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terça-feira, 1 de abril de 2014

Prova dos vinhos Allgo Rosé e... Branco 2013!

Desde o início que acompanhamos com carinho este projecto diferenciador do Dão. E é por isso com enorme satisfação que tivemos o privilégio de provar as novíssimas colheitas de 2013, com particular destaque para o primeiríssimo branco da casa, o Allgo Branco 2013!

Allgo Rosé 2013

Ano: 2013

Produtor: CM Wines

Tipo: Rosé

Região: Dão

Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro Preto (20%)

Preço Aprox.: 7,9€

Veredicto: Trata-se de um vinho produzido com perfil para os países nórdicos. Em cada ano, fruto sempre dos melhores lotes de Touriga Nacional e Alfrocheiro Preto.

Cor: Rosa romã. Aroma: Apresenta um perfume frutado onde sobressaiem notas de morango, framboesa, romã e cereja com muita frescura á mistura. Boca: É um vinho que possui estrutura e uma acidez bem marcada. Muito mineral e leve apimentado com predominância de fruta fresca vermelha. Tem um final longo e seco.

É um rosé não muito habitual pois é mais vinho. Pode beber-se sozinho como aperitivo ou a acompanhar inúmeros pratos de comida..Será talvez pouco consensual visto ser um rosê mais vinoso que, decerto irá brilhar em qualquer mesa.

De qualquer forma só apresenta 12.5%, um fator muito importente, pois basicamente os roses secos lusos tem muito mais. Segundo o produtor, afirma que "quanto aos clientes, mais de 80% são femininos. Derivado ao baixo teor alcoolico. E dizem que o vinho é muito sexy". 

Classificação: 15,5



Allgo Branco 2013


Ano: 2013

Produtor: CM Wines

Tipo: Branco

Região: Dão

Castas: Encruzado, Uva Cão (15%).

Preço Aprox.: 7.9€

Veredicto: Primeiríssimo branco da casa, praticamente Encruzado, com uma pequena percentagem da desconhecida Uva Cão. 10% do lote fermentou em barricas novas de carvalho francês, com battonage. Vinhas com 4 anos de idade.

Cor: Amarelo palha. Aroma: Muito fresco e mineral com notas florais, flores do campo e algum herbáceo. Boca: Confirma a frescura e mineralidade evidentes no nariz. É um vinho seco com leve untuosidade. Boa acidez limonada e um final longo.

Vinho muito jovem mas gastronómico, a necessitar um pouco de garrafa. Promissor. Evoluirá certamente, mas o mercado pede já o vinho...! Demasiado cedo...

Classificação: 15


Nota: Amostras gentilmente cedidas pelo produtor ao qual agradecemos.


Lucinda Costa

sexta-feira, 28 de março de 2014

Quinta da Falorca Garrafeira Tinto 2003

Ano: 2003

Produtor: Quinta Vale das Escadinhas

Tipo: Tinto

Região: Dão

Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro.

Preço Aprox.: 30€

Veredicto: Um dos vinhos que escolhi para comemorar o meu aniversário. E que bela escolha. Um vinho que acaba de passar a barreira dos 10 anos, mas que é ... Dão! A idade não é um problema, antes pelo contrário.

Cor: Rubi intenso

Aroma: Muita fruta preta bem madura, especiado com notas de eucalipto, tabaco, chás, madeira mt bem integrada e com bom corpo,

Boca: Mt macio e aveludado, com boa estrutura e mt elegante. Apresenta uma grande frescura e uns taninos firmes mas bem domados. Leve vegetal, tabaco.

Tem um final muito longo e muito persistente.


 É um vinho guloso para acompanhar comida ou simplesmente beber sozinho. Uma delícia. Demais


O Dão é brutal!

Classificação Pessoal: 17,5


Lucinda Costa

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Quinta da Falorca Encruzado 2012

Ano: 2012

Produtor: Quinta Vale das Escadinhas

Tipo: Branco

Região: Dão

Castas: Encruzado (85%), malvasia fina.

Preço Aprox.: 9,5€

Veredicto: A Quinta da Falorca fica localizada em Pindelos de Silgueiros e é mais um dos produtores de referência do Dão. A casta encruzado, já se sabe que é a casta nobre da região. Juntando estes dois pergaminhos, o resultado só poderia ser positivo.

A casta é bem tratada, durante e após a vindima e 10% do lote (85% encruzado) estagiou em barrica nova de carvalho francês com battonage. Para lhe dar aquela untuosidade e um pouco mais de volume de boca.

Este branco de 2012 apresenta-se como seria de esperar com um aroma fino e delicado como é apraz de um bom encruzado, com notas florais e levemente citrinas. Boca com volume, frescura e mineralidade. Barrica integrada, onde apenas se sente um leve especiado, próprio da sua juventude. Termina longo, fresco e de grande persistência.

Muito jovem ainda, mas já a dar muito prazer. Um belo branco para todo o ano.

Classificação Pessoal: 16,5


Sérgio Lopes

sábado, 11 de janeiro de 2014

Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 2010

Ano: 2010

Produtor: Sogrape

Tipo: Tinto

Região: Dão

Castas: Touriga Nacional

Preço Aprox.: 15

Veredicto: Já é sabido. O berço da Touriga Nacional é no Dão. É a casta rainha da região. Por isso, normalmente é ou o topot do gama do produtor, ou algo especial e próximo disso. Esta Touriga Nacional provada é proveniente da Quinta dos Carvalhais, gerida pela Sogrape, vinho produzido pelas mãos do experiente enólogo Manuel Vieira.

Apresenta cor ruby intensa. O aroma característico da Touriga Nacional do Dão com aroma intenso a fruta vermelha, leve floral, tudo num registo muito suave. Boca elegante e sedosa, corpo médio, denotando muita juventude, ainda algo inquieto. Boa acidez, termina com final longo.

Um Touriga Nacional fiel à casta, mas ainda muito jovem e com elevado potencial.

Classificação Pessoal: 16


Sérgio Lopes

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Prova dos vinhos Quinta da Fonte do Ouro

“Um enólogo, várias regiões, perfis distintos de vinho”. È este o mote do projeto "Boas Quintas". Boas Quintas nasceu em 1991 na região do Dão, mas só em 2010 segue como projecto multi-regional que alia o que há de melhor da Quinta da Giesta e Quinta da Fonte do Ouro (Dão), da Herdade de Gâmbia (Península de Setúbal) e da Quinta de Garro (Alentejo).

Com tradição agrícola de 130 anos, a família Cancela de Abreu guarda registos da sua actividade vitivinícola desde 1884. Em 1991, o enólogo Nuno Cancela Abreu, representante da 4ª Geração, decidiu empregar toda a sua experiência na área da viticultura e da enologia ao serviço de um projecto que lhe permitisse criar vinhos de alta qualidade, carácter e personalidade: E assim nasceu o projeto.

Eis as notas de prova dos vinhos Quinta da Fonte do Ouro Encruzado Branco e Reserva Tinto. 


Quinta da Fonte do Ouro Encruzado Branco 2011

Ano: 2011

Produtor: Boas Quintas

Tipo: Branco

Região: Dão

Castas: Encruzado

Preço Aprox.: 10€

Veredicto: Cor amarelo pálido. Nariz com presença mineral forte e notas florais delicadas e de fruta branca. Boca fresca e untuosa, com acidez perfeitamente integrada. Final de bela persistência.

Classificação: 16



Quinta da Fonte do Ouro Reserva Tinto 2010

Ano: 2010

Produtor: Boas Quintas

Tipo: Tinto

Região: Dão

Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen e Trincadeira.

Preço Aprox.: 10€

Veredicto: Cor Ruby. Nariz elegante e fino, com perfeito balanço entre fruta e a passagem pela barrica. Na boca, o mesmo equilíbrio. Frescura, elegância, bom corpo, taninos macios e final de grande proporção. Muito bem.

Classificação: 16


Em resumo, belos exemplares identificativos da região do Dão, dentro do seu patamar de posicionamento.

Nota: Amostras gentilmente cedidas pela Garcias Gourmet à qual agradecemos.


Sérgio Lopes

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Pedra Cancela Selecção do enólogo tinto 2010

Ano: 2010

Produtor: João Paulo Gouveia

Tipo: Tinto

Região: Dão

Castas: Tinta Roriz, Alfrocheiro e Touriga Nacional

Preço Aprox.: 5€

Veredicto: Selecção do enólogo, neste caso, de João Paulo Gouveia, pode ser entendido como o "colheita" da marca Pedra Cancela. Produzido através das castas Tinta Roriz, Alfrocheiro e Touriga Nacional, estagia 6 meses em barrica usada de carvalho Allier.

Cor ruby brilhante de média intensidade. Nariz, com notas de fruta vermelha, notas florais, toque herbáceo, levemente especiado. Na boca, elegante e fino, de acordo com os exemplares da região. De taninos redondos e estrutura média, termina de agradável persistência.

Um Dão mais moderno e acessível. Talvez peque um pouco pela identidade não marcante  Medalha de prata no IWC 2013.


Classificação Pessoal: 15


Sérgio Lopes

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Mais 3 brancos...

 

Ainda temos Verão, embora inconstante... Assim, aqui fica a sugestão de mais 3 brancos a preços cordatos, de fácil agrado e que se encontram na grande distribuição, com facilidade. Brancos capazes de proporcionar prazer, sem termos que dispender muitos euros da nossa carteira...

Via Latina (Região vinhos verdes - PVP 2,49€)

Produzido pela Vercoope, uma associação de adegas cooperativas da região dos vinhos verdes. Medalha de prata no Concours Mondial de Bruxelles. Um vinho fresco, leve e com uma acidez crocante, sobretudo bem feito, sem "pesar". Em suma, aquilo que se pretende de um "Vinho Verde", ainda para mais quando composto por uma mescla de castas e por ventura de diferentes origens.

Cabriz Colheita Seleccionada (Região Dão - PVP 3,20€)

Produzido pela gigante Dão Sul. Medalha de Ouro concurso mundial de bruxelas 2012..Um vinho mineral, delicado e leve, mas que dá satisfação. Fresco, de corpo médio e com um bom final. As notas citrinas e tropicais, suaves, dão uma certa aptidão gastronómica ao conjunto, bastante equilibrado.

Castelo D'Alba (Região Douro - PVP 2,99€)


Produzido pela VDS - Vinhos do Douro Superior. Um daqueles belos vinhos de piscina / esplanada. Floral e frutado, com alguma mineralidade, fresco, jovem e vivo, de corpo médio, equilibrado, terminando igualmente médio. Um vinho a um preço acessível, que se bebe com agrado, sobretudo nos dias de Verão  quer a solo, quer para acompanhar uns aperitivos ou pratos leves.

Em suma, se pretende gastar 3€ num vinho branco, pode fazê-lo com estas escolhas seguras, todas com excelente RQP, de 3 regiões distintas e com a garantia de qualidade.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Fonte de Gonçalvinho Branco 2010

Ano: 2010

Produtor: Agriema

Tipo: Branco

Região: Dão

Castas: Encruzado.

Preço Aprox.: 10€

Veredicto: Posso afirmar que acompanho quase desde o início o projecto destes amigos, Casimir e Christelle, simpático casal de França que decidiu fazer vinhos em Paranhos da Beira - Seia. É pois com algum privilégio e muita satisfação que tive acesso ao primeiro branco da casa, 100% encruzado, pois claro. Da colheita de 2010, primeiríssima da casa, fizeram-se apenas 600 garrafas. Esta é a número 495...

De cor palha esbatida, no aroma ressaltam as notas florais e delicadas tão típicas da casta, juntamente com um amanteigado bem evidente decorrente da fermentação em barrica. Mineral e fresco, na boca entra gordo, com bom volume e acidez no ponto. A tosta da barrica de qualidade ainda se sente o que demonstra necessitar ainda de garrafa para a harmonia ser completa. Termina longo e persistente, gastronómico.

Parafraseando o enólogo da casa, António Narciso, o vinho "está bem jeitoso"... Vou deixar repousar as restantes garrafas na garrafeira mais um par de anos, para mais tarde apreciar. Um branco que é uma pérola, dado o número muito reduzido de exemplares, encruzado bem típico e que confere um futuro risonho também para os brancos da Fonte de Gonçalvinho.


Classificação Pessoal: 16


Sérgio Lopes

domingo, 23 de junho de 2013

Quinta da Fata Reserva 2003


Ano: 2003

Produtor: Quinta da Fata

Tipo: Tinto

Região: Dão

Castas: Touriga Nacional, Jaen, Alfrocheiro, Aragonês

Preço Aprox.: 8€

Veredicto: Em conversa com o produtor, Sr. Eurico Ponces de Amaral, referi que gostava de provar um Touriga Nacional mais antigo, uma vez que o de 2009, do qual ainda tenho uma caixa, está muito novo parar beber, embora desde já delicioso... Não tive sorte. Ou melhor, tive sorte, pois a sugestão recaiu num belo reserva, o Quinta da Fata Reserva 2003. Dizia-me o Sr. Eurico: "Vai beber este vinho. Ou é muito bom, ou então, deitá-lo pia abaixo...!". Pois... pela imagem acima, é possível constatar a vivacidade do vinho, na magnífica e opulente cor apresentada. Foi um verdadeiro deleite.

Os Reserva da Quinta da Fata são produzidos das castas tradicionais do Dão. Este, o de 2003, menicona no rótulo: pequenas parcelas de Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen e Trincadeira, predomina a casta Touriga Nacional. Não sei se em todos os anos a predominância é de Touriga Nacional, mas neste caso, talvez ajude a explicar a excelente evolução apresentada pelo vinho.

Vinho de Lagar e que expressa na perfeição o terroir da Quinta da Fata e o seu carácter rústico, com aromas resinosos, a pinho, esteva, fruta negra - deliciosamente complexo. Na boca, enorme frescura, decorrente da excelente acidez. Taninos muito vivos e polidos com o passar do tempo em garrafa a dar uma prova deliciosa, num final muito longo e persistente.

Um grande vinho, 10 anos após a data de colheita, com uma vivacidade estonteante.

Classificação: 17

Sérgio Lopes

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Pingo Doce, vinhos anti-crise



Ligamos a televisão e é só austeridade e mais austeridade... Folheamos os jornais ou navegamos na internet e a crise está sempre no topo das notícias. E por isso, decidi partilhar algumas opções, vinhos verdadeiramente anti-crise. São 3 vinhos distintos, sob a chancela da marca Pingo Doce, dois brancos, um do Dão, outro da região dos vinhos verdes, ambos abaixo dos 2€ e ainda um espumante rosé, bairradino, pois claro, abaixo dos 3€. Nice! A cadeia do grupo Jerónimo Martins inteligentemente juntou esforços com alguns dos produtores em larga escala, de cada região, produzindo assim vinhos acessíveis a todas as bolsas. E atenção, tratam-se de vinhos bem feitos e capazes de agradar.

Do Dão, o branco, que ilustra a figura acima, tem enologia de Osvaldo Amado, enólogo da Dão Sul (Cabriz, Santar) e é engarrafado pela empresa em exclusivo para o Pingo Doce. Produzido das castas brancas da região, nomeadamente encruzado, malvasia fina, bical e cerceal branco, trata-se de um vinho onde no nariz predomina um conjunto de notas frutadas (citrinas e tropicais) e florais, típicas da mistura de castas, num conjunto aromático bem agradável. Na boca, a frescura é o mote. Embora o corpo e o final de boca sejam obviamente algo curtos, termina com uma acidez interessante (quiçá um pouco marcante - não nos podendo esquecer que o vinho custa menos que 2€) que lhe confere um carácter gastronómico interessante.

Da Bairrada, um espumante bruto rosé, produzido pelas Caves da Montanha em exclusivo para o Pingo Doce. Embora de Rosé tenha pouco, aromaticamente falando (falta fruta), o conjunto funciona globalmente bem, graças a uma bolha fina e uma acidez correcta, traduzindo-se num vinho borbulhoso bem conseguido, gastronómico qb.

Finalmente resgato aqui o vinho verde, 100% Loureiro, produzido pela Quinta da Lixa em exclusivo para o Pingo Doce. Apesar de existir igualmente um branco blend eu prefiro este Loureiro. Apresenta alguma agulha típica dos "verdes" ao primeiro vislumbre. Fresco, floral, citrino e suave. Simples, mas bastante bem conseguido, terminando curto mas agradável.

Todos os vinhos têm a marca Pingo Doce e podem ser opções viáveis como verdadeiras bombas anti-crise!



Sérgio Lopes

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Quinta de Lemos

Localizada em Silgueiros, um dos berços da região do Dão no que toca à produção de vinhos, a Quinta de Lemos possui 25 hectares de vinha, toda ela plantada com as castas nativas do Dão - Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen e Encruzado, em solos arenosos e de natureza granítica entre os 350 e os 400 metros de altitude. Viticultura cuidada, vindima manual, adega em inox e madeira para vinificação e estágio dos vinhos, são as condições indispensáveis para se atingir o objectivo bem claro de produzir vinhos Premium. Aliás ficou totalmente clara a missão e a meta a atingir por parte da Quinta de Lemos, através da visita que efectuei à propriedade, onde fui recebido pelo rosto mais comercial da empresa, Eduardo Figueiral e também pelo enólogo, Hugo Chaves, mais um homem da nova geração de enólogos que tal como outros da sua geração trabalha todo o ano na vinha, com afinco, dedicação e respeitando o terroir e o comportamento de cada casta individualmente, para que na Adega consiga obter um vinho de excelência.

A propriedade é de uma beleza ímpar, ampla, rodeada por vinhedos e com um hotel de charme, praticamente concluído que funcionará maioritariamente para receber parceiros, fornecedores e amigos. Enfim, até aqui a filosofia é diferenciadora. Celso Lemos, o patriarca da empresa, conceituado empresário da indústria textil, tem um objectivo muito claro: Criar vinhos Premium, nem que para isso tenha de esperar no mínimo 5 anos para colocar os vinhos em comercialização. É uma filosofia muito própria, talvez até um pouco arriscada, mas que lentamente vai dando os seus frutos. A Quinta de Lemos é já um produtor conceituado do Dão, tendo inclusivé o seu topo de gama Dona Georgina 2007, entre outras menções honrosas, sido pontuado com 18 valores, pela revista da especialidade Wine.


Mas voltando um bocadinho atrás, importa explicar que para o conseguir obriga a um conjunto de cuidados e tarefas muito específicas., aliadas a um rigor quase científico. Em primeiro lugar, a monda  - processo onde se retiram os cachos em excesso para obter uma maior qualidade no produto final - é levada mesmo a sério... quando digo a sério significa que de 7kg de uva, aproveitam-se 700gr, ou seja, apenas 10%. Para alguns produtores, seria quase como "cortar os pulsos". mas é o preço a pagar para se obter a qualidade desejada. Depois, tal como explicou Hugo Chaves, cada casta tem a sua maturação e as suas particularidades e por isso tem de haver intervenção na altura certa, para maximizar aquilo que a vinha e cada casta pode dar e reduzir ao máximo as eventuais surpresas negativas à posteriori. Apenas a título de exemplo, a Tinta Roriz é tão produtiva que se tem de cortar mesmo MUITO para se obter o desejado. O Alfrocheiro por vezes apresenta uvas verdes por dentro do cacho já maduro, não visível a um primeiro olhar e esta situação tem de ser atacada de prevenção para não prejudicar no momento da entrada na adega e posterior vinifcação. As vindimas são efectuadas à noite, para as uvas serem colhidas numa temperatura baixa e não sofrerem o choque térmico assim que entram na adega, o que obriga a um "vistoria" prévia na vinha um ou dois dias antes da respectiva vindima... Enfim, muito rigor e um cuidado diria triplicado, para obter o máximo proveito do terroir...!

Todos os vinhos estagiam em barricas de carvalho, maioritariamente de 1º ano. Para além de vinificarem as monocastas em separado - Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen, os restantes blends têm o nome de familiares de Celso Lemos - Dona Louise, Dona Santana e o topo de gama Dona Georgina. Este ano, sairá para o mercado o primeiro branco da casa, feito de Encruzado, é claro. São vinhos comercializados apenas no 5º ano após a vindima, o que significa que neste momento no mercado a colheita é a de 2008.


Após a visita, almoçamos um óptimo cabrito grelhado na brasa em torno de alguns dos vinhos da Quinta de Lemos. São de facto vinhos que não são para todos os dias e que se destacam claramente na região pela claro posicionamento. São vinhos ainda muito jovens, apesar dos 5 anos de espera. Só vão melhorar em garrafa, embora se consigam beber desde já com enorme satisfação. Na visita tive o privilégio de provar as amostras de casco do vinho que vai formar os Dona Georgina 2009 e 2010 e fiquei deveras impressionado. Estão ainda melhores, o que por um lado significa uma afinação no processo, mas sobretudo a afirmação de uma vinha jovem que começa a aproximar-se da consistência desejada e seguramente levará a Quinta de Lemos a patamares de excelência, quer nacional, quer internacionalmente, confirmados desde já pela excelente menção obtida pelo Dona Georgina 2008.


Quinta de Lemos
Passos do Silgueiros | 3500-541
Silgueiros | Portugal
T. 00351 232 951 748
F. 00351 232 951 495
E. info@quintadelemos.com
GPS
latitude 40°33’27.27”N
longitude 7°57’32.55”W


Sérgio Lopes

terça-feira, 2 de abril de 2013

Porta dos Cavaleiros Tinto 1997


Ano: 1997

Produtor: Caves S. João

Tipo: Tinto

Região: Dão

Castas: Touriga Nacional, Aragonês e Alfrocheiro

Preço Aprox.: 5€

Veredicto: Isto de provar vinhos antigos, tem o que se lhe diga... Feitos em tempos de outrora, nada parecidos com o que se produz hoje em dia, para o bem ou para o mal, nunca se sabe o que esperar. Mas como ando nestas coisas por gosto e como diz o ditado "quem anda por gosto não cansa" decidi experimentar o Porta dos Cavaleiros de 1997, adquirido na garrafeira Tio Pepe (que ainda vai tendo umas coisitas mais antigas que vale a pena espreitar, sobretudo do Dão).

Marca emblemática e amplamente difundida nas grandes superfícies, o Porta dos Cavaleiros talvez tenha perdido muito do prestígio granjeado, quiçá resultado do apagamento das Caves S.João, entretanto felizmente renascidas. As Caves S. João, apesar de ser um produtor localizado na região da Bairrada, produz este vinho de uvas compradas na região do Dão.


De cor granada. com traços acastanhados, no nariz o primeiro impacto é a madeira bem evidente. Notas de alguma fruta preta, torrefacção e couro, também se foram evidenciando. Na boca, a madeira comanda, com a tosta a sobrepor-se no conjunto. Estruturado, picante e fresco, termina de média persistência.



Confesso que o achei um pouco "agressivo", duro mesmo, mas de salientar a frescura que ainda possui para um vinho de 1997. No segundo dia, infelizmente já se encontrava em declínio, não tendo por isso sobrevivido à oxidação. 



Para quem quiser experimentar um vinho à maneira antiga.

Classificação: 14,5

Sérgio Lopes

domingo, 3 de março de 2013

Casa da Passarela Colheita Seleccionada Tinto 2008



Ano: 2008

Produtor: O Abrigo da Passarela

Tipo: Tinto

Região: Dão

Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen.

Preço Aprox.: 2,80€

Veredicto: As 4 castas típicas da região estão lá: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen. Os aromas são igualmente muito característicos do Dão e seguem um pouco a linha do reserva anteriormente comentado neste blogue, ou seja, fruta vermelha e notas vegetais, num registo com toques terrosos. Na boca, entra fresco e redondo, focado um pouco mais na fruta, terminando com uma persistência interessante.

Tipicamente Dão, abaixo dos 3€, numa extraordinária relação qualidade-preço.

Um vinho que é uma aposta segura anti-crise e que não deixará ninguém ficar mal, ao ser seleccionado. Muito bem.

Classificação: 15,5

Sérgio Lopes

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Casa da Passarela Reserva Tinto 2009



Ano: 2009

Produtor: O Abrigo da Passarela

Tipo: Tinto

Região: Dão

Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen.

Preço Aprox.: 5€

Veredicto: Localizada no sopé da Serra da Estrela, possuindo por isso um terroir único, a Casa da Passarela tem-se afirmado como um dos nomes mais fortes a surgir no Dão, com vinhos de excelente relação qualidade-preço Apesar de produzir vinhos desde o século XIX, saltou recentemente para a ribalta desde Lagarinhos, Gouveia - para o mundo, tendo inclusivé obtido inúmeros prémios, graças a uma nova abordagem ao mercado e consequente estratégia por parte dos seus responsáveis.

O vinho que vos trago hoje é de uma incrível relação qualidade -preço - abaixo de 5€, disponível na maioria da grande distribuição / hipermercados. Pode por isso ser facilmente encontrado e permitir ao consumidor comum habituado ao Alentejo e Douro, experimentar algo diferente, a preço cordato.

Este Casa da Passarela Reserva tinto da colheita de 2009,  foi elaborado a partir das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro e Jaen e estagiou em barricas de carvalho francês e americano. 

De cor ruby, com auréloa avermelhada, mostra-se muito vivo no copo. No aroma, madeira presente mas bem integrada, notas florais, alguns frutos vermelhos, carácter vegetal e terroso. Na boca, entra bastante fresco, com taninos redondos, corpo médio e final prolongado e persistente.

Um Dão obrigatório, com um toque de modernidade, que o torna apelativo e que representará uma excelente mostra para a região.

Classificação: 16

Sérgio Lopes

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Dão Winelovers Meeting @ Casa da Passarella

Está oficialmente iniciado 2013; Com um evento que certamente tem todas as condições de ser replicado por outras regiões. Mas o primeiro é sempre o primeiro.. e assim foi homenageada a região do Dão, na Casa da Passarella, que foi o digno anfitrião do Dão Winelovers Meeting

O evento começou a tomar forma nas redes sociais à uns meses atrás, criado e organizado pelos bloggers Miguel Pereira (Pingamor) e Rui Massa (a.k.a. Pingus Vinicus). O mote seria  " Um momento para viver o Dão, em pleno Dão. Um encontro para produtores, enólogos e consumidores. Para quem aprecia o vinho do Dão! ".

E tudo isto foi conseguido e até superado, tendo o evento (festa) decorrido de uma forma informal, descontraída e cheia de boa disposição. Afinal estávamos ali todos para prestar homenagem à região do Dão que produz seguramente dos melhores e com mais longevidade vinhos portugueses.

Chegamos a Lagarinhos (Gouveia), à Casa da Passarella, pouco passava das 10h. O nosso companheiro de viagem foi o Ricardo Oliveira (Magna Casta). Efectuado o check-in (com direito a t-shirt alusiva ao evento e claro o... copo) entregamos as nossas garrafas de vinho do Dão na entrada. Cada participante tinha de  levar pelo menos uma garrafa do Dão, apenas e só isso, para entrar no evento. Só o conjunto de garrafas entregues pelos presentes daria por si só um post... Foi uma desgustação interessante enquanto nos preparávamos, para a grande prova da CEV Dão, constituída por vinhos antigos.

A prova foi composta por por três brancos (64, 74 e 92) e quatro tintos (71, 87, Touriga Nacional 96 e Touriga Nacional 98). Os brancos, dominados pela casta Encruzado mostraram-se muito harmoniosos na prova, com uma linha condutora constante, destacando-se a desconcertante frescura e o longo final, como os factores principais e que demonstram (como se fosse necessário provar) o potencial da região. Então o branco de 64 é simplesmente indescritível, tal a complexidade e frescura apresentadas! Os tintos estiveram igualmente em grande plano, mas numa prova mais oscilante, embora confirmassem o enorme potencial de envelhecimento da região. Alguns deles, estão ainda extremamente taninosos o que sugere, longa vida pela frente! A prova foi comentada pelo Engenheiro Brites da CEV Dão que com a sua sabedoria e experiência, enriqueceu a prova com dados muito interessantes sobre a história de cada vinho.




Finda a prova, retornamos à zona de exposição, junto às cubas de Inox da Passarella (bela ideia), onde estavam mais de 100 vinhos em prova...! Foi nesse ambiente informal e de puro convívio à volta do vinho que fomos vendo e revendo amigos - produtores, enólogos, pessoas em geral ligadas ao mundo do vinho, consumidores, bloggers... toda a gente com um único propósito - homenagear a região do Dão. 


Destaque igualmente para o almoço, composto um belo  borrego assado em forno a Lenha e para as sobremesas típicas da Serra da Estrela - Pão-de-ló, Queijo e Doce de abóbora...! Esta gente da Casa da Passarella tratou-nos realmente bem! Nesse almoço, tivemos a companhia do jornalista Gabriel Alves, também ele um apaixonado por vinho e um aficionado do Dão.

Em suma, foi o grande evento do ano até agora. Um evento diferenciador e no qual temos que dar os parabéns a toda a organização pela forma como decorreu, superando ainda mais as já de si boas expectativas criadas. Uma palavra muito especial à Casa da Passarella pela disponibilidade em organizar o evento e pela inteligência em convidar diversos produtores para "na sua casa" celebrarem o Dão. Atitudes como esta são de louvar. Uma palavra adicional de agradecimento obviamente para o Miguel, o Rui, a CVE Dão e todos os que contribuiram para a realização deste magnífico evento.

O Dão está vivo e recomeda-se!

Clique na foto abaixo para uma compilação de fotos criadas por Miguel Pereira e Pingus Vinicus.



Sérgio Lopes


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Quinta da Vegia Rosé 2010



Ano: 2010

Produtor: Quinta da Vegia

Tipo: Rosé

Região: Dão

Castas: Touriga Nacional, Aragonês.

Preço Aprox.: 5,5€

Veredicto: A Quinta da Vegia, propriedade do Dão, de João Pedro D'Araújo pertence à associação Independent Winegrowers Association, do qual fazem parte os ilustres Alves de Sousa (Douro), Luís Pato (Bairrada) e Quinta do Ameal (Verdes) -  4 produtores de excelecência de 4 distintas regiões do nosso país. Para além da Quinta da Vegia no Dão, o produtor possui também a Casa de Cello na região dos vinhos verdes.

Este Rosé, que bebi, acompanhando um grão-de-bico (!) pautou-se como uma enorme surpresa, pela qualidade geral apresentada, pelo factor de diferenciação face aos demais (algo habitual nos vinhos da Quinta da Vegia) e pelo irrisório preço para aquilo que encontramos dentro da garrafa.

De cor vermelha viva, bastante intensa, no nariz o primeiro impacto é um ataque de frescura, sobressaindo de seguida a fruta fresca (morango, amora silvestre) e um leve floral. Na boca, tem um volume de boca enorme para um Rosé (aliás algo que se prevê quando se olha para o vinho numa primeira instância). Seco e com um toque vegetal, sente-se igualmente a fruta vermelha (o tal morango), mas o que surpreende é a frescura e o final de grande nível, com um comprimento enorme.

Um grande Rosé, a um preço abaixo dos 6€...! Como diria um ilustre blogue desta praça, o Pingus Vinicus: "Quase parece um tinto de Verão!" Totalmente de acordo. Mas atenção que este Rosé não é para todos os gostos... Extremamente gastronómico, será um companheiro fiel à mesa para uma grande variedade de pratos.

Classificação: 16,5

Sérgio Lopes

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Sogrape Dão Reserva Tinto 1999


Ano: 1999

Produtor: Sogrape

Tipo: Tinto

Região: Dão

Castas: Jaen, Tinta Roriz, Touriga Nacional

Preço Aprox.: 9,50€

Veredicto: Ao que parece este reserva Dão da Sogrape foi o ensaio que mais tarde deu origem ao Quinta dos Carvalhais, actualmente referência emblemática da região para a empresa. Feito com as castas autóctones da região, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen, sofreu um estágio em barrica nova, por um período de 12 meses.

Na prova, sendo um vinho com 13 anos de idade, apresenta uma cor encarnada, mas já com traços acastanhados naturais da sua evolução em garrafa. Mostrou-se em muito boa forma com uma frescura e elegância imaculadas, típicos do envelhecimento dos vinhos do Dão. À medida que foi abrindo, foi aumentando a sua complexidade, com notas de licorice, especiarias, chocolate negro e algum vegetal. Bastante complexo, mas com os taninos bem arredondados e um final longo, mas elegante.

É surpreendente a vitalidade dos vinhos do Dão. Creio no entanto ser o momento ideal para beber este vinho, não prevendo que vá evoluir mais positivamente em garrafa. Para quem quiser experimentar, pode ainda ser adquirido na garrafeira Tio Pepe, no Porto, a um preço bastante convidativo.


Classificação: 16,5

Sérgio Lopes

domingo, 23 de dezembro de 2012

Enólogo do Ano - António Narciso


Com o final do ano, damos início ao habitual balanço sobre o que de mais relevante ocorreu no mundo vinícola em 2012. São as nossas escolhas. De notar que as escolhas baseiam-se no conhecimento adquirido ao longo deste ano, nos contactos efectuados, vinhos provados, eventos participados, etc. É portanto limitada e subjectiva, tendo em conta o universo experimentado, mas vale seguramente a pena destacar,  pela qualidade e / ou relevo que apresentam. E a escolha para o enólogo do ano vai para...

ANTÓNIO NARCISO (Dão)

Este jovem,  apaixonado e acérrimo defensor dos vinhos da sua região (Dão), tem já um trajecto notável, sendo responsável pelo trabalho enológico de diversos produtores de "Quinta" do Dão. Nomeadamente: Quinta das Marias, Quinta Mendes Pereira, Quinta da Fata, Casa Aranda, Fonte de Gonçalvinho, Barão de Nelas, Adega de Penalva. Ufa! Sim, é o homem por detrás de todos esses grandes vinhos! Mas o que mais impressiona e talvez distingue António Narciso é a sua capacidade de entender e respeitar o terroir de cada um dos produtores com que trabalha, conseguindo desenhar vinhos com perfis distintos uns dos outros, 100% Dão, cada vinho / referência com a sua própria identidade e características próprias do local de origem e das castas mais produtivas. E por vezes estamos a falar de algumas centenas de metros que distam 2 produtores e Narciso consegue claramente diferenciar ambos. Soberbo! Acresce o facto de ser um dos grandes embaixadores da região. Em 2012 foi vê-lo a promover jantares vínicos no Porto e em Lisboa, por sua própria iniciativa, tentando assim colocar o Dão no local de eleição que merece. Faz por isso muito mais  pela promoção da região, do que muita gente com responsabilidade para o efeito, o deveria fazer... Por todas essas razões, é mais do que merecido o título de enólogo do ano para António Narciso. E Narciso não pára... Recentemente é vê-lo a colaborar em mais uma aventura vinícola, desta feita, a referência "Caminhos Cruzados" em Nelas. Este homem tem tempo para tudo?


Sérgio Lopes

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Produtor Revelação do Ano - Fonte de Gonçalvinho

Com o final do ano, damos início ao habitual balanço sobre o que de mais relevante ocorreu no mundo vinícola em 2012. São as nossas escolhas. De notar que as escolhas baseiam-se no conhecimento adquirido ao longo deste ano, nos contactos efectuados, vinhos provados, eventos participados, etc. É portanto limitada e subjectiva, tendo em conta o universo experimentado, mas vale seguramente a pena destacar,  pela qualidade e / ou relevo que apresentam. Começamos  pela nossa escolha para produtor revelação do ano.

FONTE DE GONÇALVINHO (Dão)

A história do contacto com este jovem e simpático casal é curiosa, na medida em que nas nossas visitas pelo Dão, o enólogo António Narciso recomendou-nos passar por Paranhos da Beira - Seia, local onde se situa a Quinta Fonte de Gonçalvinho. E assim o fizemos. Caso contrário, talvez nos tivesse passado ao lado, tal é a escolha de bons produtores e vinhos, nesta região fantástica que é o Dão. O resultado da nossa visita pode ser lido AQUI


A história de Casimir e Christelle da Silva é feita de preserverança e crença na qualidade de um terroir de eleição, uma produção semi-automática e um enólogo que transformou a tragédia de 2008 numa rota de sucesso. Os vinhos espelham a elegância típica do Dão, num perfil moderno e muito atraente. Desde os colheita tinto e Rosé que são excelentes RQP e mostram bem o potencial de entrada da casa, passando por um monocasta Tinta Roriz sumarento, culminando no sublime Inconnu, o tal vinho de que ninguém conhece quais as castas ou a forma de vinificação. Trata-se de um Reserva sublime. Para 2013 preparem-se para um encruzado desconcertante e um Touriga Nacional super perfumado e já medalhado, a juntar às referências já anteriormente mencionadas. Por tudo isto, Fonte de Gonçalvinho merece o título de produtor revelação do ano. E as suas vinhas ainda são "umas crianças"... Assim, o futuro de qualidade está pois salvaguardado!


Sérgio Lopes

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Grande Prova de Vinhos de António Narciso - O ... INCONNU... Reserva Tinto 2010

Casimir e Christelle Da Silva com o enólogo António Narciso


Foi no primeiro dia de Setembro que decorreu a GRANDE prova de vinhos do Dão, todo eles com enologia de António Narciso. Foram quase 40 vinhos provados, entre brancos, tintos e rosés, num dia longo, mas muito agradável.

O evento decorreu no restaurante O Pote Velho e foram provados vinhos dos seguintes produtores:

- Barão de Nelas
- Casa Aranda
- Quinta Mendes Pereira
- Quinta da Fata
- Quinta das Marias
- Fonte de Gonçalvinho

Para o final, ficou guardado o néctar que foi a pérola da noite, o fantástico Inconnu Reserva Tinto 2010, um vinho que nem António Narciso, nem os produtores Christelle e Casimir, revelam qual a composição, ou a forma como é feito... Que é muito bom,  disso não existe a menor dúvida!


Inconnu Reserva Tinto 2010


Ano: 2010

Produtor: Fonte de Gonçalvinho

Tipo: Tinto

Região: Dão

Castas: ??????

Preço Aprox.: 20€ - 25€

Veredicto: Fruto de uma selecção privada dos Produtores e Enólogo, surge este vinho muito complexo e desafiante em toda a prova. Numa das primeiras provas deste vinho alguém disse... “mas o que é isto?” Por mero acaso foi sempre designado como “????” e assim permanecerá a sua história…, incógnita para todos. Uma história apenas para se apreciar com prazer…

A descrição acima, transcrita da ficha técnica do vinho, não podia estar mais acertada. De facto, trata-se de um vinho extremamente complexo e muito diferente do que habitualmente se produz no Dão. O nome Inconnu, que significa desconhecido em Francês, traz um carácter de originalidade e coloca as pessoas a falar do vinho, uma vez que nem as castas que o compõem são conhecidas nem o processo de vinifcação é revelado. Sabemos que António Narciso não é adepto da casta Jaen, mas quem sabe se esta existe no lote? A minha aposta pessoal vai para um blend de Touriga Nacional com Aragonês, com uma elevada percentagem de Touriga...

Relativamente ao vinho já o tinha provado em diversas ocasiões, até mesmo quando ainda estava em amostra de barrica e aquilo que mais me surpreende é que se trata de um vinho que evoluiu sempre para melhor cada vez que o fui provando!

É um daqueles vinhos para apreciar no final da noite, em boa companhia...

De cor ruby intensa com rebordo violeta, apresenta-se extremamente complexo. Hoje estou a escrever estas palavras, amanhã se calhar novas sensações serão experimentadas pois este vinho é assim. No nariz, é fino, elegante e desafiante com fruta vermelha evidente, notas balsãmicas, madeira de qualidade superiormente integrada. Na boca é encorpado, volumoso, com taninos firimes, mas bem redondos, num equilíbrio perfeito entre potência e finesse. O final de boca é muito longo, persistente e delicioso. Viciante!

Ainda muito novo, deve ser aberto uma horas antes (ou até no dia anterior), decantado para ser apreciado com todo o prazer que proporciona.

PS: Tive oportunidade de provar uma amostra de barrica do Inconnu 2011 e fiquei boquiaberto. Está uma coisa do outro mundo...! Será do Jaen?!


Classificação: 17,5

Sérgio Lopes