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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Em Prova: Herdade das Servas Colheita Seleccionada Branco 2018

Projeto da família Serrano Mira, do Alentejo, que foi ganhando o seu espaço e hoje se encontra consolidado, com várias referências no Mercado. Os vinhos de entrada são da gama Monte das Servas. No patamar a seguir surge o Herdade Das Servas Colheita Seleccionada, cujo branco tive a oportunidade de apreciar à mesa, com uma posta de garoupa na brasa. É um vinho muito competente e interessante, blend de 4 castas - normalmente Roupeiro, Viognier, Verdelho e Alvarinho e que fruto de algum trabalho de batonnage ganha uma estrutura e gordura de boca muito interessantes. Nunca fugindo à sua origem Alentejana, mostra-se contudo, fresco e equilibrado, de corpo e final de boca médios, tendo sido o pairing perfeito para o peixinho na brasa. PVP: 8,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Novidade: Olho do Mocho Single Vineyard Reserva Branco 2018


Chega ao mercado e à nossa mesa a nova colheita do vinho Olho de Mocho Single Vineyard Reserva branco 2018, produzido pela Herdade do Rocim. Trata-se de um branco alentejano, 100% Antão Vaz, de uvas da vinha mais velha (65 anos) e que se chama precisamente Olho de Mocho porque contém muitas flores de olho de Mocho (flor que está no rótulo). Com fermentação em barricas de carvalho francês e em depósitos de cimento, por um período de 21 dias e submetido a uma battonage diária durante cinco meses. 

Estamos na presença de um branco complexo, de carácter mineral, com uma boca elegante e alguma untuosidade. A madeira não se sente e por isso torna-se muito apelativo e apto para mesa. A boca é redonda, com taninos suaves e bastante frescura, traduzido-se num vinho polido, mas que precisa de algum tempo para se mostrar na sua plenitude (muito jovem). Foi abrindo ao longo dos 2 dias de prova, mostrando um perfil delicado e suave que nada tem a ver com os brancos da região (por vezes algo pesados). Só lhe falta, na minha opinião, um final um nadinha mais potente / crispie, um pouco mais de garra - a meu gosto, mas certamente que o tempo em garrafa o poderá apurar um pouco mais. PVP:15€. Garrafeiras.


Sérgio Lopes

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Radar do Vinho: Casa de Sabicos

A origem dos Vinhos Casa de Sabicos remonta à segunda metade do séc. XIX, pela mão da matriarca Avó Sabica, bisavó dos atuais produtores. A Casa de Sabicos situa-se em Aldeias de Montoito, freguesia de Montoito, na sub-região Alentejana de Reguengos. As castas utilizadas são as tradicionais na família e nos vinhos Alentejanos. As tintas são Trincadeira, Aragonez, Alfrocheiro, Castelão, Alicante Bouschet e Touriga Nacional. As brancas são Arinto, Antão Vaz, Fernão Pires e Síria, embora nos últimos anos tenham sido também plantadas Cabernet Sauvignon, Syrah ou Chardonnay - castas mais internacionais. O projecto contempla 3 marcas - Casa de Sabicos (Reserva, Touriga Nacional / Syrah e Syrah / Aragonez); Joaquim Madeira - Branco e Tinto e finalmente o Avó Sabica Tinto que apenas é lançado em anos excepcionais (2004, 2011 e 2013). A enologia encontra-se a cargo do próprio Joaquim Madeira, bisneto da avó sabica.
O Casa de Sabicos Reserva 2014 é feito de Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês. É um vinho muito equilibrado, entre fruta, taninos e acidez, sentindo-se o terroir alentejano, mas apresentando-se elegante, num conjunto muito fresco, complexo e agradável. O toque do Cabernet marca ligeiramente, conferindo-lhe uma frescura muito gira. PVP: 11€
O Casa de Sabicos Touriga Nacional / Aragonez 2014 é mais frutado do que o reserva, carregado de framboesa e ameixa preta. Diria que faz lembrar claramente um vinho Alentejano na sua génese. De novo, o conjunto está super equilibrado, com madeira bem integrada, taninos suaves, dando grande gozo à mesa. PVP: 10€O Casa de Sabicos Syrah / Aragonez 2016 não passa por madeira e apesar de apresentar também uma fruta muito apetecível, o lado especiado do syrah confere-lhe uma frescura adicional que o torna muito interessante. O blend funciona muito bem, traduzindo-se num conjunto algo original e que funcionou também muito bem à mesa. PVP: 9€ Impressionante a frescura e elegância de ambos os vinhos, mesmo com os cerca de 15 graus de álcool!
O Joaquim Madeira Tinto 2011 é composto por 14 castas e 15 meses de estágio em barrica de carvalho português. É produzido à semelhança dos vinhos que eram feitos no Alentejo na década de 60, e só é feito em anos excecionais, quando as maturações são suficientemente homogéneas para as 14 castas fermentarem juntas (até hoje houve 2004, 2007 e 2011). Trata-se de um vinho já com alguma evolução e num perfil mais clássico, por isso mais opulente e que precisa de ser apreciado copo após copo. Um vinho que precisa de comida para brilhar e suportar o seu volume e densidade. PVP: 20€
O Joaquim Madeira Branco 2017 é um blend de 2 vinhos/ 3 castas. O Antão Vaz e o Chardonnay fermentam juntos em barricas novas de carvalho francês; o arinto é fermentado em depósito de inox. Quando as duas fermentações estão completas, então é feito o blend e é engarrafado. É um vinho com muita estrutura, tem a untuosidade e a tropicalidade do Chardonnay/Antão Vaz, e a frescura (suave) do arinto. Um verdadeiro best seller no único branco do projeto. PVP: 8€.

Ficou a faltar o texto sobre o extraordinário Avó Sabica, um dos melhores tintos que já bebi e seguramente um dos icones da região. Mas isso ficará para outro post...

Sérgio Lopes

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Em prova: Tiago Cabaço Verdelho 2018

Tiago Cabaço já deixou de ser um valor emergente do Alentejo para se afirmar hoje como um dos nomes mais sólidos e marcantes da nova geração dos produtores alentejanos. Os seus vinhos em nome próprio são assim designados por terem algum um significado especial para o produtor. Nos brancos tinha provado o Encruzado e o Vinhas Velhas, e agora o Tiago Cabaço Verdelho 2018, que o George do restaurante Villamar me serviu para acompanhar os seus petiscos. Um branco redondo, com predominância de notas florais, fresco qb, elegante e delicado, que se portou bem â mesa. Um branco alentejano equilibrado e bastante agradável que combina com comidas mais leves ou consumido por si só. Eu que estou mas numa "onda" de brancos com elevada acidez e "nervo" gostei do equilíbrio e leveza de conjunto. Está porreiro.  PVP: 9,90€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Radar do Vinho: XXVI Talhas (Mestre Daniel)

Mestre Daniel Branco Lote X - O meu preferido
O projeto XXVI Talhas presta homenagem à tradição milenar da produção de vinho de talha, na pacata aldeia de Vila Alva.  XXVI talhas - porque é o número de talhas que existem na adega onde se produz o vinho, com as marcas "Vinho do Tareco" (vinho novo da talha) e Mestre Daniel em homenagem ao carpinteiro que construiu a adega e adquiriu as talhas há mais de 60 anos. O Mestre Daniel produziu nessa adega vinho de talha durante cerca de 30 anos, seguindo a tradição familiar que herdou de seus pais e avós. Após a sua morte seguiram-se ainda alguns anos de produção. Contudo, em 1990, a adega encerrou atividade. Em 2018, após quase trinta anos de interregno, a adega volta a funcionar, retomando a tradição local e familiar de produção de vinho de talha. O projeto é encabeçado hoje pela filha do Mestre Daniel e seus dois netos e ainda o enólogo Ricardo Santos (Malo Tojo), com ligações afetivas ao projeto. Das 26 talhas que dão nome ao projeto, 22 são de barro, algumas datadas do séc. XIX, e 4 são de cimento armado que, apesar de mais recentes (década de 1930), foram fabricadas por “mestres vilalvenses”.

As vinhas têm idades entre 20 a 50 anos e contêm castas do antigamente, que aí perduram. Os solos são pobres, carregados de xisto e saibro e com relevos atípicos para a região. A proximidade da pequena serra do Mendro tem influência na temperatura, o que tudo somado, torna este projeto um pouco fora do baralho para a região, permitindo produzir vinhos com enorme identidade e personalidade.
O Mestre Daniel Branco 2018 é feito de Antão Vaz, Perrum e Roupeiro, fermentado com maceração e contacto com as massas durante três meses em talhas de barro, sem controlo de temperatura e com leveduras indígenas. Resulta do lote de duas talhas, uma com capacidade fermentativa aproximada de 900 litros e outra com capacidade de 800 litros. Apresenta aroma com fruta branca madura e algum herbáceo. A boca tem um toque ceroso e untuoso, apresentando-se algo mineral, seco e muito fresco. De corpo médio e final médio/curto,  termina guloso. De beber e querer repetir. PVP: 15€. Garrafeiras.
O Mestre Daniel Tinto 2018 é feito de Trincadeira , Aragonês e Tinta Grossa. O nariz apresenta uma fruta muito bonita, quase como a lembrar geleia, mas sem qualquer sobrematuração. Antes pelo contrário, é apetecível. A boca apresenta um bom volume, focada na fruta, apesar de alguma rusticidade, o que lhe confere uma certa graça.  Termina-se seco, elegante e muito fresco, para se beber com muito prazer, com os seus moderados 12 graus de álcool. PVP: 15€. Garrafeiras
O Mestre Daniel Branco Lote X 2018 foi o meu preferido dos três vinhos provados. Feito de Diagalves, Manteúdo, Antão Vaz, Perrum e Roupeiro, é o produto da fermentação e estágio sobre borras de uma talha apenas. As uvas provêm da vinha mais velha, com cerca de 50 anos, plantadas num solo de saibro. O resultado é um vinho com muita mineralidade onde a curtimenta de 6 meses na talha lhe confere uma boca com alguma austeridade e um volume que provavelmente não estaríamos à espera encontrar, tratando-se de um branco de talha. Apesar dos seus 11,5 graus de álcool tem largura e uma excelente acidez que lhe confere grande frescura. Um branco com grande nervo e complexidade aromática a mostrar o que o terroir de Vila Alva pode produzir. PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Em Prova: Herdade do Rocim Amphora Tinto 2018

Este vinho alentejano é uma novidade absoluta para mim. Nunca o tinha provado. Feito das castas Moreto (50%) e Tinta Grossa (30%) - portanto castas associadas a vinhos mais magros, com ainda um toque das "clássicas" Trincadeira (15%) e Aragonez (15%), para equilibrar o conjunto. Como o próprio nome indica, o Herdade do Rocim Amphora 2018 é um tinto que tem fermetação e passagem por ânfora de barro, sendo por isso um vinho de talha certificado. Trata-se de um vinho de aroma delicado e suave, com alguma fruta também ela suave, ligeiro toque a barro e muita leveza de conjunto. É de corpo médio, taninos suaves, equilibrado e apesar de não ter uma grande tensão é um vinho diferente e com acidez suficiente para ligar na perfeição com uns queijinhos de entrada ou por exemplo um peixe no forno. Apenas 12º de alcool, num tinto que se consome com muita facilidade, sobretudo no Verão. PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Em prova: Altas Quintas Crescendo Branco 2017

O projecto Altas Quintas está(va) localizado no Alentejo, nomeadamente em Portalegre e sempre foi um projecto bem cotado na comunidade enófila, sobretudo pela frescura da Serra de São Mamede e capacidade de guarda dos vinhos produzidos, nomeadamente os tintos, que conjugavam essa frescura com uma potência, invulgares. A localização continua a mesma, mas a quinta onde eram produzidos os vinhos está agora nas mãos da Symington que acaba de lançar as novas marcas Florão -entrada de gama, Quinta da Fonte Souto e o Grande Reserva tinto QFS Vinha do Souto..

Entretanto e a propósito recupero aqui o Altas Quintas Crescendo Branco 2017 que, por um acaso bebi num restaurante, no Guincho, a acompanhar um robalo de mar, superiormente escalado. O vinho é equilibrado, com notas citrinas e tropicais, corpo médio, acidez também média e final a condizer. Equilibrado e com acidez suficiente para aguentar o robalo. Talvez este branco, de 2017, seja o último ano antes da mudança para a Symington. Curioso. PVP: 9€. 

Sérgio Lopes

terça-feira, 14 de maio de 2019

Novidade: Herdade do Rocim Rosé 2018

Mais uma novidade de 2018 acabadinha de sair, o Herdade do Rocim Rosé 2018. Feito na Vidigueira (Alentejo), 100% de Touriga Nacional e com passagem apenas por Inox. O rótulo é muito bonito e simples, representando a imagem da ‘Linaria Ricardoi’, que é uma pequena planta alentejana que está em vias de extinção por causa dos pesticidas e da pressão dos rebanhos de pequenos ruminantes. 

O vinho apresenta com uma bonita cor rosa aberta, a fazer lembrar os grandes rosés da provence. Aromas florais da Touriga semtem-se no nariz  (contidos). A boca é seca, elegante, fresca , com pouco alcool, mas com tensão e corpo mais do que suficientes, para ser uma boa escolha para a mesa. Um rosé a precisar de mais alguns meses de garrafa, quiçá até ao Verão para começar a brilhar verdadeiramente à mesa. Gostei bastante e penso que evoluirá muito bem por mais um ou 2 anos. PVP: 8€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Radar do Vinho: Bojador (Os colheita)

Bojador é um projecto pessoal de Pedro Ribeiro (Herdade do Rocim) que materializa um sonho antigo - transformar em vinho a ligação que tem ao Alentejo. Começou a dar os primeiros passos em 2010, tendo seleccionado a Vidigueira para o fazer, com o objetivo de produzir vinhos que transportem a alma do Baixo Alentejo, desenhados a partir de vinhas velhas seleccionadas e acompanhadas ao pormenor. Do portfolio constam as seguintes referências: Bojador Colheita Branco, Tinto e Rosé; Bojador Tinto Reserva, Bojador Espumante Brut, Bojador Vinho de Talha Branco, e Bojador Vinho de Talha Tinto. Os vinhos de talha têm tido um protagonismo mais evidente neste projecto embora representem apenas 10% do volume produzido. É um projecto e uma marca muito focada nos mercados externos mas começa agora também a ter alguma expressão no mercado português. 

Provamos os colheita, todos de 2018. O Bojador Branco 2018 é produzido das castas Antão Vaz (50%), Arinto (30%) e Alvarinho (20%), resultando esta combinação de castas num conjunto, muito equilibrado, frutado na medida certa e com final muito refrescante. Um branco com  apenas 12,5º de alccol e uma acidez bem interessante para um Alentejano. Gostei particularmente! O Bojador Rosé 2018 é feito de Aragonez (55%) e Touriga Nacional (45%). Mostra-se com uma cor rosa pálida, num conjunto muito suave e delicado, com fruta fresca vermelha. Um rosé para entradas, num registo contido, seco e algo mineral. De novo, apenas 12,5º de alcool. O Bojador Tinto 2018 é produzido de Aragonez (50%), Touriga Nacional (30%) e Trincadeira (20%). Estagia 6 meses em barrica usada de carvalho francês. Apresenta uma fruta preta e vermelha muito bonita, exuberante e apelativa que apetece beber, logo quando encostamos o nariz. Na boca é fresco, com taninos macios e corpo médio, terminando focado na fruta, cheio de sabor. Muito bem.

Pela prova dos colheita, que surpreenderam, como serão as restantes referências da casa... PVP:7€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Fora do Baralho: Herdade do Rocim Clay Aged Branco 2017

Numa altura em que o Alentejo parece querer recuperar a tradição milenar do vinho da talha, destaco este exemplar, o Herdade do Rocim Clay Aged Branco 2017. Apesar de eu não ter provado muitos vinhos de talha, sobretudo brancos, e apesar da polémica sobre o que é realmente uma talha (com ou sem tratamento de impermeabilização), confesso que este vinho chamou-me a atenção no jantar da gala da revista Grandes Escolhas, onde foi prémio de excelência e onde tive a oportunidade de o provar à mesa e adore. Feito de Verdelho, Viosinho e Alvarinho, é pisado a pé em lagar de pedra, com o seu engaço, apenas com leveduras indigenas (como se de um tinto se tratasse), com posterior estágio de 9 meses em talhas de barro de 140 litros. Talhas essas, fruto da colaboração com uma universidade francesa para criar pequenas ânforas de apenas 140 litros, feitas de argila de sua própria propriedade, especialmente projetadas para serem usadas sem forro, permitindo taxas semelhantes de micro-oxigenação como as barrricas novas de carvalho francês. O resultado é um vinho desconcertante. De cor ambar, fruto da "curtimenta", apresenta um aroma profundo mas subtil, com notas de pedra molhada, alguma fruta cristalizada, mas tudo num registo de contenção e muita complexidade. A boca é de taninos finos, com estrutura, fresca e muita texturada. Termina austero qb, com muita tensão e um final longo e ceroso. Um vinho com delicadeza, apesar da curtimenta e do estágio em talha. Acompanhou em dois momentos um cozido à portuguesa e um anho assado na brasa, de forma brilhante. Sempre a uma temperatura a rondar os 14 grausa para tirar o máxiumo partifdo da sua estrutura e complexidade. Um digno representante de um topo de gama - branco, do... Alentejo, para apreciar vagarosamente! PVP: 35€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Em Prova: Paulo Laureano Vinhas Velhas Private Selection Branco 2016

Paulo Laureano é um enólogo que dispensa apresentações. Colabora há muitos anos em inúmeros projetos no Alentejo, para além das marcas próprias e cedo começou a se destacar sobretudo em vinhos de maior volume, facilmente disponiveis nas grandes superficies. Sempre muito bem feitos e com elevada rqp. Mas não é só. Os seus vinhos em nome próprio estão cada vez mais afinados e tive a oportunidade de provar o vinho Paulo Laureano Vinhas Velhas Private Selection Branco 2016 muito recentemente. Curiosamente, provei-o em Monção, no jantar do evento White Experience, onde conviveu com outros grandes vinhos brancos em prova no certame. 

Feito de Antão Vaz, que é uma casta que ainda não me apaixonou; por Paulo Laureano, um enólogo muito competente, mas que sempre associei a uma utilização mais intensa da madeira nos seus vinhos (o que não me agrada neste momento); e sendo proveniente do Alentejo, que não é propriamente a minha primeira escolha em brancos - tinha tudo para não ser de destaque, ainda para mais num evento cheio de vinhos brancos de extrema qualidade. Mas foi precisamente o contrário! É de facto um belíssimo vinho, nariz muito fresco, levemente especiado, com notas citrinas e de fruta branca mais madura. A boca é elegante e untuosa, com a madeira apenas a dar precisão ao conjunto, sem marcar. Apresenta  bom volume, terminando longo e persistente. Um branco eminentemente gastronómico, como qualquer bom vinho alentejano, que pede pratos de peixe de forno ou com azeite e certamente fará brilhar a refeição. PVP: 12,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Em Prova: Pouca Roupa Branco 2017


Pouca Roupa é o projecto de João Portugal Ramos desenvolvido com o seu filho, o enólogo João Maria, destinado a um público jovem, "à geração que vive online e constantemente ligados, que cria e vive experiências”. O nome da marca é também o nome do Monte Alentejano, onde está implantada a vinha que dá origem a este vinho, sendo ainda um “apelido comum no Alentejo”. 

Chega agora ao mercado, bem a tempo do verão o Pouca Roupa Branco de 2017. Vinho fresco, leve e frutado, muito equilibrado, onde predominamos citrinos e algum tropical à mistura. Boca de bom volume, com boa acidez e equilibrio de conjunto. Para beber a solo oa acompanhar uns petiscos tão apeteciveis nesta estação do ano. PVP: 3,99€. Grandes Superfícies.

Sérgio Lopes


quinta-feira, 3 de maio de 2018

Da minha cave: Lima Mayer Petit Verdot 2008


Lima Mayer é um produtor proveniente do Alentejo, mais propriamente localizado em Monforte - Portalegre, do qual poucos vinhos conheço ou tenho provado - confesso. Tive, contudo, a oportunidade de degustar o seu topo de gama, recentemente e às cegas num jantar proporcionado pelo meu amigo Duarte, que também serviu o vinho. Trata-se do Lima Mayer Petit Verdot, no caso específico, de 2008. Penso que este vinho é apenas produzido em anos excepcionais e quando produzido, será sempre em poucas quantidades. Adorei o vinho. Numa combinação de frescura e potência, a reflectir por um lado o ano de 2008, fresco, por outro lado a casta Petit Verdot no terroir Alentejano .Cor carregada, aroma super complexo entre fruta madura, algum balsâmico e especiaria. Boca cheia, com taninos maduros e os seus 10 anos de garrafa a dar-lhe um equilibiro notável. Termina fresco, muito longo e naturalmente gastronómico. Um exemplar do melhor que o Alentejo pode produzir. Grande vinho. PVP: 33€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 26 de março de 2018

Em Prova: Herdade dos Grous Moon Harvested 2014

Herdade dos Grous Moon Harvested 2014, deve o seu nome pelo facto de a vindima, feita manualmente, ocorrer "durante o ciclo de maior influência pela lua no transporte da seiva da videira", o que lhe confere características únicas. 100% produzido da casta Alicante Bouschet, que tão bem se dá no Alentejo, fermenta em lagares e estagia 12 meses em barricas novas de carvalho Francês. Trata-se de um  vinho com uma cor rubi muito bonita, muito complexo no nariz, com fruta madura, especiarias, mas sobretudo uma enorme frescura. A boca é aveludada, com taninos redondos e um ótimo volume de boca. A madeira aparece bem integrada, arredondando o vinho. Elegante. termina longo e muito prazeroso. Se o objetivo era produzir um grande vinho, nitidamente foi conseguido. Acompanhou na perfeição uma costela mendinha assada. Que delicia! PVP: 25€. Disponibilidade: Garrafeiras e Grande Superfícies.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Em Prova: Dona Maria Touriga Nacional 2013


Provei este vinho na visita que efetuei o ano passado, ao Alentejo de Júlio Bastos, entre tantas outras "coisas" boas provadas. Grande visita! Novamente, provada, agora um ano depois, acompanhou lindamente uma feijoada de casulas, feijão seco característico de trás-os-montes e que a "sogrinha" tão bem produz, na sua horta em Foz Coa. O vinho é um Touriga Nacional, 100%, com um ano de barrica nova. Perfil elegante e frutado, com um aroma perfumado de bergamota, taninos suaves e bom volume de boca, num corpo redondo e de final médio-longo. Um daqueles vinhos que dá prazer a beber a uma qualquer mesa, fresco e gastronómico. PVP: 15€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Em Prova: Vila Santa Reserva Branco 2016


Provei este vinho às cegas no evento de comemoração dos 25 anos de João Portugal Ramos e gostei dele imediatamente. Feito de Alvarinho, Arinto e Sauvignon Blanc, proveniente de solos xistosos, com fermentação parcial em barrica. O conjunto mostra-se aromático, com algum citrino e tropical, mas nada exagerado. Na boca aparece especiado e elegante, fresco e mineral, terminando com uma ligeira sensação de doçura que contra balançada por uma boa acidez, torna o vinho "giro". Gastronómico, talvez uma das melhores edições do Vila Santa Reserva Branco. PVP: 10€. Disponibilidade: Garrafeiras.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Radar do Vinho: Quinta do Mouro

O final da tarde do 4.º dia do grupo (meu 2.º) no Alentejo foi passado na Quinta do Mouro com o Miguel Louro, produtor excêntrico e um inigualável contador de histórias. Atualmente conta com a ajuda dos filhos, principalmente do Luís Louro, na enologia mas por vezes não lhes liga nenhuma e aparecem vinhos fantásticos como os Erros, fruto do acaso ou da teimosia do produtor. 

Já agora, os Erros da Quinta do Mouro são para quem gosta de vinhos diferentes e os que mais dizem da personalidade do seu produtor, não serão do agrado de todos, tal como o Miguel Louro, mas para mim, são dos mais interessantes que há no Alentejo.

A visita do nosso grupo ocorreu em simultâneo com a visita de um pequeno grupo de belgas e que até foi interessante, aumentando a interação, e se por um lado para eles foi um pouco mais difícil, pois às vezes, o Miguel Louro começava a falar em inglês mas depois entusiasmava-se e acabava a falar em Português, para desespero da sua assistente. 

Por outro lado, a dinâmica que se estabeleceu, fez que em vez de se abrir meia dúzia de vinhos, acabou por abrir todos os vinhos que estavam disponíveis ;) A adega é pequena e artesanal mas não impede de saírem grandes vinhos de lá, à imagem do Miguel Louro, muito irreverentes, completamente fora da caixa, mas de grande qualidade. Quando me dizem que não gostam de vinhos alentejanos porque são muito redondinhos e com pouca acidez, eu digo sempre, já provaste um Quinta do Mouro?

Bem, seguem as minhas notas de prova (sintéticas e pessoais, mais úteis a pessoas com gostos semelhantes):


- Vinha do Mouro Branco 2015 – equilibrado e seco (15,5);
- Apelido 2015 – mais intenso e ácido (16);
- 1.º Nome 2015 – com mais estrutura e equilibrado (17);
- Erro B 2015 – muito intenso e com grande acidez, precisando desesperadamente de comida e devendo melhorar com a idade, vinho de curtimenta total por causa de uma prensa avariada e que depois foi loteado com arinto para o tornar um pouco mais leve e fresco (17, por agora);
- Vinha do Mouro Tinto 2013 – um pouco adstringente e com acidez pronunciada que requer comida, é um bom vinho mas não é um entrada de gama fácil (16);
- Zagalos 2012 – mais elegante e do agrado geral (16,5);
- Quinta do Mouro 2010 – Encorpado e com taninos notórios mas já suficientemente polidos para dar uma boa prova (17,5);


- Erro 2 2011 – encorpado, muito intenso e com acidez a condizer e um sabor fabuloso, este é proveniente de umas barricas que deviam ir para o Rótulo Dourado mas ficaram esquecidas (18);
- Erro 3 2013 – meio corpo mas muito exuberante quer de aroma quer de sabor, com acidez elevada que resultou de um lote com Brett (que no produto final não se nota) de uma casta híbrida que um professor trouxe de Espanha, combinado com 50% de Trincadeira (18-18,5);
- Quinta do Mouro Touriga Nacional 2014 – aroma e sabor fabulosos com taninos ainda muito notórios e boa acidez, um vinho que diria que com mais uns 3 anos de garrafa pode bater-se com qualquer Touriga Nacional, mesmo agora, se decantada com tempo e acompanhar comida, já dá uma grande prova (18-18,5);
- Quinta do Mouro Cabernet Sauvignon 2011 – encorpado e muito intenso, com um aroma intrigante e um dos melhores Cabernets de Portugal, só perdeu por estar no meio de vinhos fabulosos (17,5);
- Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2011 – encorpado, muito intenso com taninos já domados, com madeira de qualidade, aroma e sabor fabulosos (18,5).

Duarte Silva (Wine Lover)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Em Prova: Monte de Seis Reis Tannat & Petit Verdot 2013


Confesso que não conhecia este produtor, Monte de Seis Reis, localizado em Estremoz, com uma área de 50 hectares e uma produção vinícola iniciada apenas em 2004. Encontrei este vinho à venda no L.Eclerc do Montijo e chamou-me a atenção pelas castas utilizadas, Tannat (60%) e Petit Verdot (40%), castas que normalmente imprimem um carácter vincado aos vinhos. Provado esta semana,  o Monte de Seis Reis Tannat e Petit Verdot, trata-se de um vinho especiado, com notas de cacau e algum chocolate, taninos macios e um corpo e final de médio porte. Diria que estamos, por um lado, na presença de um Alentejano "de gema", com o calor típico da região a mostrar-se, embora amparado por uma acidez qb. Por outro lado,"pisca o olho" a uma vertente quiçá mais internacional, pela sensação de doçura experimentada e que o torna apelativo a em busca de um público mais alargado. PVP: 12,5€. Disponibilidade: Garrafeiras.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Em Prova: Esporão Reserva Branco 2014


Comprei esta garrafa há uns tempos e sendo "filha única", mas relativamente fácil de encontrar nas grandes superfícies, decidi abri-la. Do ano 2014, já com 3 anos de garrafa, pareceu-me o momento certo para fazê-lo. Esporão Reserva Branco é composto por Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, fermenta e estagia, parte em inox, parte em madeira, sobre borras finas. Trata-se de um vinho muito afinado, com um toque de complexidade acrescida, acima da média, que não deixará ninguém ficar mal à mesa. Apenas há que ter algum cuidado com a temperatura pois facilmente pode passar de um branco fresco e agradável quando servido à temperatura correta, para algo mais pesado e alcoólico , com a subida da temperatura. Acompanhou muito bem um cozido à portuguesa devido à untuosidade, estrutura e acidez que o vinho apresentou, contrastando muito bem com a gordura de algumas carnes e a mistura típica de paladares de um bom cozido à portuguesa. Uma escolha segura na prateleira do hipermercado, de uma marca iconica do Alentejo - Esporão, capaz de juntar qualidade a uma produção de grande escala. PVP 10€ na Onwine.

Sérgio Lopes

sábado, 22 de julho de 2017

Em Prova: Pouca Roupa Rosé 2016


15/20. Pouca Roupa é o projecto mais recente de João Portugal Ramos (vai na sua 2ª edição), desenvolvido com o seu filho, o enólogo João Maria, destinado a um público jovem, "à geração que vive online e constantemente ligados, que cria e vive experiências”. O nome da marca é também o nome do Monte Alentejano, onde está implantada a vinha que dá origem a este vinho, sendo ainda um “apelido comum no Alentejo”.

O Pouca Roupa Rosé de 2016, elaborado a partir das castas Aragonês, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, é isso mesmo - um vinho despreocupado e descontraído, perfeito para o verão, com as notas típicas de um rosé, ou seja, fruta vermelha fresca, um lado vegetal e alguma secura a conferir um pouco mais de pendor gastronómico. Fresco, leve, directo, pronto para beber à piscina ou acompanhar algumas entradas. O Rosé, e já agora, o tinto e o branco - Pouca Roupa, encontram-se facilmente na grande distribuição a um PVP de 3,99€.