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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Radar do vinho: D'Uva - O Vinho no feminino!

No mundo do vinho, mulheres e homens contribuem indistintamente em todas as fases de produção, comercialização e consumo desta bebida. Escusado será dizer portanto que temos viticultoras, enólogas, comerciais, jornalistas ou... simplesmente apreciadoras de excelência, e que regra geral emprestam os seus sentidos (mais apurados, diz-se, o que pela minha experiência se confirma) para aprimorar esta experiência.

Mas foi por acaso que nasceu este grupo exclusivamente de mulheres ligadas ao sector do vinho, após uma reportagem sobre o tema feita pelo jornalista Fernando Melo. 

Já em 2016 nascem as D'Uva - Portugal Wine Girls, que através das suas vivências familiares em torno do vinho resolveram juntar-se e agregar esforços para mostrar o produto de um trabalho que também é seu.

Propõem um itinerário por algumas das principais regiões do país (Alentejo, Lisboa e Douro) e o facto de individualmente saírem não só de diferentes origens mas também de percursos no que toca à feitura do vinho, torna tudo ainda mais interessante, no que acaba por ser um roteiro guiado por diferentes sensibilidades e experiências.

São elas: Catarina Vieira (Herdade do Rocim, enologia e viticultura); Francisca van Zeller (Quinta Vale D. Maria, marketing e vendas); Luisa Amorim (Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, direcção geral); Maria Manuel Poças Maia (Poças Júnior, viticultura); Mafalda Guedes (Herdade do Peso, vendas); Rita Cardoso Pinto (Quinta do Pinto, coordenação geral e comercial); Rita Fino (Monte da Penha, marketing e vendas) e Rita Nabeiro (Adega Mayor, direcção geral)

Marco Lourenço

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Radar do Vinho: Quinta das Bandeiras (Vinhos Passagem)


Sophia Bergqvist e Jorge Moreira, os rostos do projecto vitivinícola Quinta das Bandeiras / Passagem Wines, trabalham juntos desde 2002, altura em que Jorge se tornou enólogo da Quinta de la Rosa, propriedade duriense que está na posse da família de Sophia desde 1906 e de onde nascem vinhos do Douro e Porto com o mesmo nome.


Ávidas por novos desafios, as famílias Bergqvist (Quinta de la Rosa) e Moreira (Poeira) embarcaram numa fifty-fifty joint venture em 2005. Com o seu projecto familiar encaminhado, era um sonho de Jorge Moreira criar vinhos no Douro Superior, sub-região que oferece um maravilhoso contraste em relação ao Cima Corgo, onde está instalada a sua Quinta do Poeira (Provesende) e a Quinta de la Rosa (Pinhão). Como entusiasta empreendedor, Tim Bergqvist – pai de Sophia – um "jovem" de 80 anos, decidiu investir na aquisição da Quinta das Bandeiras, uma propriedade de 100 hectares localizada no concelho de Torre de Moncorvo, na sub-região do Douro Superior: junto ao rio Douro e na margem oposta à famosa Quinta do Vale Meão.


Quando foi adquirida, possuía apenas sete hectares de vinha (velha), tendo sido plantados 25 hectares na parte de baixo da quinta, mesmo junto ao rio, com a maior predominância de Touriga Nacional e Touriga Franca. No terreno existe uma casa e uma bonita capela, cuja recuperação será o próximo passo.

O nome ‘Passagem’ tornou-se apropriado por várias razões: existe uma linha de comboio com uma passagem de nível abandonada na propriedade; passagem representa também a troca de experiências e vivências no Douro de duas famílias bem distintas, uma inglesa e outra portuguesa. Uma ‘Passagem’ iniciada em 2005, mas cujo primeiro vinho foi lançado em 2008, precisamente um tinto de 2005.



Ao fim de 10 anos o projecto começa a consolidar-se, existindo neste momento um vinho branco, o passagem reserva 2015 (vencedor do troféu do melhor vinho branco do festival de vinhos do Douro Superior), o tinto Reserva 2014 (também premiado), o grande reserva tinto 2009 (a sair lá para Setembro), um Porto Vintage de 2011 e um Porto LBV de 2010 (Ouro no festival do Douro Superior); Todos feitos na Quinta de La Rosa (para já). 

Jorge Moreira é sem dúvida, um dos melhores enólogos do Douro. E se os seus Poeira são fenomenais, este projecto vem demonstrar que da adversidade do clima e da região, vem o desafio de adaptar métodos para que a mesma região, com elevado potencial, produza vinhos de excepção. Bravo Jorge Moreira!

Sérgio Lopes

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Radar do Vinho: Cooperativa Agrícola do Távora

A cooperativa agrícola do Távora situa-se em Moimenta da Beira, agregando produtores da região. Produzem para além de vinho e espumante, maçãs, mais propriamente a tão famosa maçã "Bravo de esmolfe". A cooperativa está pois localizada na Região Demarcada do "Távora - Varosa", inserida entre a região do Douro e do Dão. Trata-se de uma região pequena em dimensão mas de onde saem sobretudo espumantes de grande qualidade, não só produzidos pela cooperativa sobre a marca "Terras do Demo", bem como por exemplo a famosíssima Murganheira, também proveniente daquela região.

A cooperativa produz diversas referências de vinhos brancos, tintos e espumantes:



O Malhadinhas. O Branco,  fresco e de piscina, sobretudo focado para momentos de descontracção. Leve e fácil, mas bastante agradável. Tinto também simples, de entrada, equilibardo e directo. Prefiro o branco. Ambos têm um PVP de arromba ~2,5€.



Terras do Demo. O Branco Seco, mais complexo e profundo que o Malhadinhas. Com passagem por madeira para lhe dar esse extra de complexidade. Focado no lado floral da Malvasia, com toque abaunilhado. Um pouco mais de volume de boca, seria o ideal. No entanto, trata-se de uma excelente relação qualidade-preço, tendo um pendor mais gastronómico que o Malhadinhas. PVP de arromba ~3,75€. O Reserva Tinto, tal como o Malhadinhas feito de uvas provenientes de associados das regiões circundantes à Távora Varosa, mais propriamente do Douro... uma vez que não se consegue obter um vinho tão equilibrado se tal não for efectuado. Trata-se de um vinho complexo qb, bom para o preço que representa, mas sem deslumbrar. PVP  ~3,75€.





Espumantes Terras do Demo. Todos eles brutos. Terras do Demo Rosé. 100% produzido de Touriga Nacional. também denominado "olho de perdiz" tal a sua coloração ténue, rosada. Um espumante rosé delicado e floral, fresco, e equilibrado. Terras do Demo Branco. 100% produzido de Malvasia Fina. Cor citrina. Bolha fina e delicada. Muito fresco, com foco no lado floral e frutado da casta. Elegante e crocante, tem um final longo e persistente. Muito bem conseguido. Terras do Demo Tinto. 100% Touriga Franca. Costuma-se dizer que os espumantes tintos não são para ser apreciados por qualquer um. Precisam de comida a acompanhar e normalmente são mais agrestes. Os clássicos espumantes tintos da Bairrada da casta Baga são disso um exemplo. Mas não é este o caso. Não senti agressividade de boca. Apenas um perfil mais vínico, num conjunto estranho, é verdade, mas que fiquei curioso em provar melhor a solo, com uma comida a preceito a acompanhar. PVP dos 3 espumantes ~7,5€

Há ainda um espumante Terras do Demo Reserva Bruto, denominado "Pata de Lebre" que tem aquela complexidade dos espumantes que sofrem estágio com madeira e afins, muito bom de aromas, cor e boca quase perfeita, num nível de preço onde já existem por ventura outras referências tão ou mais interessantes.. PVP ~14.5€

Claramente um produtor de enorme qualidade e consistência ano após ano. Eu sou ávido consumidor dos espumantes Rosé e Branco. Simplesmente deliciosos, a preço acertado e sempre com o mesmo perfil. Para beber com prazer.



Sérgio Lopes

sábado, 7 de maio de 2016

Radar do Vinho: Mãos (R4 Vinhos)

R4 vinhos trata-se de um projecto familiar, com sede em Mesão Frio, no Baixo Corgo, embora com propriedades espalhados por sete quintas na Região Demarcada do Douro, que totalizam cerca de 150 hectares, tendo lançado  o primeiro vinho apenas em finais de 2011.


Projecto de facto de cariz totalmente familiar, pois os 4 irmãos que encabeçam o projecto, decidiram dar continuidade ao legado do seu pai, que produzia vinho maioritariamente para consumo próprio, criando assim uma empresa produtora de vinhos, na região Duriense. São eles Roberto, Ricardo, Rafael e Rudolfo, respectivamente com 33, 29, 26 e 23 anos. Todos eles com o primeiro nome começado por "R", daí o nome adoptado de R4 Vinhos. Os 4 IRMÃOS deram as MÃOS em prole da continuidade e expansão do projecto familiar e assim naturalmente nasceram as marcas Irmãos e Mãos, em analogia ao trabalho laborioso dos vinhedos à garrafa, ao conceito que norteia a constituição da empresa familiar e de mãos dadas rumo ao futuro e à excelência.


Os vinhos de entrada encontram-se sob a marca Irmãos - Rosé, Branco e Tinto. São vinhos competentes a rondar os 5€. Na gama Mãos, para além dos brancos e tintos, colheita e reserva, os 4 irmãos pretendem agitar um pouco as mentalidades e cada um faz o seu próprio vinho, designado de signature. São vinhos de produção muito reduzida, quase como que ensaios na busca de um determinado perfil que pode resultar melhor ou menos bem. Há pelo menos a procura de fazer diferente. E por vezes o diferente é muito bom.  Para já:  um 100% Tinta Roriz; um 100% encruzado... sim, a casta branca rainha do Dão plantada no Douro e um 100% Cerceal.

Foto: Gasrrafeira 5 Estrelas
Segundo Rafael, o seu pai adorava brancos e apesar de o portfolio ir crescendo, para uma gama abrangente de vinhos, há aqui uma diferença para muitos outros produtores da região - uma aposta clara nos brancos. E são tão bons. O Reserva branco, neste momento é de 2011.... e está delicioso, evoluido, fresco e gordo. Grande final. Muito bom. Destaque igualmente para o branco 100%  feito da uva Códega de Larinho, fora do baralho, diria que em comparação no Douro, está como o Avesso para a Covela, isto é, muito elegante e fino e muito viciante;

Todos são vinhos gastronómicos, de carácter duriense, mas com um certo toque de modernidade, elegância e de risco, que faz deste projecto, algo de diferente. Vinhos consistentes e que pelo inconformismo e vontade de inovar dos 4 irmãos, seguramente vão dar cartas (já estão a dar). Neste momento, a exportação é o principal destino. Em Portugal, para já apostam na restauração, mas não tenho dúvidas que a curto prazo, se vai ouvir falar destes vinhos em todo o país.

Só para finalizar, fica-me na memória a história que Rafael me contou sobre a influência do patriarca no projecto: "O meu pai era médico e tinha horários muito complicados. Por vezes chegava depois da meia-noite para jantar... Ele pegava num copo GRANDE, mesmo grande, enchia-o de um vinho nosso, sobretudo branco e sentia-se a relaxar...Ah, que bom!. É isso que pretendemos replicar".

Ver em garrafa um produto de excelência oriundo das suas parcelas.

Sèrgio Lopes




quarta-feira, 20 de abril de 2016

Radar do Vinho: A cinemática da Quinta da Covela

Quem não conhece Manoel de Oliveira, prolífico cineasta Português, nascido em 1908, dono de um interminável currículo recreado de prémios e galardões?

O que provavelmente não será tão conhecido é que ele foi também o proprietário (juntamente com a sua esposa, Maria Isabel Brandão de Meneses de Almeida Carvalhais), de uma extensa propriedade com uma excelente vista para o Douro em terras do Vinho Verde.

Não se pense, porém, que esta propriedade serviu apenas de aproveitar os lânguidos e solarengos finais de tarde, que esta região oferece com frequência, ou de refúgio para a adaptação do argumento da obra “Meninos Milionários”, de João Rodrigues de Freitas, que mais tarde seria imortalizada e amplamente difundida no filme “Aniki Bóbó” lançado em 1942.

Esta quinta confirma igualmente o invulgar dinamismo e capacidade do cineasta. O próprio desenhou e mandou construir aquedutos, muros, casas de pedra e eiras de granito, valorizando, desta forma, a propriedade existente desde o século XVI.

No final da década de 80, a quinta mudou de mãos, o proprietário decidiu investir fortemente nas vinhas e nos vinhos criando a marca Covela.

Em 2011, depois de um breve período de abandono e incerteza, a Quinta de Covela voltou a sofrer mais uma movimentação. Algumas personalidades oriundas de áreas diversas, e já conhecedores da reputação da marca entre os enófilos, decidiram comprar a quinta e devolver-lhe a aura de excelência na produção de vinhos.

Tony Smith, um dos atuais proprietários, contou que foi um processo lento e moroso de recuperação
da vinha, das linhas de muros e das linhas de água. No final do processo de recobro, a Quinta da Covela apresentava um perímetro total a rondar os 50 ha, dos quais 18 ha geram uvas destinadas à produção de vinho.

As principais castas plantadas são a Avesso e a Touriga Nacional que se complementam com Arinto, Chardonnay, Viognier, Gewürztraminer, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot. Estas, pela mão do enólogo Rui Cunha, depois de vindimadas e estagiadas dão origem a 75 mil garrafas distribuídas pelas referências escolha, rosé e reserva.

Durante a visita efetuada foram provados, à mesa, as referências: Covela Avesso 2014, Covela Escolha 2013, Covela Rosé 2015 e Covela Reserva 2013. Os vinhos provados revelaram-se muito gastronómicos, apresentando uma linha identitária comum: acidez, frescura e secura.

A Quinta da Covela apresentou uma gama de vinhos de muito alta qualidade. Destaco o Covela Escolha 2013 e o Covela Reserva 2013 pelo aroma a líchias, no primeiro, e pela madeira bem integrada, no segundo.

No final da visita ficámos com a nítida sensação que o Carlitos, a Teresinha, o Eduardo e o Batatinha podiam estar ao virar de uma qualquer esquina da quinta. Fica para a próxima...

Paulo Pimenta (Wine Lover)