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terça-feira, 26 de março de 2019

Novidade: Ládano

Mais um projeto novo, de um jovem, Daniel Carvalho Costa, que após ter trabalhado 12 anos no mundo do vinho, com diversas experiências, sentiu que tinha chegado o momento de seguir o seu próprio projeto. Nasce assim o projecto Ládano, em 2018, que para já contempla apenas dois vinhos, um tinto e um branco, provenientes de vinhas quase centenárias, situadas no Douro Superior, mais propriamente em Freixo de Espada à Cinta. O mote do projeto é o de expressar o terroir do Douro Superior e da vinha velha, resultando em vinhos distintos, com pouca intervenção e com fermentação espontânea. Daniel, sendo a 4ª geração de uma familia de produtores Durienses (Quinta de Santa Eufémia), o vinho naturalmente corre-lhe no sangue. Neste momento partilha a adega com o amigo Pedro Coelho (Pormenor Vinhos), mas a ideia é crescer de forma sustentada. A título de curiosidade, Ládano é a resina que provém da planta esteva, planta tão característica nos descritores sensoriais dos nectares durienses. Destaque também para a rotulagem, bonita e sóbria, com apontamentos de azulejos, a fazer lembrar... Portugal.

O Ládano Branco 2016 é produzido das castas Rabigato e Arinto, de uvas plantadas entre 400-600 metros de altitude, de uma vinha com 50 anos. Trata-se de um vinho muito fresco, cremoso, elegante e mineral, onde a barrica velha utilizada por 12 meses está perfeitamente integrada, conferindo apenas mais volume e untuosidade. Não sendo um potento de acidez, como até se poderia esperar pelas castas utilizadas, é um vinho muito contido e seco, com uma frescura e cremosidade não muito habituiais para o Douro Superior. Vai crescer em garrafa. 12,5º de alcool e apenas 1000 garrafas produzidas. PVP 14,5€. O Ládano Tinto 2016 provém de uma vinha com cerca de 70 anos, de videiras com mais de 15 variedades de castas. Estamos na presença de um vinho com uma fruta preta e vermelha silvestre muito bonita e fresca. A boca apresenta taninos macios e algo aveludados, mostrando-se um conjunto sumarento, equilibrado e amigo da mesa. Termina com bom comprimento e sem excessos. Também gostei, sobretudo porque sendo de um terroir tipicamente com ampltudes termicas muito elevadas, mostra-se fresco e com fruta apetecivel, sem sobrematurações. 4600 garrafas produzidas. PVP: 14,5€. Um projecto a acompanhar.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 18 de março de 2019

Radar do Vinho: Quinta do Arrobe

A região do Tejo anteriormente designada por Ribatejo, assiste hoje a uma mudança, com um número crescente de projetos de qualidade com vinhos muito apelativos, mas com o seu grau de complexidade. Vinhos feitos para beber com prazer. É o caso da Quinta do Arrobe localizada em Casével, Santarém, bem no coração do Ribatejo. Um projecto que iniciou de forma profissionalizada há 11 anos, recuperando a tradição familiar que remonta a 1882, onde já se se produzia vinho. .A Quinta do Arrobe contempla as marcas Sensato (gama de entrada) Mensagem e Oculto (gama média) funcionando também como homenagem a Fernando Pessoa, com a célebre frase ‘Boa é a vida, mas melhor é o vinho’ e finalmente Quinto Elemento, normalmente vinhos que pretendem ser diferenciadores e expressar a monocasta nos solos argilo-calcários da Quinta (Syrah, Cabernet Sauvignon, Arinto e o mais recente blanc de Noir de Trincadeira-Preta). Provamos alguns dos vinhos que passamos a descrever:

O Mensagem Branco (6€) é composto por Fernão Pires,  Arinto e Sauvignon Blanc, num conjunto franco e direto, frutado e de fácil agrado. O Oculto (6€) é um tinto composto por Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional, com um perfil internacional, onde predomina a fruta preta, alguma especiaria e uma boca média, com taninos redondos, amparados por uma boa frescura. Bem conseguido e uma óptima escolha por 6€. O Mensagem Reserva Tinto (15€) é feito de Cabernet Sauvignon e Merlot. Trata-se de um vinho bem estruturado, com um binómio frura madura - pimento muito interesante. Fresco, com taninos firmes, mas domados. Complexo, longo e de perifl internacional, mais uma vez , mas sem exageros de sobrematuração. Gostei bastante.
Da gama Quinto Elemento provamos o Reserva Arinto Chão de Calcário (14€), que como o próprio nome indica, pretende ser a expressão da casta Arinto no terroir da Quinta do Arrobe. Trata-se de um vinho con notas citrinas e florais, tudo num registo contido e bonito. A boca é elegante e com alguma untuosidade, terminando em harmonia, Um conjunto muitíssimo equilibrado, num branco muito apelativo e fácil de beber. Para mim, só precisava de um pouquinho mais de acidez para ter o fator "wow". Mas está bastante bem! No lado oposto, o Quinto Elemento blanc des noirs (16€) é um branco feito da uva tinta Trincadeira Preta. Aqui, apesar do lado aromático contido, temos uma boca mais cheia, mineral e estruturada, num registo de grande pendor gastronómico. Uma belíssima curiosidade. A precisar de tempo.

Dos tintos desta gama, terminamos em beleza a prova com o Quinto Elemento Syrah (15€), um tinto bem guloso, cheio de fruta preta madura e um lado vegetal que lhe confere frescura. A boca é ampla, com taninos redondos e final saboroso e persistente. Excelente companheiro à mesa; Finalmente, o Quinto Elemento Cabernet Sauvignon (18€), o meu preferido, com um aroma bem complexo e profundo. As notas de pimento verde são evidentes, mas sem incomodar, antes pelo contrário aportam uma sensação imediata de frescura no nariz. Encorpado, com a fruta silvestre e especiarias em bom plano,  tem uma boca estruturada,  mas elegante, terminando longo e muito prazeroso. Um belíssimo vinho, finalizando assim a nossa prova em beleza!

Sérgio Lopes

quinta-feira, 14 de março de 2019

Em Prova: Muxagat Tinto 2015

O projecto Muxagat é proveniente do Douro Superior, mais propriamente da região da Meda. Atualmente com a enologia de Luis Seabra resultam em vinhos muito minerais e pouco extraidos, privilegiando esse lado fresco e contido, mais elegante. 

Curiosamente o Muxagat Tinto 2015, fruto de um ano quente, é um vinho focado numa fruta mais presente logo ao primeiro impacto. Uma fruta vermelha e preta madura, mas muito bonita. A boca apresenta taninos firmes, mas redondos, um bom volume e muita frescura, resultando num conjunto onde o binomio fruta - secura, está muito bem. Termina guloso e longo, sempre amparado por uma boa acidez, o que lhe confere uma grande aptidão gastronómica. Talvez uma das edições mais bem conseguidas deste vinho, na minha opinião. PVP: 11€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 8 de março de 2019

Em Prova: Quinta da Costa do Pinhão Tinto 2014


A Quinta da Costa do Pinhão fica às portas de Favaios. Um projeto duriense muito recente de que gosto muito e cujo primeiro ano de lançamento foi 2014. O Quinta da Costa do Pinhão Tinto precisamente de 2014 é feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca de vinhas com cerca de 45 anos. À primeira vista, pela composição de castas, parece uma cópia do Gradual, provado aqui. Mas não é. A percentagem de cada casta é diferente (O Quinta da Costa do Pinhão tem mais Tinta Roriz e o Gradual mais Touriga Nacional). Depois, há também mais um pouco de extracção e consequentemente tempo de barrica e posteriormente Inox para arredondar os taninos naturais das castas utilizadas.

Assim, o perfil deste vinho é ligeiramente diferente, sendo mais próximo de um Douro clássico, sem nunca perder elegancia, mostrando-se também mais sério. E sobretudo muito complexo. É um vinho com fruta vermelha, mas também notas mais terrosas e um lado vegetal mais em evidência. Especiado, mineral, fresco e com taninos frimes, mas elegantes e cheios de textura. Com corpo cheio, termina longo e com um belíssima acidez e profundidade,  pedindo decantação. Um jovem de 2014, cheio de vida, num perfil a meio caminho entre o clássico e a modernidade, sempre com o toque de elegância que é a imagem de marca do produtor. PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 6 de março de 2019

Em Prova: Gradual Tinto 2014

O fim-de-semana de carnaval terminou com uma passagem e visita pela Quinta da Costa do Pinhão, às portas de Favaios. Um projeto duriense muito recente de que gosto muito e cujo primeiro ano de lançamento foi 2014. O Quinta da Costa do Pinhão Gradual precisamente de 2014 é feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca de vinhas com cerca de 45 anos. 

Com enologia de Luis Seabra, é um vinho com uma fruta fresca muito bonita, especiarias, um toque balsãmico e um lado mineral dos solos de xisto com laivos de quartzo. Na boca apresenta meio corpo, com taninos redondos, mas firmes. Um vinho elegante e "easy drinking" mas que é complexo e algo sério, com amplitude e profundidade, apesar da sua aparente facilidade de prova.  

È o "entrada de gama" do produtor, um DOC Douro com apenas 12,5% ,que é uma delicia, não cansa, sendo super versátil à mesa. PVP 12.90€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 1 de março de 2019

Novidade: Pardusco PRVT. Escolha Tinto 2015


Destacar um vinho tinto do mestre dos brancos de Alvarinho, Anselmo Mendes, não seria óbvio. Mas esta nova edição do Pardusco Private 2015 merece realmente destaque. Pardusco era o nome dado aos primeiros vinhos tintos da sub-região de Monção e Melgaço que eram exportados para Inglaterra, no século XIV - sim a região já foi de tintos!. Existe uma versão deste vinho que ronda os 6€ que apenas vai a Inox e é um exdelente vinho fresco para o verão. O Private já é mais sério, pois passa 2 anos por madeira usada mais um ano de estágio em garrafa.

Eu apenas conhecia a edição de 2012 (penso que terá sido a primeira) e chega agora a segunda edição, do ano 2015. Um tinto dos "verdes" lançado 4 anos após a colheita! O resultado é excelente. Ao primeiro impacto encontrei muitas similaridades com o vinho Zafirah do discípulo de Anselmo Mendes - Constantino Ramos, que também participa neste vinho. Semelhanças sobretudo na fruta bonita e no toque a cedro da madeira e um lado até ceroso. É também um vinho com fruta fresca vermelha, muita frescura de boca, algo aveludado e personalizado. Elegante, com pouca extração, mas estrutura suficente para aguentar um bom arroz de pato ou carnes brancas, por exemplo. Eu bebi-o com uma carne de porco à Alentejana e esteve muito bem. 

Um vinho tinto feito segundo as antigas tradições Portuguesas, ou seja, um vinho de lote com estágio prolongado em barricas usadas que está uns bons furos acima da edição de 2012 na minha opinião. Pena o preço - 20€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Novidade: Madre de Água Vinhas Velhas Tinto 2016

A Quinta e Hotel Rural Madre de Água situam-se em Vinhó, Gouveia em plena Serra da Estrela, um projeto recente, iniciado em 2008, com abertura do Hotel em Janeiro de 2013 que pretende reavivar as artes e tradições da região.
Os vinhos são por isso também recentes e contam com a enologia de Paulo Nunes (Casa da Passarela, Casa de Saima) que tem feito um trabalho notável também em Madre de Água, projetando os seus vinhos para a ribalta.

Da gama completa falaremos num outro texto, pois hoje venho destacar a mais recente "estrela da companhia", o Madre de Água Vinhas Velhas Tinto 2016.

Proveniente de uma vinha com 50 anos, é naturalmente um blend de castas entre as quais se destacam por exemplo a Tinta-Pinheira, Jaen ou Baga... entre outras. É vinificado em lagar de granito, com engaço parcial e estagia em barrica usada por um ano.

Esta conjugação de castas muito frescas de uma vinha velha e a passagem comedida por madeira usada, resultam num vinho muito elegante e distinto, bem ao jeito de Paulo Nunes. Aqui temos claramente assinatura do enólogo.

Muito focado na fruta vermelha fresca, com alguns apontamentos florais e especiados, impressiona pelo equilibrio e finesse de boca, com uma fruta muito suculenta. Taninos macios, mas firmes, meio corpo, belíssima acidez seca e final longo e guloso. Altamente versátil à mesa. Uma grande surpresa! PVP: 13,5€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Em Prova: Identidade AM Edição Limitada Tinto 2017

Os vinhos "Identidade" são vinhos de boutique criados pelo Sommelier Pedro Martin, inspirados no carácter dos seus dois filhos. 

O Identidade AM Edição Limitada Tinto 2017, "partiu do carácter intenso, aguerrido e doce do seu filho António Martin". 

São 1300 garrafas de um vinho feito na Magnum Wines de Carlos Lucas, no Dão, composto por 50% Touriga Nacional, Tinta Roriz 20%, Alfrocheiro 20% e Jaen 10%.

O blend típico do Dão mostra um vinho repleto de fruta fresca, algum toque floral, e leve especiaria. Todo o conjunto transpira jovialidade e frrescura. 

A boca é macia, o corpo é médio e o final sumarento e focado na fruta. Sempre com a frescura em pano de fundo e uma certa contenção a mostrar que o tempo de garrafa lhe vai fazer bem. Excelente companheiro à mesa. 

Mais um vinho desenhado para se beber com prazer. 

Menos impactante que o irmão branco (Identidade OM), mas muito prazeroso e um digno exemplar da região, onde frescura e jovialidade imperam. 

PVP: 13,50€. Dipsonibilidade: Martin Boutique Wines.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Em Prova: Quinta do Todão

A Quinta do Todão situa-se em frente à localidade de Gouvinhas, na sub-região do Cima Corgo. Trata-se de uma quinta histórica, com referências seculares no vinho do Porto. A sua área de vinha estende-se por 50 hectares, tendo sido uma grande parte reconvertida sob a orientação da equipa de viticultura da Quinta do Crasto. Durante muitos anos as uvas eram vendidas às casas clássicas do Vinho do Porto, mas mais recentemente decidiram produzir o seu próprio vinho, o que tem acontecido com alguma frequência nos últimos anos, no Douro, onde produtores de dimensão mais pequena, investem no seu próprio projeto. No ano passado provei pela primeira vez o Quinta do Todão Reserva Tinto 2012, produzido desde 2006, embora em quantidades muito reduzidas (único vinho até então). Este ano, o meu amigo Filipe Leonardo quis-me apresentar para além da nova colheita do reserva tinto, também os recentes Todão branco, rosé e tinto que vêm alargar o portfolio da casa.

O Todão Branco 2017, produzido das castas Viosinho, Rabigato e Códega de Larinho, mostra-se um vinho equilibrado, com notas citrinas, algum pendor mineral, fresco, com boa acidez, redondo e bom companheiro à mesa. O Todão Rosé 2017 é feito de Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca. O resultado é um Rosé Duriense com uma bonita cor e de aspeto cristalino. Mostra-se elegante, introvertido de aroma (bouquet de rosas), fresco e seco, de pendor gastronómico. Com corpo médio e final refrescante e seco. O Todão Tinto 2015 produzido de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca é um vinho com uma fruta fresca bonita que nos remonta imediatamente para o Douro. Os taninos são macios, com uma boca média e muito equilibrada, a fazer lembrar aqueles vinhos a meio caminho entre o terroir rustico do Douro, mas com um polimento muito interessante. Foi um sucesso à mesa. 



Todos os vinho da gama Todão são produzidos com uvas de terceiros, criteriosamente seleccionadas pelo enólogo Jean-Hughes Gross (Odisseia, Quinta da Casa Amarela)a um PVP recomendado de 6,99€. Para o ano está na calha, esta gama ser também produzida com uvas próprias, à excepção do branco, por limitação de altitude.

Finalmente, a nova edição do Quinta do Todão Melhores Vinhas Reserva 2013. Este vinho é feito na Quinta do Crasto, com enologia a cargo de Manuel Lobo. Feito com as melhores vinhas de castas durienses (60% Touriga Nacional+ 30% Touriga Franca+ 10% vinhas velhas - castas misturadas), apresenta o perfil típico dos vinhos com o dedo de Manuel Lobo, do vizinho Crasto: Aroma perfumado com fruta de qualidade, barrica bem integrada, vertente de elegância em vez da concentração, muita frescura, e uma boca sedosa, algum grafite e final longo de pendor gastronómico. Um belíssimo exemplar a precisar ainda de tempo. PVP: 12,99€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Da Minha Cave: Aneto Grande Reserva Tinto 2007


Este vinho é o topo de gama do produtor / enólogo Francisco Montenegro, que para além de diversos trabalhos como consultor (Quinta do Pôpa, Quinta do Arcossó, entre vários outros) tem o seu próprio projeto com a marca Aneto, e que já é uma referência no que de melhor se faz no Douro. Creio que as principais características de todos os seus vinhos são a harmonia e a finesse. A paixão que emprega na feitura dos seus vinhos, está completamente espelhada nos mesmos. O Aneto Grande Reserva Tinto 2007 é um vinho composto pelas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, em iguais partes, que estagia em barricas novas de carvalho cerca de 18 meses em 6 meses em garrafa. 

Foi seguramente dos primeiros projetos que me fez transportar para o univeros dos vinhos, corria o ano de 2011. E foi por isso com muitissimo agrado que bebei esta garrafa no passado sábado no restaurante Vilamar. Que belo regresso! Está um vinho na idade adulta, cheio de taninos amaciados pelo tempo, ainda com fruta, mas também com aromas terciários, que em nada aborrecem, antes enaltecem o vinho. A boca é envolvente, cheia de finura e seda. Termina longo e deliciosso. Acompanhou 3 harmonizações muitíssimo bem: Bacalhau com puré de grão, uma carne maturada e ainda uma coxa de pato assada. Elevando cada um dos pratos. Foi até à última gota. Bravo Francisco Montenegro. 

Sérgio Lopes

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Em Prova: Beyra Reserva Tinto 2016

Rui Roboredo Madeira é o nome por trás dos projectos Castello D´Alba - no Douro, marca sobejamente conhecida e disponivel nas grandes superficies, com inegável qualidade a um belo preço - e Beyra - na Beira Interior, também de fácil acesso nos hipermercados, mas talvez não tão difundido, embora igualmente de grande mérito. 

Assim trouxe, de novo, de uma grande superfície o vinho Beyra Reserva Tinto 2016 para acompanhar um cozido à portuguesa. Feito de Tinta Roriz (80%) e Jaen (20%) estagia 8 meses em barricas de carvalho francês (1/3) e americano (2/3). 

Trata-se de um vinho fresco e elegante, resultado dos solos xistosos de altitude, com uma cor intensa e focado na fruta silvestre, coadjudavo com alguma especiaria. 

Na boca apresenta taninos macios, presentes, mas redondos, em perfeito equilibrio de acidez. Termina de final médio, gastronómico e sempre com elegância. 13º de alcool.

Ligou muito bem com o cozido à portuguesa.

Por cerca de 8€, estamos na presença de um belo exemplar da região da Beira Interior.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Em Prova: Quinta do Cardo Tinto 2016

O Quinta do Cardo Branco foi companhia frequente ao longo do ano de 2018. Um branco untuoso, fresco e muito equilibrado, a um preço de arromba, que temos bebido às caixas. 

Esta semana passei no Jumbo e para além de comprar água, trouxe uma garrafa do Quinta do Cardo Tinto 2016 :-). Já o conhecia, mas queria prová- lo em casa, à mesa. E foi uma decisão acertada. Mostrou-se, como seria de esperar, pelas mãos do jovem e talentoso enólogo Luís Leocádio, um vinho com "tudo no sitio".

Feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, passa por madeira usada. É um vinho carregado de fruta preta madura, mas não sobrematurada. Parece que estamos a morder aquelas ameixas e cerejas pretas maduras. Depois apresenta também um lado especiado e notas de folha de tabaco que o tornam ainda mais fresco, aliados a um lado balsãmico que potencia tudo isso. Com taninos macios, é aveludado, equilibrado, de corpo médio e muito redondinho. 

Tivesse um final mais longo e naturalmente estaria noutro campeonato. Mas a rondar os 5€, temos aqui um belo vinho para o dia-a-dia e que se levarem para um jantrar de amigos vai surpreender e agradar de uma forma geral. Nice. PVP: 5,80€. Disponibilidade: Jumbo.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Novidade: Falua Reserva Unoaked Tinto 2015

A Falua lançou uma gama premium de vinhos: Falua Reserva Unoaked Tinto 2015 e Branco Reserva 2017 - As novas referências do produtor da região do Tejo, sediado em Almeirim. cujo capital foi na sua maioria adquirido pelo Grupo Roullier em 2017, têm assinatura da enóloga Antonina Barbosa e da sua equipa.

Provado o tinto há dias, foi uma agradável surpresa! 100% Touriga Nacional, é um vinho de "puro terroir", segundo a enóloga (calhau rolado e areia) e de facto confirma-se.

O vinho não sofreu qualquer tratamento ou filtração com o objectivo de dar a conhecer a casta da vinha de onde provém, em particular.O Falua Reserva Tinto Unoaked (sem passagem por madeira) 2015,  apresenta-se muito equilibrado, com notas florais e fruta preta, mas sem os exageros que às vezes se encontram nos vinhos estreme da casta. A boca apresenta bom volume, mineralidade, taninos macios, muita frescura e um final longo e sumarento. 

Foi um par perfeito para o Cabrito de Natal e de agrado geral! Mais uma excelente surpresa da região do Tejo, região que tenho vindo a descobrir e a apreciar cada vez mais. A Acompanhar. PVP: 13,5€.. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Em Prova: Transdouro Express Cima Corgo 2017

Projeto de Mateus Nicolau de Almeida, o Transdouro Express pretende mostrar a expressão das três sub-regiões do Douro: Cima Corgo, Baixo Corgo e Douro Superior. 

As uvas são compradas a viticultores seleccionados e acompanhados todo o ano e depois Mateus faz os vinhos, de acordo com o perfil que considera fazer jus à região. 

Provei e comentei AQUI a edição de 2016 daquela que foi a minha referência preferida das três , o  TransDouro Express Cima Corgo, um vinho fresco, elegante, pouco extraído, mas muito "fácil" e versátil. 

A edição de 2017, claramente "um menino", a precisar de mais uns bons meses em garrafa para se mostrar na plenitude, dá para perceber que provém de um ano mais quente e isso reflecte-se no perfil do vinho, com mais corpo e estrutura, mas também mais densidade, ou seja, sem ser extraído, sente-se um perfil de fruta mais madura, ainda que o trabalho de enologia de Mateus Nicolau de Almeida mantenha o vinho sempre num equilibrio notável. Veremos como evoluirá em garrafa, sendo certo que não estamos na presença de uma "receita", mas sim da influência do ano no cima corgo. PVP: 10€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Em Prova: Fazenda Prádio Tinto 2016

A adega Fazenda Prádio localiza-se na Ribeira Sacra, na vila abandonada de O Pacio de Carracedo, A Peroxa. São 5 hectares de vinhas, das variedades Merenzao, Brancellao, Caiño Longo, Espadeiro, Sousón, Mencía, Loureira e Dona Branca,  a 500 metros de altitude, em solo granítico e Xistoso. A produção é biodinâmica. Também é possivel usufruir de Turismo Rural na propriedade.

O Fazenda Prádio é 100% produzido da casta Mencia (Jaen) enxertado nas videiras de castas autóctones da região. 

12 graus. Focado na fruta fresca de qualidade, com grande salinidade, corpo médio. Muito fresco. Pouco extraído. Só apetece beber de tão fácil que é, sem cansar. Tudo características que aprecio num tinto. So lhe falta um pouco mais de profundidade, mas a garrafa desaparece num instante...! 

Um Mencia fora do Bierzo, mas que mostra todas as qualidades da casta e que se bebe com grande agrado.

PVP: 12€. Disponibilidade: Delicatum / Online.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Em Prova: O Negra Mole de João Clara

João Maria Alves, conhecido por todos como João Clara era produtor de uvas desde os anos 70, as quais entregava à Adega Cooperativa de Lagoa. Mais tarde, passa o testemunho ao seu filho que em 2006 lança o primeiro vinho desta quinta, um tinto João Clara em homenagem justamente ao seu pai. Hoje em dia, com enologia de Joana Maçanita o projeto conta com uma gama alargada de vinhos -  "às claras" (entrada de gama -  branco, tinto e rosé) e João Clara, branco, rosé, tinto, reserva tinto e os monocasta Alvarinho, Syrah e Negra Mole. 

E é neste último vinho, que pegando numa uva autóctone da região, que apresenta cachos com uvas de tonalidades mais e menos intensas, que realmente se diferencia. O João Clara Negra Mole 2015 resulta num vinho de cor aberta, com fruta vermelha entre o fresco e alguma passa (o que é curioso), num aroma muito bonito e fresco. A boca é de taninos elegantes, com boa acidez e pouco corpo, num registo leve, apetecivel e que se torna muito fácil de beber. Um tinto fresco e com pouca extracção, mas com complexidade. Pena apenas o preço um pouco inflacionado à semelhança do que se pratica na generalidade dos vinhos da região Algarvia. PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Arena de Baco: 3 claretes, 3 regiões

Clarete é um tipo de vinho que costuma ser considerado um vinho ligeiro. Tradicionalmente era um produto da fermentação de uvas tintas de pele mais escura com uvas tintas de pele mais clara (blend de Bordéus), mas hoje em dia há quem adicione uma percentagem de uvas brancas para aligeirar a cor e tornar o vinho mais macio, criando na verdade um palhete, mas designando-o na mesma como Clarete. É tudo uma questão de marketing. De qualquer forma, os claretes são vinhos que se enquadram na categoria dos tintos, apresentando geralmente pouca extração, ou seja, corpo ligeiro, frescos, leves, com pouco alcool (entre os 11º - 12,5º) e de fácil consumo, sobretudo no Verão onde o clima grita por vinhos para consumir de forma mais despreocupada. Não quero com isso dizer que não são vinhos interessantes. Pelo contrário! E na minha busca por tintos menos pesados e mais fáceis de beber (vários copos), sugiro três claretes portugueses que devemos conhecer. E provenientes de 3 regiões diferentes:
O Morgado do Quintão é proveniente do Algarve e inspirado nas tradições ancestrais de fazer vinho na região. É produzido 100% da uva Negra Mole, autóctone da região e que por si só já apresenta cachos com uvas mais e menos carregadas de cor. A vinha é nativa e com mais de 70 anos, produzindo um vinho com cor aberta, combinando fruta e um lado vegetal. É Macio, com taninos finos e volume médio. Muito prazenteiro e bem conseguido. Naturalmente um sucesso de vendas na região Este ano aparece com um pouco mais de corpo que no ano pasado. 13,95€. O Respiro é proveniente  de Portalegre de vinhas velhas também com mais de 70 anos (provavelmente com alguma uva branca misturada nessa vinha velha). È um vinho também de cor aberta, bastante complexo até, muito fresco, com alguns apontamentos herbáceos e final muito saboroso. Gosto muito deste vinho de João Afonso. Misterioso e muito gastronómico. 12€. Por fim, o Uivo Renegado, de Tiago Sampaio (Olho no Pé). A cor é de vermelho pálido, quase rosado, podendo ser facilmente confundido por um rosé, em prova cega. Cheio de fruta vermelha muito fresca e bonita (morango, framboesa, romã), confirmada na boca. Só lhe falta um pouco mais de corpo na minha opinião para vencer o confronto com os 2 anteriores, mas brilha no prazer que dá, copo após copo, pelo equilibrio, frescura e leveza de conjunto. Quase que não apetece parar de beber. Um vinho onde o lote é constituído por 50% de uvas brancas e 50% uvas tintas, provenientes de uma vinha velha em Sabrosa - Douro. 7€ A descobrir. Os 3 vinhos, prazenteiros e com pouco alcool, num estilo em crescimento e afinação. 

Sérgio Lopes

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Em Prova: Transdouro Express Cima Corgo 2016

Projeto de Mateus Nicolau de Almeida, o Transdouro Express pretende mostrar a expressão das três sub-regiões do Douro: Cima Corgo, Baixo Corgo e Douro Superior. 

As uvas são compradas a viticultores seleccionados e acompanhados todo o ano e depois Mateus faz os vinhos, de acordo com o perfil que considera fazer jus à região. 

Os 3 vinhos, tintos (os brancos têm origens e nomes distintos) são muito bem feitos e equilibrados, mas o que aprecio mais particularmente é o Transdouro Express Cima Corgo

Tem toda aquela fruta vermelha tão bonita do Douro, mas tudo num registo fresco, elegante, pouco extraido, mas muito sumarento. È um vinho que dá grande prazer a beber e na tenperatura certa (14 graus na minha opinião) é um companheiro do "caraças" à mesa. 

E o preço é muito acertado também. PVP: 10€. Garrafeiras.


Sérgio Lopes

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Em Prova: Casa Cadaval Trincadeira preta 2015

Estava em trabalho em Benfica do Ribatejo e terminada árdua tarefa, visualizei a indicação "Casa Cadaval - Loja da Adega" a 400 metros de onde me encontrava. Não hesitei portanto em fazer uma pequena visita. Já tinha provado os vinhos num evento da distribuidora Decante, no Palácio do Freixo, no Porto, mas é sempre diferente provar e beber os vinhos em nossa casa, à mesa e em boa companhia. 

Trouxe de lá, entre outros este Casa Cadaval Trincadeira Preta 2015, que bebi ontem. É proveniente de vinhas velhas desta casta, com idade superior a 60 anos. Trata-se de um vinho com um aroma onde predominam os frutos silvestres maduros, alguma especiaria e leve balsâmico. Bastante complexo e fresco. A boca é de volume médio, com taninos redondos e elgantes, terminando de bom comprimento. 

Vinho equilibrado, da renovada região do Tejo (antiga Ribatejo) com complexidade qb, que sem deslumbrar se bebe com prazer. Acresce o facto de ser um vinho com pouca extração, um lado muito apelativo e transversal e uma certa leveza que lhe confere uma versatilidsade gastronómica para pratos inclusivé mais leves. Acompanhou uns panadinhos de frango lindamente. PVP: 10€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Fora do Baralho: Opta Grande Reserva Tinto 2015

A Opta Wines nasceu em 2013, quando Camilo Leite, estabeleceu uma parceria com o enólogo Nuno Cancela de Abreu, com o objetivo de promover os vinhos portugueses no estrangeiro. Em 2018, a empresa pretende reforçar a aposta também no mercado nacional. O portfolio da marca Opta tem crescido, com a inclusão de novos vinhos. Para além dos Opta colheita branco, rosé e tinto, do Opta Encruzado e do Reserva Tinro, de um espumante e de um colheita tardia, surge, este ano, o ex-libris da marca, o Opta Grande Reserva Tinto 2015.

Feito de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, o blend típico do Dão, estagia 18 meses em barricas de carvalho francês. A vinha de onde provêem as uvas está rodeada por um manto de eucaliptos. De tal forma que algumas folhas de eucalipto, as menos persistentes, podem ser encontradas no solo, conferindo uma conjugação "explosiva" entre as castas e o solo granítico da região.

O resultado é um vinho extremamente fresco, com um incrível aroma a eucalipto e seiva.  Servido à temperatura certa, como foi o caso na apresentação do mesmo, no restaurante Oxalá, na boca confirma a frescura, quase como se estivessemos a "trincar" folhas de eucalipto. De taninos sedosos,  uma fruta muito bonita e muita elegância, termina longo e persistente, de pendor gastronómico, como um grande vinho do Dão normalmente o é. 

Um vinho verdadeiramente sui-generis e que seguramente não será consensual. Um vinho em que a temperatura será um fator chave para tirar o máximo partido do mesmo. Destaque para a garrafa bordalesa (em contraste com a típica borgonha do Dão), a embalagem em tubo com a representação de folhas de eucalipto e o lacre verde. Tudo para o tornar ainda mais distinto. PVP: 35€. Garrafeiras Selecionadas

Sérgio Lopes