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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Radar do Vinho: Quinta de São Bartolomeu

A Quinta de São Bartolomeu situa-se em Alenquer. A tradição na produção de vinho remonta há décadas, tendo sido inclusive fonte de uvas fornecidas para a Quinta de Pancas, até à compra desta pela Companhia das Quintas, em 2006. Com essa aquisição, dá-se assim inicio à produção própria mais em força, contando com diversas gamas no seu portfolio - Olissipo, Bartolo, QSB e os topo de gama Quinta de Bartolomeu, entre outras referências soltas, como Marquês de Olhão ou Alenquer Valley. 
As gamas Olissipo branco e tinto, com pvp a 4,95€ são a porta de entrada para o projecto - vinhos correctos e equilibrados. A gama seguinte denomina-se Bartolo, também branco, rosé e tinto. Vinhos bem desenhados, com alguns anos de garrafa, o que não é usual nestas gamas mais entry level, frescos e equilibrados. A um PVP de 6,50€. Há ainda o Bartolo Sauvignon Blanc, um pouco acima dos restantes - 7,5€ que pretende aportar a identidade da casta francesa ao terroir de Alenquer. Está muito interessante. 
Na gama média, o Marquês de Olhão, com Touriga Nacional, Touriga Franca e Merlot está muito interessante, com taninos polidos, corpo elegante e bom volume de boca, numa combinação muito prazerosa. O QSB  apresenta a mesma combinação de castas, mas com os taninos um pouco mais maduros, mantendo a matriz de elegância e boa acidez de conjunto. Ambos muito gastronómicos, frescos e será uma questão de opção pessoal qual deles escolher. Ambos a rondar os 10€. Muito boas RQP.
A gama Quinta de São Bartolomeu apresenta um branco feito de Chardonnay e Arinto fermentados e estagiados em barricas de 2º e 3º ano, com battonage regular. Um branco untuoso, com os amanteigados do Chardonnay e a acidez do Arinto a resultar num vinho muito gastronómico, com uma bela gordura de boca. 10,5€. O Quinta de São Bartolomeu Tinto é feito de Merlot e Cabernet Suavignon. Apresenta-se complexo, com fruta preta evidente, corpo maduro, taninos firmes mas com polimento e final fresco e apetecivel. Muito interessante. 14,50€. Para finalizar, o Quinta de São Bartolomeu Cabernet Sauvignon, com as notas de pimento tão características em primeiro plano, mas de uma forma contida e que conferem frescura olfactiva ao primeiro impacto. A boca é elegante e fresca, com taninos firmes, mas sedosos, terminando com bom comprimento de boca. Um Cabernet que não cansa e mostra toda a frescura atlântica patente de uma forma geral nos vinhos da Quinta de São Bartolomeu. Apenas lhe falta um pouco mais de "punch" final, na minha opinião. 16,50€

Um projecto para acompanhar a sua evolução, sendo que neste momento penso que existem demasiadas referências e acredito que as gamas média e topo ainda poderão ser mais afinadas, conseguindo assim produzir vinhos que ombreiem com os grandes da região. Todos os vinhos podem ser adquiridos AQUI.

Sérgio Lopes 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Fora do Baralho: Vinha da Ordem Peregrino Tinto 2018

O Vinho da Ordem Peregrino, resulta da vontade de manter vivas algumas das mais antigas vinhas que se encontrem na proximidade da Vinha da Ordem e por conseguinte tenham uma elevada representatividade de castas antigas. Assim sendo ao produzir este vinho com as mesmas técnicas que o Vinho da Ordem, pretende-se dar a conhecer o vasto património vitícola e ao mesmo tempo ajudar a preservar estas vinhas. Nasceu assim este peregrino de uma vinha monocasta Jaen com mais de 63 anos de idade e que este ano se apresenta como colheita Vinho da Ordem Tinto, Peregrino 2018.

Peregrino pois tal como o Peregrino, caminha. Neste caso de vinha em vinha, com a missão de não a deixar morrer. Tal como os peregrinos, este é um conceito itinerante, que vai de vinha em vinha, à distancia de uma pequena caminhada. Que ano após anos visita algumas das mais antigas vinhas e que num trabalho conjunto, tenta que estas pequenas vinhas possam continuar vivas e sã.

Com pouquíssima intervenção e sem passagem por madeira, é um vinho puro, com fruta vermelha e um lado vegetal vincado que lhe confere muita frescura. Elegante, com taninos firmes, mas totalmente domados, bom volume de boca e final longo a pedir novo copo, fazem, deste vinho, uma delícia. São apenas 399 garrafas vendidas em exclusivo na Garrafeira Campo de Ourique, a partir de Março deste ano. PVP: 27€

Sérgio Lopes

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Em Prova: Casal da Fradissa

A Biossemente, empresa sediada em Mirandela, cultiva e transforma os seus produtos (vinho, mel e azeite) na freguesia da Fradizela - Mirandela. Os vinhos são designados Casal da Fradissa, dois tintos, fermentados em lagar e com enologia de Jorge Coutinho (Alta Pontuação, Galelo). Vinhos provenientes de Trás-os-Montes, denunciando de imediato a sua proveniência. Um terroir quente, mas em que Jorge Coutinho consegue extrair alguma frescura e fruta bonita. O Casal da Fradissa Tinto 2017 (6€) feito de Touriga Nacional, Tinta Amarela e Tinta Roriz de vinhas novas e velhas é muito equilibrado e versátil gastronomicamente. Gostei até um pouco mais do que o reserva. O Casal da Fradissa Reserva Tinto 2016 (10€), com passagem por madeira, num perfil mais sério e opulento, sem nunca perder a frescura, com toques de rusticidade e uma boca bem estruturada, como é habitual nos vinhos transmontanos. Dois vinhos de Mirandela a ter debaixo do radar. 

Sérgio Lopes

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Em Prova: Identidade AM Tinto 2018

Os vinhos "Identidade" são vinhos de boutique criados pelo Sommelier Pedro Martin, inspirados no carácter dos seus dois filhos. O Identidade AM Edição Limitada Tinto 2018, na sua segunda edição, de apenas 2000 garrafas, volta a ter enologia de Carlos Lucas, com o blend seleccionado pelo próprio Pedro Martin, composto pelas castas tradicionais da região do Dão.

Se na estreia se mostrava um vinho repleto de fruta, esta edição apresenta um vinho mais maduro, talvez em sintonia com o próprio crescimento do pequeno António Martin, quem sabe. A fruta está lá, mas também notas evidentes de grafite e alguma especiaria, num registo com mais corpo e um pouquinho mais de alcool, embora mantendo sempre a frescura como pano de fundo, como é apanágio da região. De novo, resulta num vinho desenhado para se beber com prazer, quiçá um pouco mais complexo e adulto que a edição do ano passado, que era mais jovial, irrequieta e sumarenta. Disponível: Martin Boutique Wines. PVP: 13,5€.

Sérgio Lopes

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Em Prova: Novos vinhos Lagoa Velha

A Quinta da Lagoa Velha é um projecto com tradições familiares na produção de vinho, na região da Bairrada, mais propriamente em Vilarinho do Bairro. Tomei contacto com os seus vinhos através dos pouco usuais blends de uvas brancas com uvas tintas dos quais se aguardam as novas colheitas. Para já, falo-vos da nova imagem, muito mais clean e moderna e de dois novos vinhos do segmento de entrada. São eles um espumante, o Lagoa Velha Bruto 2018, feito de Chardonnay, Bical, Arinto e Baga, muito equilibrado, com um nariz complexo qb que "ameaça" doçura, logo contrabalançado na boca com uma belíssima acidez. A mousse é agradável e a bolha nada agressiva, o que prova que é possível fazer um espumante gastronómico, para todos os dias e com versatilidade à mesa por menos de 6€!. O segundo vinho é um tinto, o Lagoa Velha Reserva 17, feito de Touriga Nacional Merlot e Baga, apresentando fruta em abundância, taninos firmes mas polidos e uma boca seca e de volume médio. Um tinto a mostrar bem a Bairrada, também bastante equilibrado e nada cansativo. Ambos os vinhos a um PVP de 5,95€, óptimos para o dia-a.-dia.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Radar do Vinho: Quinta do Couquinho

A Quinta do Couquinho está localizada em Torre de Moncorvo, sub-região do Douro Superior. São 70 hectares entre olival, mato e vinha, vinha essa plantada em socalcos, com as castas autóctones da região.  A produção anual da quinta é de aproximadamente 100.000 litros de vinho (pouco mais do que 130.000 garrafas - vinho de mesa e Porto) e 15.000 litros de azeite. A enologia está a cargo da dupla João Brito e Cunha (Quinta de S.José) / Victor Rabaçal (Quinta da Bulfata). Provamos os seguintes três vinhos:

O Couquinho Superior Branco 2018, resulta de um lote que integra cerca de 40% de Vinhas Velhas, com predominância de Rabigato, 40% de Viosinho e 20% de Gouveio. 20% do lote fermentou parcialmente em barricas de Carvalho Francês. Trata-se de um vinho que apesar de vir de uma região quente surpreende pela sua frescura. Notas florais e cítricas e um bom volume de boca, com boa acidez, contribuem para um branco bastante interessante, perfeito para comidas mais leves. PVP: 12€.

O Quinta do Couquinho Colheita Tinto 2016 tem na sua origem Touriga Nacional (50%), Touriga Franca (45%) e Sousão (5%), com estágio de 12 meses em barrica. Um tinto que mostra de onde vem, com fruta vermelha evidente e uma boca com taninos firmes mas com elegância, traduzindo-se num tinto bem equilibrado e competente. PVP: 12€. 

Finalmente, o Quinta do Couquinho Reserva Tinto 2016, com 60% do lote proveniente de vinhas velhas e estágio em barrica de Carvalho. Um vinho complexo, profundo e potente, com taninos maduros. Carnudo, sem no entanto perder a frescura.. Bom volume de boca, com a fruta combinada ainda com presença da madeira, num tinto claramente para a mesa e que precisa de tempo e atenção a degustar. PVP: 25€.

Sérgio Lopes

sábado, 28 de dezembro de 2019

Radar do Vinho: Aforista

Aforista é o nome de um projecto de vinhos da Beira Interior, mais propriamente de Pinhel. No seu portfolio produzem as seguintes referências Aforista Branco, Aforista Rosé, Aforista Tinto e Reserva Tinto e ainda um colheita tardia. Contudo, o meu destaque vai inteirinho para dois vinhos: O Aforista Branco confirma a excelência dos vinhos brancos da Beira Interior, num conjunto equilibrado, fresco e muito agradável de beber, a um PVP incrível de 3,5€. Deste branco, provei a última colheita no mercado, a de 2018 e também a de 2015, que estava numa excelente forma, com uma evolução muito interessante, cheia de vida. Muito bem! O Aforista reserva tinto 2014 foi também outro vinho que gostei particularmente, com taninos macios, bom corpo e um excelente equilíbrio a justificar os 5€ de PVP recomendado perfeitamente, traduzindo-se numa excelente escolha para o dia -a-dia. 

Sérgio Lopes

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Em Prova: Esporão Vinhos de Talha

Os vinhos da talha estão na moda e é curioso poder prova-los e verificar registos de produção diferentes, consoante o perfil do produtor. Se por um lado, destaquei o projeto XXVI Talhas pelo seu lado rústico, mas de grande nível - sobretudo com a referência Mestre Daniel (provado AQUI), não posso também de deixar de destacar, quase como no lado diametralmente oposto, os vinhos da talha do Esporão. São um branco e um tino, muito mais polidos, mas sem perder a identidade dos vinhos de talha, ou seja, alguma rugosidade, mas mais modernos por assim dizer. Mesmo que ambos com um pouquinho de álcool acima do que normalmente se utiliza neste tipo de vinhos, dão um grande gozo a beber. O Esporão Vinho de Talha Branco é feito da casta roupeiro e alguma vinha velha com as castas antigas da região. O Esporão Vinho de Talha Tinto é 100% produzido da casta Moreto. Ambos, com alguma rugosidade, mas uma enorme afinação e que serão excelentes companheiros à mesas. PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Fora do Baralho: Indígena Tinto 2018

Repito-me constantemente ao elogiar a qualidade e consistência em cada referência que a Herdade do Rocim lança para o mercado. E este vinho não foge a essa batuta. Chama-se Indígena e é o primeiro vinho biológico produzido no Rocim. 100% Alicante Bouschet, com fermentação em depósitos de cimento e posterior estágio nos mesmos por 9 meses. Um vinho desconcertante, que apesar dos seus 14 graus de álcool apresenta uma enorme frescura e concentração. Fruta preta e notas mentoladas fazem com que apeteça beber, sem cansar. Muito atraente e com uma acidez invulgar, que se aplaude. Que bela surpresa. PVP: 11€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sábado, 7 de dezembro de 2019

Em Prova: Herdade do Rocim Alicante Bouschet 2017

O Herdade do Rocim Alicante Bouschet é um tinto Alentejano lançado juntamente com o Herdade do Rocim Touriga Nacional (provado aqui) e o Herdade do Rocim Reserva. Apesar de todos serem naturalmente diferentes entre si, têm em comum a imagem cravada no rótulo de um pássaro (apenas muda a cor consoante o vinho) como referência à apologia da biodiversidade e à missão de não deixar extinguir a planta linaria, que se encontra na propriedade. 

Este vinho é, claro está, produzido 100% de Alicante Bouschet, essa casta mais alentejana que Francesa, digo eu, e que tão bons vinhos produz na região.  Fermentou em lagar de pedra e estagiou em barrica de carvalho francês, por um ano. É um vinho onde ressaltam, notas balsâmicas, vegetais e alguma fruta negra - nariz muito complexo e intenso. Na boca é denso e poderoso, confirmando a região e casta de onde provém, com taninos firmes e uma boa estrutura de boca - com vigor, mas amparados numa belíssima acidez, que lhe confere uma enorme frescura e o torna delicioso. Vinho bem gastronómico e que irá evoluir em garrafa. Surpreendentemente equilibrado!  PVP: 11€. Grandes Superfícies/ Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Em Prova: Vadio Tinto 2015

Vadio é o nome do projeto de Luís Patrão, na Bairrada, onde espumantes, brancos e tintos são produzidos com as castas autóctones da região. O Vadio Tinto 2015 é feito 100% de Baga e segue a linha dos vinhos produzidos com olhares modernos sobre o passado. Assim temos um tinto de cor mais aberta, com fruta discreta e um lado calcário a conferir lhe frescura. O corpo é médio, com pouca extração e muito sabor, com uma acidez equilibrada que faz com que a garrafa vá desaparecendo com muito prazer, copo após copo. Com apenas 12,5 graus de álcool e enorme versatilidade à mesa, é um vinho com uma excelente relação qualidade-preço, perfeito para quem pretende começar a provar Bagas, prontos a beber, mas com complexidade. Só para terem, uma ideia, este vinho apenas se mostrou ao segundo dia. No primeiro dia estava impenetrável! PVP: 11€ Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Em Prova: Trilho em pormenor Tinto 2016

Tenho o prazer de acompanhar o projeto do Pedro Coelho praticamente desde o inicio. Ainda me lembro quando o conheci, numa pequena feira de vinhos no Porto, num piso inferior para os lados do Bolhão. Gostei imediatamente do projeto - diferenciador para a região, e fico muito feliz em vê-lo chegar a um patamar de consistência de qualidade, que culmina com este magnifico vinho tinto, topo de gama, dos melhores vinhos que provei este ano - Trilho em Pormenor Tinto 2016. Desfazendo o nome TRILHO temos a explicação do vinho: TRILHO TRIO TRI. Assim, o nome indica que, seguindo um TRILHO (caminho) feito por um TRIO (os 3 sócios deste projeto) em 3 vinhas, fermentadas em TRI (3 ) tipos de fermentações diferentes. Uvas provenientes de vinhas muito velhas (+80 anos), com predominância de Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franca. Duas das vinhas, plantadas no planalto de Alijó a 700mts de altitude e a terceira de uma vinha perto de S. João da Pesqueira. Vinho vinificado com leveduras indígenas, seguindo a linha Pormenor. Fermentação com 80% de engaço, maceração leve e pouco extrativa durante 8 semanas.

Apesar dos seus 24 meses de estágio em barricas e pipas usadas de Carvalho Francês de 225lts e 500lts, a madeira não se sente, apenas aportando complexidade a um conjunto tenso, mas com uma elegância suprema. Bom tanino, Fruta vermelha muito boa, boca muito fresca, com uma acidez salivante e álcool moderado, que torna o vinho delicioso e sumarento, gole após gole. 

Um vinho atual, de futuro, elaborado com premissas dos antepassados Durienses. Que seguramente irá envelhecer bem em garrafa. Cerca de 600 garrafas produzidas. PVP: 40€. Garrafeiras Selecionadas.

Sérgio Lopes

sábado, 30 de novembro de 2019

Fora do Baralho: Serra Oca Castelão 2018

A Quinta do Olival da Murta é um projeto de natureza familiar, que vai na sua quarta geração. Situada na Estremadura, a 80 Km da cidade de Lisboa, possui terrenos de grande influencia Atlântica e um micro clima da vertente norte da Serra de Montejunto, caracterizado pela grande amplitude térmica. Pertence à Sub região de Óbidos.

Para além dos famosos brancos de curtimenta que produz, este ano lançou um novo vinho tinto, o Serra Oca Castelão 2018. Como seria de esperar é um vinho "fora da caixa", desde logo apresentando uma vertente desta casta com pouca extração a começar pela cor pouco carregada. Depois, é claramente "bio" no primeiro impacto olfativo, com notas evidentes de redução no nariz e a fazer lembrar o lagar. Na boca é surpreendentemente fresco e fácil de beber, de corpo médio, com uma acidez acutilante e apenas 12,5 graus de alcool, para acompanhar pratos não muito fortes, ou condimentados mas leves, ou simplesmente a conversar entre amigos. Um vinho muito diferente e que seguramente não será para todos os gostos. Cerca de 1220 garrafas produzidas.

Sérgio Lopes

sábado, 23 de novembro de 2019

Em Prova: Ensemble Tinto 2015

Vinho produzido no Douro Superior com 85% de Sousão e 15% de vinhas velhas, sendo o projecto pessoal de dois enólogos, Victor Rabaçal (Quinta do Couquinho / Quinta da Bulfata) e Pedro Ribeiro (Quinta da Terrincha).

Chama-se Ensemble e é de 2015. 

Fruta vermelha e preta carnuda no nariz a denunciar imediatamente de onde vem, com notas especiadas e da madeira ainda um bocadinho evidentes. A boca é potente, atirando-nos de imediato para o Douro Superior. Contudo há frescura a equilibrar o conjunto Os taninos são firmes, a conferir tensão ao vinho. Termina longo e muito gastronómico.

Um vinho que precisa de mais tempo de garrafa, mas que à mesa dá já um enorme prazer.

Acompanhou uma carne grelhada maturada de forma muito competente.

PVP:30€

Sérgio Lopes

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Em Prova: os Tintos da Quinta da Gricha

A Churchill´s foi fundada em 1981 por John Graham, representando a 5ª geração da sua família a fazer vinho no Douro. Foi a primeira empresa de vinho do Porto a ser fundada em mais de 50 anos e mantém-se atualmente como um produtor familiar e independente. Dedicada inicialmente só aos vinhos do Porto, desde a aquisição da Quinta da Gricha em 1999, a Churchill’s também produz vinhos DOC Douro, além de vinhos do Porto e tranquilos de qualidade premium unicamente desta propriedade.

De uvas exclusivas da Quinta da Gricha, são produzidos três vinhos tintos: o Gricha 2017 é feito através de um lagar robótico e pretende preservar os aromas primários das uvas, promovendo uma menor extração. O resultado é um vinho cheio de fruta fresca - bonita, com destaque para mirtilos e ameixa. Bem perfumado - apetece logo provar. A boca apresenta a madeira bem integrada, corpo médio, notas minerais, bom volume e final vibrante e texturado. Elegante e seco, num registo de menor corpo, mas muito sabor. PVP: 30€. O Quinta da Gricha Touriga Nacional Talhão 8 é produzido exclusivamente de uvas plantadas de Touriga Nacional no talhão 8, no ano 2000. Trata-se de um excelente exemplar da casta, com um nariz muito floral, cheio de violeta e algumas notas especiadas. Tudo num registo limpo e fresco, de grande finesse. Na boca apresenta-se sedoso e envolvente, com taninos suaves, terminando longo e com grande tensão. Um belo exemplar da casta no Douro. PVP: 40€. Finalmente, o Quinta da Gricha 2017 é vinificado em lagar, de forma tradicional, sendo essa a principal diferença para o Gricha. Trata-se de um vinho que precisa de tempo em garrafa, mas que já mostra todos os atributos de um grande vinho: Complexidade aromática, com notas especiadas, florais e de fruta vermelha e preta. Na boca, mostra-se denso e carnudo, mas sempre num registo de elegância de conjunto. Termina longo e muito tenso, focado numa fruta deliciosamente apetitosa. Adorei. PVP: 55€.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Em Prova: Bojador Vinhos de Talha

Bojador é um projeto pessoal de Pedro Ribeiro (Herdade do Rocim) que materializa um sonho antigo - transformar em vinho a ligação que tem ao Alentejo. Começou a dar os primeiros passos em 2010, tendo seleccionado a Vidigueuu mjiraa para o fazer, com o objetivo de produzir vinhos que transportem a alma do Baixo Alentejo, desenhados a partir de vinhas velhas selecionadas e acompanhadas ao pormenor. Do portfolio constam as seguintes referências: Bojador Colheita Branco, Tinto e Rosé; Bojador Tinto Reserva, Bojador Espumante Brut, Bojador Vinho de Talha Branco, e Bojador Vinho de Talha Tinto. Os vinhos de talha têm tido um protagonismo mais evidente neste projecto embora representem apenas 10% do volume produzido. Foram precisamente os Bojador feitos na talha que provamos com muita atenção nos últimos dias e que nos impressionaram os sentidos. 

São vinhos que respeitam a forma ancestral de fazer vinho da talha, vinificados pelo processo tradicional, em talhas de barro e sem controlo de temperatura, com a fermentação através leveduras indígenas da região e sem qualquer adição ou correção dos mostos. O Bojador vinho de talha tinto 2018 é composto pelas castas Trincadeira, Moreto e Tinta Grossa. É um vinho com um nariz sedutor, cheio de notas de fruta vermelha fresca, com destaque para a ameixa e cereja. A boca tem alguma rugosidade, um toque mineral, mostrando-se muito fresco e que dá grande gozo a beber. Leve, com grande equilíbrio, inebriante, provavelmente o melhor tinto em talha que provei. Um vinho que não cansa.  O Bojador vinho de talha branco 2018 é composto das castas Perrum, Roupeiro, Rabo de Ovelha e e Manteúdo. Neste momento, acredito que os brancos em talha brilham mais do que os tintos. E confirma-se - adorei este branco. De cor dourada, o nariz apresenta notas meladas e resinosas, forte pendor mineral e leve toque vegetal. A boca é super fresca e delicada, texturada, apresentando um bom volume e final crocante e a pedir novo copo. Provavelmente o vinho branco de talha com mais classe que provei. Belíssimo. PVP de ambos 42€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Da Minha Cave: Mirabilis Grande Reserva Tinto 2015

Os vinhos Mirabilis nascem na vindima de 2011 no “Atelier do Vinho”, uma pequena adega com capacidade para 17.800 litros. “No ‘Atelier do Vinho’ a produção é 100% manual e vinificamos pequenas parcelas e subparcelas da quinta que se mostram excecionais, ensaiando diferentes sistemas de maceração e maturação, com o objetivo de alcançar vinhos de detalhe, com uma filosofia de interpretação territorial e com uma profundidade única e fora de série” Por Luisa Amorim.

De facto a descrição acima assenta que nem uma luva ao perfil do Mirabilis Grande Reserva Tinto 2015, provado e claro, bebido com enorme prazer no restaurante Vilamar. Trata-se realmente de um vinho repleto de classe, com aroma muito fino, centrado na fruta duriense, mas muito delicado e profundo. A boca é de uma elegância suprema, com a barrica super integrada nesta fase, taninos macios e muita frescura e um final longuíssimo. Daqueles vinhos cheios de precisão, mas com intensidade, acidez e textura no ponto. Que grande vinho, que dá grande prazer a beber já, mas vai ainda melhorar com o tempo em garrafa! PVP:90€

Sérgio Lopes

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Novidade: Retrovisor Tinto 2017

Carolina GRAVIna e Paulo TrinDADE são os rostos por trás do projeto Gravidade, cujo tinto com o mesmo nome tem sido muito falado entre a comunidade enófila. O Retrovisor 2017 é o novíssimo vinho, lançado pelo casal, feito de vinhas velhas com mais de 80 anos, junto ao Rio Douro. De aroma muito complexo, com destaque para fruta preta e vermelha, especiarias e chocolate, mas tudo num registo fino e contido. Na boca apresenta-se muito fresco, com taninos firmes mas elegantes, mostrando-se aveludado e surpreendentemente muito mineral. Termina longo e sumarento. Um vinhas velhas muito interessante, que apenas se tem de ter algum cuidado quando sobe a temperatura, pois os seus 14,5 levam-no-no para um lado mais apelativo e comercial e menos mineral. 1333 garrafas a um PVP de 19,95€, disponível nas melhores garrafeiras do país- 

Sérgio Lopes

sábado, 2 de novembro de 2019

Radar do Vinho: Encostas do Sonim (Os tintos)

Encostas de Sonim produz vinhos da região de Trás-os-Montes. Os rostos por trás do projeto chamam-se Dina Pessoa e Hélder Martins, que retomam a tradição do cultivo da vinha e fabrico da vinha que remonta à ocupação romana. Fernando Pessoa, seu pai, herdou as vinhas que eram do pai, avô e do bisavô. Hélder formado em Engenharia Civil e Dina, professora de Música nos Açores, decidem mudar de vida, e com base na tradição familiar, lançar-se para a produção de vinho de forma profissional e como atividade principal. Reestruturam o projeco, criando uma zona para receber as pessoas e dar provas, uma sala de visitas e uma nova adega com tecnologia de ponta para elaboração de vinhos de extrema qualidade. Hoje a vinha de 17 hectares plantada em solo granítico, ainda que sustente uma produção de menor dimensão, procura atingir o potencial máximo da sua qualidade. A enologia está a cargo de Francisco Montenegro (Aneto, Quinta do Arcossó). Provamos os tintos e adoramos!
O Encostas de Sonim Reserva 2017 é feito de Touriga Nacional, Tinta Amarela e Tinta Roriz, com estágio de um ano em barrica de carvalho francês. Trata-se de um excelente exemplar da região transmontana, com um grande equilíbrio - taninos suaves, fruta boa, especiaria e a rusticidade característica, num conjunto super versátil para a mesa. Excelente RQP. 7,5€. 
O Encostas de Sonim Grande Reserva Vinhas Velhas 2014 é feito em lagar. O perfil resulta opulento, da complexidade das vinhas velhas e do estágio de 18 meses em barrica. Talvez seja o vinho de perfil mais clássico dos três, com uma boca a demonstrar de onde vem, cheio de volume, taninos firmes e muita complexidade. É um vinho tenso e potente, com boa acidez, a precisar da comida certa para brilhar. E de tempo para degustar. 15€

Finalmente, o meu favorito, o Encostas de Sonim Grande Reserva Touriga Nacional 2015. Impressionou-me a finura dos taninos e a elegância do conjunto. Sem virar às costas à região quente de onde provém apresentou-e super complexo, muito fino e com uma fruta muito bonita e apetecível, com a madeira a dar-lhe dimensão de boca, complexidade e um final de boca longo e incisivo. Um grande vinho de Trás-os-Montes cheio de frescura! 20€.

Sérgio Lopes

sábado, 19 de outubro de 2019

Em Prova: Malo Diamond Tinto 2015

Confesso ser raro comprar ou beber vinhos da Península de Setúbal, talvez porque associo a região a vinhos com fruta mais madura, fugindo um pouco do meu perfil. Contudo, nos vinhos somos surpreendidos constantemente. E foi o que aconteceu com este Malo Diamond, feito de Alicante Bouschet, Syrah e Cabernet Suavignon que se mostrou um vinho super equilibrado. Nariz com  notas de fruta preta e um lado mentolado muito giro a conferir frescura logo no primeiro impacto, Boca com taninos macios, corpo médio e final de boca a pedir algo para mastigar. Sem sobre maturações e num perfeito equilibrio doçura - acidez. Foi o parceiro ideal de uma carne de porco estufada. E ligou lindamente. PVP: 6€. 

Sérgio Lopes