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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Prova de Vinhos Valle Pradinhos



Vale Pradinhos é uma exploração agrícola com 350 ha., estabelecida em 1913 e situada em Macedo de Cavaleiros. Os vinhos aqui produzidos são uma combinação de castas indígenas como a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Amarela e Malvasia Fina, e reputadas castas internacionais, nomeadamente Cabernet Sauvignon, Gewürztraminer e Riesling. Sendo o produtor com maior notoriedade e história, na região de Trás-Os-Montes, foi portanto com grande expectativa que finalmente efectuamos uma prova vertical dos vinhos actualmente em comercialização.


Porta Velha Tinto 2010


Ano: 2010

Produtor: Valle Pradinhos

Tipo: Tinto

Região: Trás-Os Montes

Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz

Preço Aprox.: 4,99€

Veredicto: Aroma onde predomina a fruta silvestre e algum toque vegetal, confirmado na boca. Neste momento, necessita de um pouco mais de garrafa (?), pois está um pouco inquieto. De qualquer das formas, apresenta uma prova agradável e cumpre com os seus propósitos de consumo diário, embora nessa guerra difícil, não sobressaia (pelo menos para já). O final é relativamente curto.

Classificação: 14,5



Valle Pradinhos Rosé 2011



Ano: 2011

Produtor: Valle Pradinhos

Tipo: Rosé

Região: Trás-Os Montes

Castas: Touriga Nacional e Tinta Roriz.

Preço Aprox.: 6,99€

Veredicto: Cor rosada. No nariz invade-nos uma grande frescura, com notas de cereja, morango e toques florais. Na boca o registo de frescura e elegância é evidente, graças a uma excelente acidez. De corpo médio, termina seco, de agradável persistência e com pendor gastronómico. Uma excelente aposta para acompanhar umas entradas ou como aperitivo.

Classificação: 15,5


Valle Pradinhos Branco 2011



Ano: 2011

Produtor: Valle Pradinhos

Tipo: Branco

Região: Trás-Os Montes

Castas: Malvasia Fina, Riesling e Gewürztraminer.

Preço Aprox.: 9,99€

Veredicto: Ora aqui está uma combinação de castas, no mínimo excêntrica: A típica Malvasia Fina, conjugada com as Alsacianas Riesling e Gewurztraminer... De cor citrina, brilhante, o nariz mostra-se bem aromático, com um autêntico bouquet de flores. Muito apelativo! De seguida, aparece a fruta tropical e as ...líchias. Na boca, é extremamente fresco, com um corpo médio, terminando bem persistente e nada enjoativo. Um branco deveras invulgar e que merece ser descoberto.

Classificação: 16




Valle Pradinhos Tinto 2008



Ano: 2008

Produtor: Valle Pradinhos

Tipo: Tinto

Região: Trás-Os Montes

Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Tinta Amarela.

Preço Aprox.: 9,99€

Veredicto: Estagia durante 20 meses em madeira. Composto pelas castas autóctones Touriga Nacional e Tinta Amarela, com a "intrusão" do francês Cabernet Sauvignon. Cor ruby intensa, com rebordo violáceo. No nariz o aroma é complexo, onde sobressaem as notas de fruta silvestre madura, com especiarias e tosta de madeira de qualidade. Na boca, os taninos são sedosos, mostrando-se com um belo corpo, embora mantenha a elegância característica do terroir. Termina longo e persistente. Um vinho que conjuga na perfeição elegância e potência.

Classificação: 16,5



Valle Pradinhos Reserva Tinto 2007



Ano: 2007

Produtor: Valle Pradinhos

Tipo: Tinto

Região: Trás-Os Montes

Castas: Cabernet Sauvignon (90%) e Tinta Amarela (10%).

Preço Aprox.: 20€ - 25€

Veredicto: Estagia durante 20 meses em madeira. Quase que pode ser considerado um monovarietal Cabernet Sauvignon, dado que 90% desta casta compõe o vinho. E como se comporta esta casta francesa em Trás-Os-Montes? Muito bem..Cor ruby intensa, com rebordo violáceo. No nariz o aroma é ainda mais complexo, onde ressalta uma enorme frescura e elegância. Continuam a aparecer os aromas a frutos do bosque e a especiaria fina, tudo com muita finesse. Na boca, é volumoso, guloso e aveludado, terminando com enorme persistência e muito agradável. Grande vinho, ainda muito jovem, com enorme potencial de envelhecimento.

Classificação: 17



Foi notório, na prova, uma linha condutora onde predomina a frescura e a elegância, aliadas a uma potência que se traduz num cariz gastronómico. Os 600 metros de altitude a que estão situadas as vinhas, bem como o trabalho de enologia de Rui Cunha, contribuirão seguramente para isso, apesar do teor alcoólico algo elevado nos vinhos provados.

Destaque naturalmente para os tintos 2008 e reserva 2007. Grandes vinhos e que provavelmente espelham da forma mais fiel o terroir de origem.

Nota: Amostras gentilmente cedidas pelo produtor.


Sérgio Lopes

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Prova de Vinhos Quinta do Arcossó

Embora os vinhos Valle Pradinhos sejam os vinhos com maior notoriedade da região de Trás-Os-Montes, a Quinta do Arcossó desponta como um produtor da região, a ter em conta. Apenas em 2005, o proprietário Amilcar Salgado decidiu investir na paixão pela feitura de vinhos. Para isso recorreu à enologia de Francisco Montenegro (Quinta Nova, Aneto, Bétula) e os resultados estão à vista. A Quinta do Arcossó possui 12 hectares de vinha, situados em Ribeira de Oura, uma zona com um micro-clima muito especial, situada algures entre Chaves e Vidago  (Lugar do Penedo do Lobo). Tivemos o privilégio de provar os seus vinhos. Aqui fica o veredicto.

Quinta de Arcossó Rosé 2011

Ano: 2011

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Rosé

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Bastardo

Preço Aprox.: 4€

Veredicto: 90% bastardo e o restante Touriga Franca (praticamente residual), um vinho de cor salmão, aromas a framboesas e morangos, fresco, seco e muito agradável. Termina de média persistência. Excelente relação qualidade-preço!

Classificação: 15,5

Quinta de Arcossó Branco 2011

Ano: 2011

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Branco

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Fernão Pires, Arinto, Outras

Preço Aprox.: 7€

Veredicto: Com fermentação parcial em barricas de carvalho francês e americano e battonage por 6 meses. Trata-se de um vinho de cor citrina. O aroma é extremamente complexo, muito fresco, com notas evidentes de fruta tropical, pêssego, alguma hotelã pimenta. Exuberante com notas florais e citrinas mais escondidas. Na boca apresenta-se untuoso, com notas amanteigadas, bom volume de boca, terminando longo, persistente e muito sumarento. Apesar de ligeiramente especiado, nunca se torna chato, uma vez que a acidez o torna nada enjoativo, antes pelo contrário, algo viciante.

Classificação: 16

Quinta de Arcossó Reserva Branco 2010

Ano: 
2011

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Branco

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Fernão Pires, Arinto, Outras

Preço Aprox.: 10€

Veredicto: Com fermentação parcial em barricas de carvalho francês e americano e battonage por 8 meses. As mesmas castas que o colheita, mas mais 2 meses de battonage e uma maior percentagem de Arinto na composição do lote. Trata-se de um vinho de cor citrina. O aroma é extremamente complexo, parecido com o colheita, mas ainda mais leve e elegante. Menos exuberante, para além do floral e do citrino, aparecem notas de palha seca, abaunilhado da madeira, continuando ligeiramente apimentado mas com maior mineralidade. Na boca, Com corpo, acidez, fescura, mostrando-se meloso, intenso, quase mastigável, especiado, com final longo e muito sumarento. Muito bem conseguido.

Classificação: 16,5

Quinta de Arcossó Colheita Tinto 2007


Ano: 2007

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Tinto

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Tinta Amarela, Tinta Roriz, Outras

Preço Aprox.: 7€

Veredicto: Com estágio de 8 meses em barrica e 12 meses em garrafa. Trata-se de um vinho de cor ruby. O aroma é fortemente especiado, apimentado até, com notas de tabaco. As notas balsãmicas e da tosta da barrica sobrepõe-se um pouco no conjunto, ocultando as leves notas perfumadas experimentadas. Na boca domina a madeira e o tom picante e especiado. Mostra-se fresco, com bom volume de boca terminando de média persistência. Um pouco rude e talvez a necessitar de mais algum tempo para se mostrar na sua plenitude. Com uma complexidade / madeira invulgares para um colheita. Gastronómico, necessita de decantação.

Classificação: 15,5

Quinta de Arcossó Reserva Tinto 2007


Ano: 2007

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Tinto

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Outras

Preço Aprox.: 10€

Veredicto: Com estágio de 12 meses em barrica e 18 meses em garrafa. A Tinta Amarela é substituída pela Touriga Nacional no lote. O vinho foi decantado e comportou-se de maneira diferente no próprio dia e após 2 dias. Trata-se de um vinho de cor ruby intensa. Aroma: No próprio dia, fortemente especiado, madeira evidente a sobrepor-se no conjunto. 2 dias depois, compotado, fruta madura em abundância, frescura intensa. Boca: No próprio dia, super especiado e com a tosta da madeira abundante. 2 dias depois, fruta mastigável, sedoso, belo volume de boca, frescura imponente, terminando longo e persistente, embora bastante seco. Um vinho que necessita de paciência e talvez mais algum tempo de garrafa... Bem conseguido, mostrando claramente a rudeza (no bom sentido) do terroir.

Classificação: 16


Quinta de Arcossó Superior Bago a Bago 2008

 
Ano: 2008

Produtor: Quinta de Arcossó

Tipo: Tinto

Região: Trás-Os-Montes

Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca

Preço Aprox.: 28€

Veredicto: Com desengace totalmente manual, escolhendo cuidadosamente cada bago, para posterior estágio de 18 meses em barrica, seguida de 16 meses de garrafa, em cave. Trata-se do topo de gama do produtor, com um preço bastante desfasado dos restantes sobretudo pela quantidade / custo de mão-de-obra utilizada para o efectuar o desengace manual. A cor é ruby intensa, muito bonita e viva. Aroma: Complexo, com fruta vermelha integrada numa madeira de qualidade, especiado, aveludado, fresco, em harmonia de conjunto. Na boca, fruta mastigável, bela acidez, taninos redondos, terminando seco e de média persistência. Elegante e sedoso, mas com um final talvez um pouco curto para um topo de gama.

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor

Classificação: 16,5


Em suma, um projecto que merece ser descoberto. Recente (2005) começa a mostrar todo o seu potencial. Neste momento considero que os brancos estão num momento fantástico e o rosé é uma excelente surpresa a um grande preço. Relativamente aos tintos, tem de se ter um pouco de paciência... mas o elevado potencial está lá.

Votos dos maiores sucessos à dupla Amilcar Salgado / Francisco Montenegro!


Sérgio Lopes