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terça-feira, 26 de março de 2019

Novidade: Ládano

Mais um projeto novo, de um jovem, Daniel Carvalho Costa, que após ter trabalhado 12 anos no mundo do vinho, com diversas experiências, sentiu que tinha chegado o momento de seguir o seu próprio projeto. Nasce assim o projecto Ládano, em 2018, que para já contempla apenas dois vinhos, um tinto e um branco, provenientes de vinhas quase centenárias, situadas no Douro Superior, mais propriamente em Freixo de Espada à Cinta. O mote do projeto é o de expressar o terroir do Douro Superior e da vinha velha, resultando em vinhos distintos, com pouca intervenção e com fermentação espontânea. Daniel, sendo a 4ª geração de uma familia de produtores Durienses (Quinta de Santa Eufémia), o vinho naturalmente corre-lhe no sangue. Neste momento partilha a adega com o amigo Pedro Coelho (Pormenor Vinhos), mas a ideia é crescer de forma sustentada. A título de curiosidade, Ládano é a resina que provém da planta esteva, planta tão característica nos descritores sensoriais dos nectares durienses. Destaque também para a rotulagem, bonita e sóbria, com apontamentos de azulejos, a fazer lembrar... Portugal.

O Ládano Branco 2016 é produzido das castas Rabigato e Arinto, de uvas plantadas entre 400-600 metros de altitude, de uma vinha com 50 anos. Trata-se de um vinho muito fresco, cremoso, elegante e mineral, onde a barrica velha utilizada por 12 meses está perfeitamente integrada, conferindo apenas mais volume e untuosidade. Não sendo um potento de acidez, como até se poderia esperar pelas castas utilizadas, é um vinho muito contido e seco, com uma frescura e cremosidade não muito habituiais para o Douro Superior. Vai crescer em garrafa. 12,5º de alcool e apenas 1000 garrafas produzidas. PVP 14,5€. O Ládano Tinto 2016 provém de uma vinha com cerca de 70 anos, de videiras com mais de 15 variedades de castas. Estamos na presença de um vinho com uma fruta preta e vermelha silvestre muito bonita e fresca. A boca apresenta taninos macios e algo aveludados, mostrando-se um conjunto sumarento, equilibrado e amigo da mesa. Termina com bom comprimento e sem excessos. Também gostei, sobretudo porque sendo de um terroir tipicamente com ampltudes termicas muito elevadas, mostra-se fresco e com fruta apetecivel, sem sobrematurações. 4600 garrafas produzidas. PVP: 14,5€. Um projecto a acompanhar.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 14 de março de 2019

Em Prova: Muxagat Tinto 2015

O projecto Muxagat é proveniente do Douro Superior, mais propriamente da região da Meda. Atualmente com a enologia de Luis Seabra resultam em vinhos muito minerais e pouco extraidos, privilegiando esse lado fresco e contido, mais elegante. 

Curiosamente o Muxagat Tinto 2015, fruto de um ano quente, é um vinho focado numa fruta mais presente logo ao primeiro impacto. Uma fruta vermelha e preta madura, mas muito bonita. A boca apresenta taninos firmes, mas redondos, um bom volume e muita frescura, resultando num conjunto onde o binomio fruta - secura, está muito bem. Termina guloso e longo, sempre amparado por uma boa acidez, o que lhe confere uma grande aptidão gastronómica. Talvez uma das edições mais bem conseguidas deste vinho, na minha opinião. PVP: 11€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 8 de março de 2019

Em Prova: Quinta da Costa do Pinhão Tinto 2014


A Quinta da Costa do Pinhão fica às portas de Favaios. Um projeto duriense muito recente de que gosto muito e cujo primeiro ano de lançamento foi 2014. O Quinta da Costa do Pinhão Tinto precisamente de 2014 é feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca de vinhas com cerca de 45 anos. À primeira vista, pela composição de castas, parece uma cópia do Gradual, provado aqui. Mas não é. A percentagem de cada casta é diferente (O Quinta da Costa do Pinhão tem mais Tinta Roriz e o Gradual mais Touriga Nacional). Depois, há também mais um pouco de extracção e consequentemente tempo de barrica e posteriormente Inox para arredondar os taninos naturais das castas utilizadas.

Assim, o perfil deste vinho é ligeiramente diferente, sendo mais próximo de um Douro clássico, sem nunca perder elegancia, mostrando-se também mais sério. E sobretudo muito complexo. É um vinho com fruta vermelha, mas também notas mais terrosas e um lado vegetal mais em evidência. Especiado, mineral, fresco e com taninos frimes, mas elegantes e cheios de textura. Com corpo cheio, termina longo e com um belíssima acidez e profundidade,  pedindo decantação. Um jovem de 2014, cheio de vida, num perfil a meio caminho entre o clássico e a modernidade, sempre com o toque de elegância que é a imagem de marca do produtor. PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quarta-feira, 6 de março de 2019

Em Prova: Gradual Tinto 2014

O fim-de-semana de carnaval terminou com uma passagem e visita pela Quinta da Costa do Pinhão, às portas de Favaios. Um projeto duriense muito recente de que gosto muito e cujo primeiro ano de lançamento foi 2014. O Quinta da Costa do Pinhão Gradual precisamente de 2014 é feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca de vinhas com cerca de 45 anos. 

Com enologia de Luis Seabra, é um vinho com uma fruta fresca muito bonita, especiarias, um toque balsãmico e um lado mineral dos solos de xisto com laivos de quartzo. Na boca apresenta meio corpo, com taninos redondos, mas firmes. Um vinho elegante e "easy drinking" mas que é complexo e algo sério, com amplitude e profundidade, apesar da sua aparente facilidade de prova.  

È o "entrada de gama" do produtor, um DOC Douro com apenas 12,5% ,que é uma delicia, não cansa, sendo super versátil à mesa. PVP 12.90€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de março de 2019

Fora do Baralho: D. Graça Samarrinho Branco 2016

Dona Graça é uma marca de vinhos do produtor Vinilourenço, projecto situado do Douro Superior, mais propriamente na Meda. Com enologia do professor Virgilio Loureiro o projecto tem um portfolio vasto de referências, apostando em também apresentar o que cada casta pode aportar em termos de identidade aos vinhos produzidos. É assim no D. Graça Viosinho ou no D. Graça Rabigato, por exemplo, brancos que são escolha frequente cá em casa e que demonstram bem o terroir da Meda - com muita frescura e mineralidade. 

O D. Graça Samarrinho Branco 2016 é um branco que pretende homenagear uma uva branca do antigamente e que embora pouco conhecida e trabalhada hoje em dia produziu aqui um vinho que de facto é diferenciador. Um vinho de aroma contido mas muito mineral e com algum perfume suave. Boca cheia de acidez, sensação de lousa molhada, muito texturado e crocante. Termina muito fresco, cítrico, longo e de enorme aptidão gastronómica. Um branco de altitude, seco e com muito "nervo". mesmo ao nosso gosto. Apenas 900 garrafas produzidas! PVP: 19€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Em Prova: Gouvyas Clarete Seco 2016

Clarete é um tipo de vinho que costuma ser considerado um vinho ligeiro. Tradicionalmente era um produto da fermentação de uvas tintas de pele mais escura com uvas tintas de pele mais clara (blend de Bordéus), mas hoje em dia há quem adicione uma percentagem de uvas brancas para aligeirar a cor e tornar o vinho mais macio, criando na verdade um palhete, mas designando-o na mesma como Clarete. 

É o caso deste Gouvyas Clarete Seco de 2016 da dupla Luis Soares Duarte / João Roseira (este último, o homem por trás do evento simplesmente... Vinho!) que contém 55% de uvas tintas e 45% de uvas brancas, do Douro, co-fermentadas em conjunto, com passagem apenas por  Inox.

Apesar de pertencer aos "tintos", a cor é muito aberta devido à elevada percentagem de uvas brancas no blend. É um vinho deliciosamente perfumado, cheio de fruta fresca vermelha (cereja, framboesa). Na boca, apresenta pouca extração, ou seja, com corpo ligeiro, mas muita frecsura e a tal fruta sumarenta a dar muita graça a todo o conjunto. Leve, mas sem ser em demasia, até com alguma "gordura" de boca, tem um final médio e pouco alcool como é apanágio neste tipo de vinhos  - 12º, o que faz com que o liquido na garrafa desapareça rapidamente. Trata-se de uma produção pequena e dificl de encontrar. Mas eu vou tentar arranjar mais, até porque com o calor a aproximar-se, é para ter umas caixitas deste vinho! PVP: 14€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Radar do Vinho: Titan of Douro

Luis Leocádio é um jovem e talentoso enólogo cuja notoriedade se começou a mostrar sobretudo no excelente trabalho desenvolvido na Quinta do Cardo, onde conseguiu colocar a Beira Interior com o merecido destaque, desenhando um conjunto de vinhos surpreendentes e de extrema qualidade. E diferenciadores. Adicionalmente Luis atua também como consultor em vários projetos (Quinta do Estanho, Quinta da Cuca, entre outros) onde o seu cunho pessoal qualitativo é evidente por onde passa, sempre respeitando as particularidades do terroir.
Recentemente, decidiu lançar o seu projecto pessoal intitulado Titan of Douro, em homenagem ao seu fiel cão, cuja imagem se encontra bem marcada sobretudo nos vinhos colheita do projecto. A ideia por trás do mesmo foi desde o início o foco pela procura de vinhas velhas nos lugares mais genuínos e menos explorados no Douro, onde existissem novas histórias para contar em forma de vinho. O local escolhido foi o Sopé da Serra do Reboredo (1.000 mts Alt), em Paredes da Beira, no ponto a maior altitude do Douro. Rodeada com abundância de afloramentos graníticos, a zona tem solos de granito areno entremeados por filões de quartzo, altitude entre 700 - 1.000 mts, encontra-se nas encostas do Rio Távora e possui um invejável património de vinhas centenárias, intocáveis ao longo do tempo e mantidas pelas mãos curtidas de anos de trabalho duro durante gerações. Resultam por isso vinhos de grande frescura, caracter e identidade!
Para além dos Titan colheita tinto e branco (PVP 9,90€), muito equilibrados e agradáveis, o projeto contempla os  singulares Vale dos Mil Single Vineyard Branco e Tinto (PVP 29€), provenientes de uma vinha muito velha e ainda um tinto fermentado e estagiado parcialmente em ânfora de barro, o Titan of Douro Estágio em Barro (PVP 35€). 

O Vale dos Mil Single Vineyard Branco 2016 é feito de vinhas velhas, logo, com uma enorme diversidade de castas brancas do antigamente. Essa diversidade (mais de 30 castas diferentes), a altitude e maturidade de uma vinha tão velha aportam a este vinho uma potencia contida invejável. Complexo, intenso, profundo, fresco e vibrante, dá já uma grande prova, mas crescerá muito em garrafa. A boca é untuosa, sem que a madeira se note, resultando num conjunto elegante e harmonioso. Notas citrinas e minerais complementam um vinho riquíssimo aromaticamente e que deve ser bebido com muito atenção. Termina longo. Um grande branco. Para a mesa. 1600 garrafas produzidas.

O Vale dos Mil Single Vineyard Tinto 2016 provém de uma vinha com mais de 180 anos, plantada em pé franco. Pisado em lagares, foi feito para respeitar os grandes tintos clássicos durienses, mas com o polimento característico que Luis Leocádio imprime nos seus vinhos. Muito complexo, cheio de fruta vermelha, alguma especiaria, um lado balsãmico a conferir enorme frescura. Na boca é potente, com taninos firmes mas macios. Aqui não há espaço para extrações. Termina longo e muito fresco. Um digno exemplar de um vinhas velhas duriense de altitude! 1000 garrafas produzidas.


Finalmente, o Titan of Douro Estágio em Barro 2016, elaborado com uma variedade de castas de uma parcela da vinha centenária. Pisadas em lagar de pedra onde decorre dois terços da fermentação, sendo que o último terço fermenta e estagia em pequenas talhas de barro, por 16 meses. O resultado é um vinho sui-generis, super fresco e puro. O que perde em potência e corpo para o Vale dos Mil ganha em elegância, mantendo uma invejável complexidade. Eu achei-o delicioso e acompanhou de forma brilhante um risotto de cogumelos selvagens. Um daqueles vinhos que se bebe com muito prazer. Talvez o menos consensual do projeto, mas seguramente o mais diferenciador. Apenas 890 garrafas produzidas.

Um projecto de vigneron, de terroir e de paixão que mostra a (primeira) aventura a solo de Luis Leocádio, distinguido enólogo revelação do ano by revista de vinhos!

Sérgio Lopes

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Em Prova: Quinta do Todão

A Quinta do Todão situa-se em frente à localidade de Gouvinhas, na sub-região do Cima Corgo. Trata-se de uma quinta histórica, com referências seculares no vinho do Porto. A sua área de vinha estende-se por 50 hectares, tendo sido uma grande parte reconvertida sob a orientação da equipa de viticultura da Quinta do Crasto. Durante muitos anos as uvas eram vendidas às casas clássicas do Vinho do Porto, mas mais recentemente decidiram produzir o seu próprio vinho, o que tem acontecido com alguma frequência nos últimos anos, no Douro, onde produtores de dimensão mais pequena, investem no seu próprio projeto. No ano passado provei pela primeira vez o Quinta do Todão Reserva Tinto 2012, produzido desde 2006, embora em quantidades muito reduzidas (único vinho até então). Este ano, o meu amigo Filipe Leonardo quis-me apresentar para além da nova colheita do reserva tinto, também os recentes Todão branco, rosé e tinto que vêm alargar o portfolio da casa.

O Todão Branco 2017, produzido das castas Viosinho, Rabigato e Códega de Larinho, mostra-se um vinho equilibrado, com notas citrinas, algum pendor mineral, fresco, com boa acidez, redondo e bom companheiro à mesa. O Todão Rosé 2017 é feito de Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca. O resultado é um Rosé Duriense com uma bonita cor e de aspeto cristalino. Mostra-se elegante, introvertido de aroma (bouquet de rosas), fresco e seco, de pendor gastronómico. Com corpo médio e final refrescante e seco. O Todão Tinto 2015 produzido de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca é um vinho com uma fruta fresca bonita que nos remonta imediatamente para o Douro. Os taninos são macios, com uma boca média e muito equilibrada, a fazer lembrar aqueles vinhos a meio caminho entre o terroir rustico do Douro, mas com um polimento muito interessante. Foi um sucesso à mesa. 



Todos os vinho da gama Todão são produzidos com uvas de terceiros, criteriosamente seleccionadas pelo enólogo Jean-Hughes Gross (Odisseia, Quinta da Casa Amarela)a um PVP recomendado de 6,99€. Para o ano está na calha, esta gama ser também produzida com uvas próprias, à excepção do branco, por limitação de altitude.

Finalmente, a nova edição do Quinta do Todão Melhores Vinhas Reserva 2013. Este vinho é feito na Quinta do Crasto, com enologia a cargo de Manuel Lobo. Feito com as melhores vinhas de castas durienses (60% Touriga Nacional+ 30% Touriga Franca+ 10% vinhas velhas - castas misturadas), apresenta o perfil típico dos vinhos com o dedo de Manuel Lobo, do vizinho Crasto: Aroma perfumado com fruta de qualidade, barrica bem integrada, vertente de elegância em vez da concentração, muita frescura, e uma boca sedosa, algum grafite e final longo de pendor gastronómico. Um belíssimo exemplar a precisar ainda de tempo. PVP: 12,99€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Da Minha Cave: Aneto Grande Reserva Tinto 2007


Este vinho é o topo de gama do produtor / enólogo Francisco Montenegro, que para além de diversos trabalhos como consultor (Quinta do Pôpa, Quinta do Arcossó, entre vários outros) tem o seu próprio projeto com a marca Aneto, e que já é uma referência no que de melhor se faz no Douro. Creio que as principais características de todos os seus vinhos são a harmonia e a finesse. A paixão que emprega na feitura dos seus vinhos, está completamente espelhada nos mesmos. O Aneto Grande Reserva Tinto 2007 é um vinho composto pelas castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, em iguais partes, que estagia em barricas novas de carvalho cerca de 18 meses em 6 meses em garrafa. 

Foi seguramente dos primeiros projetos que me fez transportar para o univeros dos vinhos, corria o ano de 2011. E foi por isso com muitissimo agrado que bebei esta garrafa no passado sábado no restaurante Vilamar. Que belo regresso! Está um vinho na idade adulta, cheio de taninos amaciados pelo tempo, ainda com fruta, mas também com aromas terciários, que em nada aborrecem, antes enaltecem o vinho. A boca é envolvente, cheia de finura e seda. Termina longo e deliciosso. Acompanhou 3 harmonizações muitíssimo bem: Bacalhau com puré de grão, uma carne maturada e ainda uma coxa de pato assada. Elevando cada um dos pratos. Foi até à última gota. Bravo Francisco Montenegro. 

Sérgio Lopes

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Em Prova: Permitido Branco 2017


Edição 2017 deste vinho feito na Meda (Douro Superior) pelo  Márcio Lopes, enólogo / produtor que dispensa apresentações, nomeadamente pela consistência e qualidade que tem apresentado nos seus projetos ao longo dos últimos anos, com destaque para os Pequenos Rebentos. 

Mas não devemos secundarizar este vinho branco de vinhas de Rabigato a mais de 700 metros de altitude. A primeira vez que provei este branco foi em 2015 e ainda hoje estou a beber algumas dessas garrafas que tem melhorado e muito em garrafa. Já tenho é muito pouco...

No ano passado, achei a edição 2016 deste vinho com um pouco menos de acidez e por isso comprei menos garrafas. Erro! Este vinho passa 8 meses sobre borras e é engarrafado lá para o final do verão. Precisa de tempo de garrafa! 

O mesmo se passa com o 2017 que provado há poucos dias está a chegar a um nivel muito mais condizente com o perfil de forte mineralidade e frescura, que se sente logo no primeiro ataque e a ganhar mais complexidade, corpo e final de boca. 

Vai crescer seguramente em garrafa, pelo que me parece que terei de reforçar o stock muito em breve. PVP: 13€. Disponibilidade: Garrafeiras Seleccionadas.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Em Prova: Transdouro Express Cima Corgo 2017

Projeto de Mateus Nicolau de Almeida, o Transdouro Express pretende mostrar a expressão das três sub-regiões do Douro: Cima Corgo, Baixo Corgo e Douro Superior. 

As uvas são compradas a viticultores seleccionados e acompanhados todo o ano e depois Mateus faz os vinhos, de acordo com o perfil que considera fazer jus à região. 

Provei e comentei AQUI a edição de 2016 daquela que foi a minha referência preferida das três , o  TransDouro Express Cima Corgo, um vinho fresco, elegante, pouco extraído, mas muito "fácil" e versátil. 

A edição de 2017, claramente "um menino", a precisar de mais uns bons meses em garrafa para se mostrar na plenitude, dá para perceber que provém de um ano mais quente e isso reflecte-se no perfil do vinho, com mais corpo e estrutura, mas também mais densidade, ou seja, sem ser extraído, sente-se um perfil de fruta mais madura, ainda que o trabalho de enologia de Mateus Nicolau de Almeida mantenha o vinho sempre num equilibrio notável. Veremos como evoluirá em garrafa, sendo certo que não estamos na presença de uma "receita", mas sim da influência do ano no cima corgo. PVP: 10€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Radar do Vinho: Pedro Milanos

Pedro Milanos é o anagrama de Armindo Lopes, o autor do poema que está no contra rótulo dos vinhos, um apaixonado pela região, que faleceu antes desta ser considerada Património da Humanidade.

Tudo começou com o enólogo Luis Soares Duarte ( Gouvyas ) que trabalhava na propriedade e fazia o seu vinho (cerca de 3000 garrafas). Mais tarde começou a produzir outras 3000 garrafas a pedido da familia. As uvas sempre foram entregues a uma empresa de Vinho do Porto e as 3000 garrafas restantes eram consumidas entre familia e amigos.

Entretanto Vasco Lopes, neto de Armindo foi crescendo e vivendo rodeado de vinha e vinho, acabando por enveredar por esse caminho. Foi ao Porto fazer os pré-requisitos para poder entrar na faculdade de desporto e apesar de ter sido até o 1º classificado na natação ( fazia vela desde os 7 anos ), entrou em... enologia.

Acabado o curso, Celso Pereira (Vértice), amigo da família,  deu uma "mãozinha" e colocou Vasco na Austrália (na adega onde tinha estado) para um estágio, tendo Vasco regressado e assumido os vinhos em 2005. Surge assim a marca Pedro Milanos. São 3ha de vinha (eram 7 ha de vinha mas a construção da A24 levou 4ha).

Neste momento produzem 4 vinhos, Pedro Milanos Branco, Rosé e Tinto, a um PVP de 7,5€ e o Pedro Milanos Reserva Tinto, a uma PVP de 9€.

Os colheita são vinhos interessantes, mas ainda em proceso de afinação, na minha opinião (provei o branco e o rosé apenas), mas o que gostei mesmo mais foi do Pedro Milanos Reserva Tinto.

Um tinto, de 2015, com as castas típicas do Douro e com passagem de 12 meses por barrica. Apesar dos seus 14º de alcool, se tivermos cuidado com a temperatura, teremos um bom exemplar do Douro, para a mesa - para a comida de tacho, ou asssados, onde com os seus taninos firmes, mas civilizados, vai harmonizar na perfeição. Acompanhou uns rojões e deu um grande prazer. Um projeto familar a acompanhar de perto.

Sérgio Lopes

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Radar do Vinho: Gerações de Xisto

Gerações de Xisto resullta de uma vontade de Frederico Lobão e Paulo Grandão, responsáveis pelo projeto, dar continuidade ao legado deixado, num território que lhes é muito querido, Muxagata, em Vila Nova de Foz Coa Apaixonados pela sua terra e apostados em preservar o património rural familiar e as tradições herdadas a recuar gerações. O projeto contempla a junção de duas casas agrícolas, a Chousas Nostras dedicada ao azeite, e o Vales Dona Amélia direcionada para a produção de vinhos. Com enologia de Rui Carrelo, neste momento produzem 3 vinhos - um branco e dois tintos. 

O Gerações de Xisto Branco 2017 é produzido 90% de Rabigato (completamente típico na zona de Muxagata) e 10% de Arinto. Trata-se de um branco fresco, com alguma mineralidade, herbáceo e floral, mostrando-se bastante equilibrado. Sem passagem por madeira.  Foi o que gostei mais dos 3 vinhos apesar de considerar o seu posicionamento de preço um pouco acima, sobretudo em comparação com alguns brancos da região. Veremos como evolui em garrafa, pois vai na sua primeira edição. PVP: 12€

O Gerações de Xisto Tinto 2014 é feito dos famosos 3 "Ts" do Douro - Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, com passagem por madeira usada de segundo e terceiro ano durante 12 meses. Vinho de taninos firmes, mas civilizado, com alguma rusticidade, a pedir para ser consumido à mesa. PVP: 7€

Finalmente, o Vales Dona Amélia Tinto 2014, também produzido com os 3 "Ts" do Douro e com passagem de 12 meses por barrica de segundo ano. Mostra-se nesta fase bastante fechado, com taninos bem presentes, a pedirem tempo para amaciar. Um vinho com alguma opulência, para consumo à mesa, certamente e que beneficiará de mais algum tempo de garrafa e decantação prévia ao seu consumo. PVP: 14€

Um projeto iniciado apenas em 2010 e que acompanharemos a sua evolução. Todos os vinhos disponiveis em Garrafeiras Sekeccionadas e no ECI.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Harmonizações: Quinta da Pedra Escrita 2016 e Pizza @VilaMar Restaurante e Pizzaria

Vinho provado às cegas, no restaurante Vila Mar, do meu amigo George Carvalho. É um restaurante que, para além da vista priveligiada sobre a praia de Salgueiros, em Vila Nova de Gaia, é um local onde se come muito bem e  no qual George trata (muito) bem o vinho. E George gosta de nos surpreender, muitas vezes às cegas, com as suas harmonizações...

Para além da Pizza que comemos nesse dia, há inúmeros pratos que vale a pena experimentar. Nesse dia, provamos alguns, com outros tantos vinhos a acompanhar. 

Destaco, no entanto, o Quinta da Pedra Escrita, branco de 2016, produzido por Rui Roboredo Madeira, com uvas provenientes da quinta com o mesmo nome, localizada em Freixo de Numão, no Douro Superior, a uma altitude média de 575 metros. Os solos graníticos fazem-se sentir de imediato, conferindo ao vinho grande mineralidade. Nariz com algum citrino, notas de pedra e mineralidade a predominar. A boca é muito fresca, crocante, com bom volume e final longo e refrescante. Seco.
              

Um belíssimo branco, cheio de garra e que brilha à mesa. Foi uma surpresa muito agradável nesse dia e passará a fazer parte das minhas escolhas, seguramente. PVP: 11€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Em Prova: Transdouro Express Cima Corgo 2016

Projeto de Mateus Nicolau de Almeida, o Transdouro Express pretende mostrar a expressão das três sub-regiões do Douro: Cima Corgo, Baixo Corgo e Douro Superior. 

As uvas são compradas a viticultores seleccionados e acompanhados todo o ano e depois Mateus faz os vinhos, de acordo com o perfil que considera fazer jus à região. 

Os 3 vinhos, tintos (os brancos têm origens e nomes distintos) são muito bem feitos e equilibrados, mas o que aprecio mais particularmente é o Transdouro Express Cima Corgo

Tem toda aquela fruta vermelha tão bonita do Douro, mas tudo num registo fresco, elegante, pouco extraido, mas muito sumarento. È um vinho que dá grande prazer a beber e na tenperatura certa (14 graus na minha opinião) é um companheiro do "caraças" à mesa. 

E o preço é muito acertado também. PVP: 10€. Garrafeiras.


Sérgio Lopes

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Novidade: Secretum Branco 2016

Este vinho produzido uma única vez, em 2012 e eis que em 2018, chega a segunda colheita do Secretum,a de 2016, um vinho apenas produzido em anos muito especiais e que acaba de sair para o mercado. É um belíssimo branco, do Douro, totalmente produzido de Arinto. 

O nariz é apaixonante, muito fino, contido, mas muito complexo, com percepção de barrica de qualidade e notas florais e citrinas. Na boca confirma essa barrica muitissimo bem integrada desde já, aportando untuosidade ao vinho e grande volume de boca. É muito fresco, com notas dominantes citrinas e termina longo. Vai crescer e muito em garrafa, como aconteceu com o 2012 que ainda está aí para as curvas, mas este 2016 já dá uma prova muitíssimo boa, agora.

Foi provavelmente o grande vencedor de uma prova cega memorável ocorrida no sábado passado, tendo inclusivé surpreendido toda a gente por ser um (grande) Arinto do Douro, quando às cegas se apontava para outra região. Um grande branco do Douro. E de Portugal. PVP: 25€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Da minha cave: Quinta do Vesúvio Vintage 2003

A Quinta do Vesúvio, na posse actualmente da família Symington, é uma daquelas quintas lendárias do Douro Superior. Não só pela sua beleza ímpar, mas pelo carácter único que empresta aos seus Porto vintage, cuja fruta de qualidade é imagem de marca e os torna desconcertantes. 

Em tempo de Verão, é comum falar de brancos e rosés, mas este Porto serviu para fechar em grande um jantar onde estive com o meu amigo Hildérico Coutinho, de férias por cá. E fechou o jantar com chave de ouro!

Ele decidiu abri-lo quando vislumbrou o delicioso bolo de chocolate húmido que a foto documenta...

Quanto ao vinho, está num grande momento, aos 15 anos de vida. Com muita fruta vermelha e preta, fresca, de qualidade, como é apanágio dos vintage do Vesúvio. Quase uma imagem de marca. Também o lado balsâmico / mentolado em grande evidencia, que lhe confere uma frescura ímpar. Termina longo e dá grande prova!

Deliciosamente frutado, redondo, equilibrado, a dar muito prazer agora e a mostrar ter muitos anos de vida em garrafa pela frente. Diretamente da cave do Hildérico e não da minha. Obrigado meu "kamba". Ah e do ano 2003 que nem foi como os lendários 2007 ou 2011, por exemplo. Mas é um Vesúvio...! PVP: 60€. Disponibilidade: Garrafeiras.

Sérgio Lopes


quarta-feira, 18 de julho de 2018

Em Prova: Secretum branco 2012

Um dos vinhos de topo do produtor Wines and Winemakers (mais conhecido pelas referências Lua Cheia em Vinhas Velhas).Trata-se de um vinho branco, proveniente do Douro, 100% da casta Arinto. 

Apenas foi produzido uma única vez, em 2012, e desde então não houve outra edição. Tem uma passagem de parte do lote por madeira usada e batonnage por 9 meses o que lhe confere uma complexidade e untuosidade que agora se começa a mostrar, com o equilibrio que só o tempo em garrafa aporta

Surpreende e muito, pois após 6 anos, o Secretum 2012 continua super novo! Mostra-se ainda algo fechado, com um aroma predominantemente mineral, citrino e com muita profundidade. A boca é deliciosa, fresca, muito fresca, com grande elegancia e complexidade, e um nervo que o torna crocante e muito gastronómico. Termina muito longo. 

Acompanhou perfeitamente umas costelinahs de borrego na brasa, contrablançando na perfeição com a gordura da carne. Um grande branco do Douro. E de Portugal. PVP: 25€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Da Minha Cave: Dona Berta Reserva Especial Tinto 2008

Esta magnum veio diretamente da minha cave, direitinha para partilhar com uns amigos no passado domingo. Foi adquirida, em 2011, na visita à Quinta do Carrenho em Vila Nova de Foz Coa, onde são produzidos os vinhos Dona Berta. O malogrado Hernâni Verdelho, descendente da local Dona Berta, que empresta o nome aos seus vinhos, reabilitou a vinha no final do século passado. São 10 hectares de vinha (e 3 de olival) onde predominam as castas tradicionais do Douro, plantadas individualmente, com principal incidência no Rabigato e Verdelho - nos brancos, sendo que nos tintos, Touriga Nacional, Franca, Barroca, Tinto Cão e Sousão são as escolhidas. As vinhas apresentam uma idade média de 15 anos.

Este vinho aparece 10 anos depois num momento de prova formidável refletindo o ano fresco de 2008 que no Douro produziu vinhos que tão boa prova estão a dar neste momento.

Muito complexo e fresco, com a fruta do Douro e um lado químico muito giro, tudo amparado com taninos sedosos e sumarentos. Termina longo e gastronómico. Foi um vinho de grande apreço pelos comensais, acompanhando na perfeição um entrecôte com arros de enchidos, superiormente confeccionado no restaurante Avô Arnaldo.

Um dos produtores mais interessantes do Douro Superior. PVP: 18€ (0,75cl). Garrafeiras.

Sérgio Lopes


sexta-feira, 15 de junho de 2018

Radar do Vinho: Duas Árvores

O projecto Duas Árvores foi constituído no final de 2012 por dois grandes amigos Brasileiros, José Castanheira e Luiz Oliveira. A conjugação dos seus nomes origina o nome da empresa. Em Portugal, encontraram no Douro e na Quinta da Marcela ligação perfeita para voltar a reatar com as suas origens. Situada no Vale Mendiz, perto do Pinhão, os 16 hectares da Quinta com vinhas que vão desde os 100 aos 500 metros de altitude, de vinha velha e também de vinhas novas, com castas plantadas separadamente e que vão definir o perfil dos vinhos, com o carisma e expressão própria do Terroir único da região.


O Duas Árvores Tinto 2014, tem como base as castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e uma parte de vinhas velhas. Fermentou em cuba de Inox e estagiou em barricas de carvalho francês. Trata-se de um vinho fresco, elegante mas estruturado. Sente-se o calor do terroir, mas o equilibrio entre a estrutura e acidez, torna-o um vinho muito bem conseguido. No nariz aparece fruta preta, alguma especiaria. Boca com madeira bem integrada e final longo, de pendor gastronómico. Naturalmente. PVP: 11€.


O Duas Árvores Reserva 2014 é um vinho produzido de Touriga Nacional, Touriga Franca, Roriz,  mas também Tinta Barroca, Mourisco e das Vinhas Velhas, claro. O estágio é maior, cerca de 16 meses em barricas de carvalho francês de 1º e 2º ano. É um vinho mais estruturado e potente, mas com os taninos já civilizados. De novo presença de muita fruta preta, mas uma maior profundidade aromática e complexidade. Boca com grande volume e final longo. Ainda mais gastronómico que o colheita. Para a mesa, claramente acompahando por exemplo um assado potente. Depois de decantado. PVP: 20€.

Sendo um projecto de produção reduzida, e com o objectivo de estar presente em restaurantes de alta gastronomia e garrafeiras especializadas, a Duas Árvores conta com uma distribuição personalizada e exclusiva, realizada pelo próprio enólogo assistente, Afonso Magalhães. A enologia principal está a cargo de Diogo Frey Ramos.

Há tembém um Rosé na forja, o Botas, que em breve será provado.

Sérgio Lopes