vinho com mais idade... 2009 recuperou a excelente forma e linha condutora dos 2012 e 2013. Foi outro dos favoritos em prova. 2008 na mesma linha, um pouco menos complexo. 2007 mais misterioso, talvez com um piquinho de "tca" e não deu para entender completamente o seu potencial.

Em resumo, são vinhos que se encontram facilmente nas grandes superfícies, vinhos gastronómicos e com alguma complexidade. Capazes de agradar ao consumidor exigente qb e bastante ao consumidor comum. Uma escolha segura para um qualquer jantar de amigos, com o acrescento de se poderem guardar algumas garrafas para se verificar a sua evolução futura.

Off topic, terminamos a noite com um LBV 1996 da Poças que estava muito bom. Não tem nada a ver com a prova, mas serve para reiterar a grande capacidade de envelhecimento que os LVB detêm e cada vez me impressionam mais.

Daqui por 10 anos, fazemos nova prova mundial completa de Duorum. Quem sabe.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Arena de Baco: .beb... e os "velhinhos" em alta!

No mês passado houve vertical da referência .beb, de Tiago Cabaço (.com, blog). Consegui juntar 4 brancos e 4 tintos de anos diferentes deste que é um vinho de gama média exclusivo para as grandes superfícies (creio). A prova decorreu no restaurante Big Bife, no Porto, do simpático Vitor, acompanhado de um jantar. Relativamente aos .beb, foi unânime que todos esperávamos um pouco mais dos vinhos. Nos brancos, os mais velhos estavam bem melhores que os mais novos: os blends com Verdelho, Arinto e Viognier ('10 e '11) estão mais frescos e vivos que os irmãos mais novos que têm Encruzado, Roupeiro e também Viognier ('12 e '14). Nos tintos, os nossos preferidos, todos a dar boa prova, destacou-se o mais velho, de '08, seguido do '11 e num plano abaixo os '10 e '12. Ficamos com a sensação que o tinto está bem posicionado no preço face à qualidade. Já o branco, ficou muito aquém das expectativas. 

Como um jantar entre winelovers é sempre um pretexto para abrir umas coisitas antigas, foi o que fizemos. E que grandes vinhos "velhinhos" que estiveram em alta: Destaque para dois vencedores absolutos: O encostas do enxoé branco 2008 do Alentejo, com uma vivacidade desconcertante e uma frescura atipica para a região, em grande grande forma; O José de Sousa Mayor 1999, cheio de elegância e finesse, complexo e viciante. Um vinho de talha soberbo. 
Igualmente em bom plano, Quinta vale do mogo 1995, ilustre desconhecido da Bairrada; o muros antigos loureiro 2005 a provar a capacidade de envelhecimento da casta e dos vinhos verdes e um Dão Udaca Selecto de 1980 ainda bem vivo! É raro numa prova de vinhos antigos encontrarmos TODOS os vinhos em tão boa forma e alguns deles estiverem absolutamente fantásticos! Terminamos a noite com um Porto Taylors 40 anos completamente do outro mundo!

Sérgio Lopes






quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Arena de Baco: Touriga Franca em prova "cega" na Quinta do Silval

A Quinta do Silval organizou no passado sábado, dia 4, uma prova cega de vinhos 100% Touriga Franca, organizada por Miguel Abreu. Mais de uma vintena de provadores amantes do vinho deram notas de zero a vinte valores, a 18 vinhos de variadas regiões.

A Touriga Franca é possivelmente a casta portuguesa – é verdade, apesar do que o nome sugere – mais preponderante e desvalorizada do nosso território: bastaria dizer que é a casta com maior área plantada no Douro (cerca de 25% do encepamento total), ou que é fundamental nos lotes típicos desta região, tanto para os vinhos de mesa como nos Porto, e no entanto raramente é referida quando toca a mencionar “à primeira” as nossas castas autóctones por excelência. Ao que se sabe é referida pela primeira vez em meados dos anos 40, talvez do cruzamento entre as castas Touriga Nacional e o Mourisco (ou Marufo), perdendo para a primeira em exuberância mas ganhando em equilíbrio e robustez. Embora sem o poder de “contaminação” inquestionável da Nacional, a Franca “invadiu” também algumas outras regiões do nosso território, embora sem nunca conseguir a afirmação que detém no Douro – e ainda hoje é recorrente o abandono desta casta nos lotes de vinhos mais a sul do país. 

A prova cega organizada pelo Miguel Abreu partiu exactamente daqui: recolher em primeiro lugar alguns exemplares que desenhassem uma geografia da implantação da casta no nosso território – partindo do Douro e passando por Setúbal, Alentejo, Lisboa e Beira Interior – e colocá-las em confronto, com vários anos de colheitas a certificar a sua boa capacidade de envelhecimento. Curioso também é perceber como alguns destes vinhos só saem em anos excepcionais ou em pequenas produções, transformando-os em raridades difíceis de encontrar, a preços geralmente elevados. Da lista que se segue há que destacar as boas prestações de vinhos algo desconhecidos entre nós (Encostas de Estremoz que venceu e Holminhos, do Douro Superior), a prova em amostra de barrica daquele que será um dos próximos Scala Coeli da Adega da Cartuxa (depois de edição similar em 2009), e os aromas mais clássicos retirados do Dorna Velha e do Calços do Tanha; ou a boa classificação do vinho mais velho em prova, o Quinta do Cardo 1998 de Figueira de Castelo Rodrigo. 

Assim de repente só terá faltado talvez o Charme da Niepoort (base de Touriga Franca com vinha velha) e um ou outro de Távora-Varosa (Terras do Demo) e de Lisboa (Vale das Areias)... Sem modas ou desprezo infundado por outras castas, esta é para seguir com toda a atenção! Resultados da prova cega:

1º Encostas de Estremoz TF 2009 17,3 
2º Holminhos Reserva TF 2007 17,1 
3º Cartuxa (amostra de barrica) TF 2015 16,9 
4º Dorna Velha TF Grande Reserva 2007 16,7 
5º Calços do Tanha TF 2007 16,6 
6º Herdade de S.Miguel TF 2010 16,4 
7º Qta Ventozelo TF 2014 16,3 
8º Qta do Portal TF 2009 16,2 
8º Qta do Cardo 1998 16,2 
9º Qta Aciprestes Colheita Seleccionada TF 2004 16,1 
9º Herdade do Portocarro TF 2008 16,1 
9º Plansel selecta TF 2014 16,1 
10º Porca Murça TF 1999 16 
10º Ermelinda Freitas TF 2013 16 
11º Passadouro TF 2013 15,9 
12º M Ravasqueira 2012 TF 15,7 
13º Quinta da Romaneira TF 2014 15,6 
14º Santos Lima 1999 15,5 

De salientar que o Monte da Ravasqueira teve apenas metade dos participantes a classificar, uma vez que uma das garrafas tinha rolha.

Marco Lourenço (Cegos Por Provas)

sábado, 14 de janeiro de 2017

Vinhos de Altitude - A Prova Cega

Depois de clarificarmos o conceito sobre vinhos de altitude, chegou a altura de escolher os vinhos e o local para a prova cega. A escolha recaiu sobre o restaurante Toca da Raposa situado em Ervedosa do Douro. Um estabelecimento que, desde 2011, tem vindo a recuperar as antigas receitas de família e da região duriense para as apresentar, com sucesso assinalável, ao público em geral. Já sabemos que as vinhas plantadas a uma altitude mais elevada originam vinhos mais frescos e com uma acidez mais elevada. São, portanto, vinhos que para serem devidamente apreciados e se expressarem ao mais alto nível necessitam de comida. 

Quanto aos vinhos, a escolha foi realizada tendo em conta a hibridez do conceito de altitude enunciado anteriormente. Assim, num primeiro momento, foram escolhidas as regiões que se apresentavam a maior altitude e dentro destas as sub-regiões de cota mais alta. A seleção recaiu sobre: Douro, Beira Interior, Dão e Alentejo. Num segundo momento, escolheram-se apenas os vinhos brancos devido ao aumento notório da qualidade que têm vindo a registar nos últimos anos. Como, infelizmente, não foi possível reunir nenhuma referência do Alentejo e da Beira Interior em tempo útil, a seleção final agrupava onze referências da região do Douro e do Dão. E que grandes vinhos eram! 

O Restaurante Toca da Raposa preparou um jantar com sete pratos regionais aos quais foram emparelhados os vinhos de acordo com as suas caraterísticas e servidos de forma a não se conhecer a identidade dos mesmos, ou seja, em prova cega. O desfecho foi excelente. Como já era esperado, os vinhos em prova combinaram muito bem com a comida. A grande frescura, acidez, estrutura e persistência apresentada pela quase totalidade dos vinhos casou muito bem com a comida apresentada. Um grande jantar!


Quanto aos resultados da prova cega podem ser consultados em baixo:

1. Quinta do Ribeiro Santo Vinha da Neve 2013 - Dão
2. D. Graça Viosinho 2015 - Douro
3. D. Graça Garrafeira 2011 - Douro
4. Cedro do Noval 2015 - Douro
5. Xisto Cru 2014 - Douro
6. Casa da Passarela Fugitivo Garrafeira 2013 - Dão
7. Mapa Vinha dos Pais 2013 Douro
8. Quinta do Crasto 2014 Douro
9. Muxagat Xistos Altos 2014 Douro
10. Quinta dos Roques Encruzado 2014 - Dão
11. Quinta da Pellada Primus 2014 – Dão

Destaques:

Depois de contabilizadas todas as notas da folha de prova, os três vinhos mais pontuados foram o Quinta do Ribeiro Santo Vinha da Neve 2013, o D. Graça Viosinho 2015 e o D. Graça Garrafeira 2011.

O Quinta do Ribeiro Santo Vinha da Neve 2013 apresentou-se em grande forma, cheio de mineralidade, fruta de excelente qualidade, citrino, tostados, cheio de acidez e um final muito longo. Um vinho cheio de carácter expressando bem o porquê da casta Encruado se apresentar como uma das mais famosas do nosso país.

O produtor Vinilourenço conseguiu colocar dois dos seus vinhos nos restantes lugares do pódio. O Vinho D. Graça Viosinho 2015, proveniente de uma vinha plantada a cerca de 600 metros da altitude, ficou em segundo lugar. O vinho apresenta aromas com notas de fruta muito delicada, frescura, um toque fumado e muita elegância. Na boca, impressiona pela excelente acidez e textura amanteigada, que lhe conferem grande aptidão gastronómica.

No último lugar do pódio ficou o D. Graça Garrafeira 2011. Um vinho com vários anos de envelhecimento mas ainda cheio de frescura, acidez, manteiga, boa estrutura e uma acidez cortante. A casta Viosinho a mostrar que é capaz de envelhecer muito bem.

Paulo Pimenta (Wine & Stuff)

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Arena de Baco: Os Tintos da Talha, de Roquevale


A rubrica Arena de Baco pretende colocar frente a frente vários vinhos e só um sairá vencedor... embora isso pouco interesse tenha. O importante é falarmos mesmo de todos os vinhos, à sua maneira, pois no confronto,  com maior ou menor Knock Out, estiveram todos MUITO bem. 

O jantar foi promovido e organizado pelo blogger Amândio Cupido (garficopo), um dos bloggers da região Norte que melhor prova e mais contribui para a divulgação dos vinhos portugueses. O mote foi uma prova vertical dos vinhos Tinto da Talha Escolha, dos anos 2003 a 2010

BATALHA
  • 2010 (Aragonez, Touriga Nacional)  - Este vinho sofreu um pouco de uma possível não tão boa análise, devido à temperatura elevada a que foi servido. Com a temperatura certa mostrou-se perfumado, especiado, com notas de cacau / baunilha. Carácter quente na boca, mas com uma frescura que revela boa acidez. Termina de comprimento médio e com pendor gastronómico. 16/20
  • 2008 (Aragonez, Alicante Bouschet) -  Provavelmente o vinho mais fresco da prova. Notas fumadas, algo licoroso, com fruta a dizer presente. De novo a baunilha, mas um conjunto bastante harmonioso e guloso, pronto a beber. . 16,5/20
  • 2007 (Syrah, Alicante Bouschet) - Mais complexo que o 2008. Com mais camadas para descobrir. Carácter fumado mais uma vez, aroma intenso e profundo, mas a carecer ainda de ligação o que demonstra a vivacidade do vinho. O final mais longo que o 2008. Muito bom. 16,5/20
  • 2006 (Syrah, Touriga Nacional). O vinho mostra o calor do ano e a qualidade inferior do mesmo. Apresenta menos volume do que os anteriores, sente-se muito mais o calor e até se torna um pouco "chato" ao segundo copo. Claramente o irmão mais pobre em prova. 15/20
  • 2005 (Touriga Nacional, Aragonez).- Achei-o na linha do 2010, com a especiaria em evidência e o carácter fumado. Impressiona no entanto, a boa forma para um vinho do Alentejo com 11 anos. Peca apenas e só por algum excesso de calor. Mas muito bem16/20
  • 2004 (Syrah, Touriga Nacional)- Muito na linha do 2007. Complexo e elegante, com fruta presente, algumas nota químicas, mas tudo a dar uma prova muito equilibrada e saborosa. O final é bem longo e apetecível.. 17/20
  • 2003 (Touriga Nacional, Aragonez) - O melhor vinho em prova, que também foi a primeira edição desta referência. Fresco, perfumado, intenso, elegante, com fruta de muito boa qualidade. Final muito longo. Muito, muito bom..13 anos...! 17,5/20
Resumindo, foi uma prova que demonstra bem a qualidade e longevidade desta referência. A linha condutora foi sem dúvida a rusticidade (alentejana), o toque comum abaunilhado e especiado e o carácter gastronómico. Impressionantes os vinhos dos anos de 2003 e 2004 pela vivacidade e elegância. Destaque também para o 2008 pela harmonia e o 2007 pela profundidade. PVP 7,49€

May the Wine be with you...!

Sérgio Lopes

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Arena de Baco: 13 à Sexta (14 por sinal)


13 à sexta, porque seriam 13 pessoas a provar vinhos na passada 6ª feira. Fomos 14, mas fica o nome pois faz sentido e até para se repetir esta magnífica experiência, mais vezes, por sinal. O evento foi promovido por amantes do vinho e alguns enólogos do setor o que o tornou ainda mais divertido e sobretudo muito didático, sempre num ambiente totalmente descontraído, como se pretende. O local de degustação vínica e também de grandes iguarias italianas foi a casa do, quiçá, italiano mais português do mundo dos vinhos, o Marco Giorgetti. Marco e sua esposa prepararam um autêntico manjar de iguarias italianas que foram sendo acompanhadas por vinhos brancos, espumantes e tintos. No final tivemos o ENORME privilégio de provar 3 vinhos italianos de outra galáxia. Bravo! 

A foto acima ilustra a quantidade de vinhos provados e também a enorme qualidade, sobretudo nos brancos. Todos os vinhos provados às cegas... Eu diria que os espumantes, que foram apenas 3, serviram de entrada, seguiu-se a maratona dos brancos em grande forma e terminamos com os tintos que infelizmente na sua maioria já tinham passado o seu momento, pois eram bastante antigos, embora prometedores. Uma pena. Mas já sabemos que num vinho antigo, cada garrafa é... uma garrafa. Pode daí advir boas ou más surpresas. É essa também a piada e o gozo de os provar. 

Aqui ficam as fotos de alguns dos vinhos que mais impressionaram em prova:



Destaques Brancos:
- Permitido de Márcio Lopes, um branco de altitude, da Meda, com mineralidade e frescura brutais. Muito delicado e com um potencial de envelhecimento bastante elevado. Delicioso.
- Muros de Melgaço Loureiro 2005, um branco da região dos vinhos verdes deliciosamente evoluído, com uma estrutura fabulosa e notas de mel, passas, frutos secos, tudo num registo de enorme frescura. O Loureiro a envelhecer muito bem!
- Anselmo Mendes Curtimenta, Tempo, Parcela Única e Expressões. O que dizer novamente destes grandes brancos feitos pelo Constantino Ramos? Cada um muitíssimo bom, dentro do seu estilo.
- Portal da Azenha Grande reserva 2013, um branco Duriense que agradou bastante de uma forma geral. Um perfil mais maduro, com madeira, muito gastronómico.
- Quinta das Bageiras Garrafeira 2014, um vinho de Mário Sérgio que não gerou consensos. Houve quem adorasse e houve quem achasse o garrafeira branco do produtor mais "estranho" e fora do perfil habitual. Eu que sou um grande fã do seu trabalho, não fiquei deslumbrado com este vinho...

Destaques Tintos:
- O mau estado de quase todos os tintos provados, já fora de prazo. Infelizmente, foi azar...Ainda assim destacaria:
- Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon 97, em grande forma para quem gostar do estilo.
- Adega de Borba Reserva 92, ainda vivo, o que é deveras surpreendente!
- Sarmassa 2010, um Barolo, claramente o vinho vencedor (também o mais jovem dos tintos em prova cega).

Para o final estavam reservados, pelo anfitrião (na foto abaixo querendo anonimato :-)), 3 vinhos italianos... Mas não foram 3 vinhos quaisquer. Foram 3 grandes vinhos! 


2005 La Spinetta Vursu Vigneto Campe, o VINHO DA NOITE. Um Barolo que o Marco teve a gentileza de nos dar a provar. Eu diria a honra e privilégio de degustar! Tudo em grande nível: Complexidade, elegância, frescura, boca, enfim... Deixou toda a gente boquiaberta!
- 2006 Tenuta Pianpolvere Barolo Riserva, Barolo também, mas um reserva, num perfil mais tânico e "rude". Outro grande vinho.
2004 La Spinetta Sezzana Sangiovese Toscana. terminando em grande com este magnifico Sangiovese, de novo com uma elegância e complexidades ímpares, para um vinho com mais de 10 anos. Bela casta, que permite fazer igualmente os mundialmente famosos Chianti!

NOTA:
- O Barolo é um vinho produzido no noroeste da Itália, Província de Cuneo, região do Piemonte, com a casta Nebiolo.

Sérgio Lopes