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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Em Prova: Vinha da Ordem Tinto 2017

O Vinho da Ordem era feito com uma mistura de castas brancas e tintas previamente definida na altura de plantação da vinha, há muitas décadas atrás, segundo tradições seculares que foram passando de geração em geração. As uvas são vinificadas com curtimenta de modo que o vinho final fique clarete, que na Idade Média era conhecido por vinho vermelho e tinha um profundo significado religioso, dado ter a cor do “sangue de Cristo”. É na aldeia de Valhelhas situada no coração da Região da Beira Interior que se procura replicar este conceito. Depois de provadas as colheitas de 2016 AQUI, eis que chega ao nosso copo o Vinha da Ordem Tinto 2017

Com intervenção minimalista e pouquíssima adição de sulfuroso, é feito a partir da mistura de castas tintas do antigamente, tais como Rufete, Jaen, Bastardinho, Marouco, entre outras. Em relação à edição anterior, de 2016 considero que o vinho está mais ligado, ou seja, mais polido, mas por outro lado, perde um pouco a tipicidade da Beira, apresentando-se mais redondo e tendo sido um ano quente, isso sente-se no vinho. Atenção que o vinho tem frescura, mas o volume e o terroir quente denunciam o ano 2017. Continua a ser um belo vinho, para a mesa e que dá muito gozo a beber, nunca caindo no erro da extração em demasia ou sobre maturação. Apenas está menos rústico e mais volumoso. PVP: 19€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Novidade: Quinta do Cardo Rosé 2018

Novidade absoluta o Quinta do Cardo Rosé 2018, feito 100% de Touriga Franca, que chega agora às nossas mesas. Mesas, sim, pois na minha opinião é um rosé para a mesa. Com o equilíbrio característico, que o enólogo Luís Leocádio coloca nos vinhos que faz, temos aqui um rosé que no aroma cheira mesmo ao que é´(até me podiam vendar os olhos), apresentando notas de framboesa e florais a pétalas de rosa. A boca é super fresca e mineral, com um equilíbrio entre a sensação de doçura apresentada no nariz, que é compensada por uma acidez vibrante que torna o vinho super seco e gastronómico, sem deixar de ser apelativo, a pedir um peixinho, umas entradas ou até uma carne branca. Termina de média intensidade e com muito sabor. Acompanhou um sushi brilhantemente. Mais uma adição que se saúda ao portfolio, já de si excelente da Quinta do Cardo. Se tiverem oportunidade provem também o Rosé topo de gama da casa feito da casta Caladoc, provado AQUI. PVP: 6,99€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Fora do Baralho: Vinho da Ordem

A Aldeia de Valhelhas situa-se no coração da Região da Beira Interior e do Parque Natural da Serra da Estrela e é o berço da Vinha da Ordem, num escondido vale na margem esquerda do Rio Zêzere. Os monges de várias ordens religiosas aqui produziram vinho, ao longo dos séculos, desde a fundação de Portugal, justificando o nome por que é conhecida a “Vinha da Ordem” que deu origem a um vinho peculiar, um clarete (ou rosado), que foi o grande mote para este projecto peculiar, entretanto adicionando um tinto e um branco de curtimenta. Todos os vinhos têm uma intervenção minimalista e a utilização mínima de sulfuroso, sendo por isso, o mais naturais possivel. A vinha é centenária e resulta numa mistura de castas tão diversificadas – brancas, tintas e rosadas, precoces e tardias, temporãs e serôdias, de onde se destacam as mais conhecidas: rufete, folgosão rosado, síria, fonte cal, baga....entre outras. A enologia encontra-se a cargo do professor Virgilio Loureiro, que muito tem contribuido para a identificação das castas presentes na vinha muito antiga.

O Vinho da Ordem era feito com uma mistura de castas brancas e tintas previamente definida na altura de plantação da vinha, há muitas décadas atrás, segundo tradições seculares que foram passando de geração em geração. As uvas são vinificadas com curtimenta de modo que o vinho final fique clarete, que na Idade Média era conhecido por vinho vermelho e tinha um profundo significado religioso, dado ter a cor do “sangue de Cristo”.
O Vinha da Ordem Rosado foi o vinho que Pedro Jeronimo, o homem por trás do projecto me sugeriu provar primeiro e que nas suas palavras "melhor faz jus ao projecto". Totalmente de acordo. Trata-se de um desconcertante clarete feito com uvas de cepas centenárias com 50% Tintas (Rufete, Marufo) e as restantes Brancas (Síria, Fonte Cal) e Rosadas (Folgosão Rosado). A cor do vinho é vermelho (como feito no tempo dos templários - Sangue de Cristo) No nariz apresenta fruta vermelha fresca, com destaque para a cereja e a romã. Na boca é sedoso, fresco e envolvente, com alguma rusticidade, mas uma facilidade de prova e um sabor delicioso que é impossivel não se gostar! . Um vinho diferente, original, invulgar. Viciante. Produzidas apenas 1200 garrafas.


O Vinho da Ordem Tinto segue a mesma linha do rosado, ou seja, intervenção minimalista e pouquíssima adição de sulfuroso. Feito a partir da tal mistura de castas tintas do antigamente, tais como Rufete, Jaen, Bastardinho, Marouco, entre outras. Na linha do Rosado é um vinho de aroma moderado, com uma fruta muito bonita e um caracter mineral, A boca apresenta taninos macios, mas firmes e envolventes. A acidez que contém confere-lhe uma tensão muito interessante que o faz brilhar à mesa. Um tinto muito elegante e sui-generis com uma boca muito fresca e com pouca extracção, mas com um lado rústico que lhe confere essa diferenciação acentuada. Adorei também. 700 garrafas produzidas. 

O Vinho da Ordem Branco é um "orange wine", como se pode ver pela sua cor, ou seja, um branco de curtimenta. As uvas brancas fermentam 7 dias em lagar aberto apenas com movimentação manual duas vezes ao dia com um rodo, das massas do topo para o fundo, para permitir controlo de temperatura e alguma oxigenação - daí a cor laranja. É um vinho também ele original, onde predomina por um lado a laranja cristalizada e algum fruto seco ao primeiro impacto. A boca é poderosa, com grande volume e algum "peso" devido ao ano quente, mas não quer dizer com isso que o vinho não seja fresco. Um branco para apreciar com calma e se provar pela sua diferenciação. Um belo orange wine. menos de 600 garrafas produzidas.


Os vinhos encontram-se à venda em garrafeiras seleccionadas (Garrafeira Nacional, Wines 9297,  Garrafeira Campo de Ourique, entre outras) a um PVP de 19€.


Um projecto dos mais desconcertantes que conheci recentemente. O facto de serem quase vinhos naturais permite apreciá-los ainda melhor!


Sérgio Lopes

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Em prova: Almeida Garrett Espumante Super Reserva Bruto Natural 2014


O projeto Almeida Garret é proveniente de Tortosendo, Covilhã e são pioneiros na aposta em Chardonnay, com vinhas com mais de 35 anos. Se os brancos produzidos desta casta já nos tinham deixado impressionados AQUI, o espumante também não ficou atrás! Antes pelo contrário. O Almeida Garrett Espumante Super Reserva 2014 é um bruto natural (sem adição de açúcar), feito 100% da uva Chardonnay. 

A fermentação em barricas de carvalho francês e os 36 meses em garrafa resultam num conjunto complexo e fino. Aroma a panificação e notas amanteigadas, com maçã madura. Boca com mousse delicada, bolha finíssima, apontamentos de brioche e frutos secos, amparados de novo pelas notas manateigadas da casta chardonnay. Final muito refrescante e longo. 

Um espumante com classe ao bom estilo champanhês, proveniente da... Beira Interior. Muito bem! PVP: 20€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Em Prova: Beyra Reserva Tinto 2016

Rui Roboredo Madeira é o nome por trás dos projectos Castello D´Alba - no Douro, marca sobejamente conhecida e disponivel nas grandes superficies, com inegável qualidade a um belo preço - e Beyra - na Beira Interior, também de fácil acesso nos hipermercados, mas talvez não tão difundido, embora igualmente de grande mérito. 

Assim trouxe, de novo, de uma grande superfície o vinho Beyra Reserva Tinto 2016 para acompanhar um cozido à portuguesa. Feito de Tinta Roriz (80%) e Jaen (20%) estagia 8 meses em barricas de carvalho francês (1/3) e americano (2/3). 

Trata-se de um vinho fresco e elegante, resultado dos solos xistosos de altitude, com uma cor intensa e focado na fruta silvestre, coadjudavo com alguma especiaria. 

Na boca apresenta taninos macios, presentes, mas redondos, em perfeito equilibrio de acidez. Termina de final médio, gastronómico e sempre com elegância. 13º de alcool.

Ligou muito bem com o cozido à portuguesa.

Por cerca de 8€, estamos na presença de um belo exemplar da região da Beira Interior.

Sérgio Lopes

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Em Prova: Quinta do Cardo Tinto 2016

O Quinta do Cardo Branco foi companhia frequente ao longo do ano de 2018. Um branco untuoso, fresco e muito equilibrado, a um preço de arromba, que temos bebido às caixas. 

Esta semana passei no Jumbo e para além de comprar água, trouxe uma garrafa do Quinta do Cardo Tinto 2016 :-). Já o conhecia, mas queria prová- lo em casa, à mesa. E foi uma decisão acertada. Mostrou-se, como seria de esperar, pelas mãos do jovem e talentoso enólogo Luís Leocádio, um vinho com "tudo no sitio".

Feito de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, passa por madeira usada. É um vinho carregado de fruta preta madura, mas não sobrematurada. Parece que estamos a morder aquelas ameixas e cerejas pretas maduras. Depois apresenta também um lado especiado e notas de folha de tabaco que o tornam ainda mais fresco, aliados a um lado balsãmico que potencia tudo isso. Com taninos macios, é aveludado, equilibrado, de corpo médio e muito redondinho. 

Tivesse um final mais longo e naturalmente estaria noutro campeonato. Mas a rondar os 5€, temos aqui um belo vinho para o dia-a-dia e que se levarem para um jantrar de amigos vai surpreender e agradar de uma forma geral. Nice. PVP: 5,80€. Disponibilidade: Jumbo.

Sérgio Lopes

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Em Prova: Os brancos de Almeida Garrett

O título deste post quase que nos leva a pensar que vamos ler algo sobre os vinhos que o poeta Almeida Garrett bebia. Mas não é. Embora o nome deste projeto deva a sua designação à descendêndia da familia relativamente ao famoso poeta. 

Encontram-se situados em Tortosendo, Covilhã e são pioneiros na aposta em Chardonnay, com vinhas com mais de 35 anos. 

E é sobre os dois brancos que saem da casa. ambos feitos de chardonnay que falo hoje. Dois brancos muito interessantes, provenientes da região da Beira Interior. 

O Almeida Garrett Chardonnay 2017 (7,5€) é um vinho muito fresco, mineral, focado na fruta e sem  os excessos a que muitas vezes esta casta em Portugal é sujeita. Muito equilibrado e apetecível, com apenas 12,5º de alcool. Não passa por madeira. Será curioso ver a sua evolução em garrafa. Um vinho a ter cá por casa seguramente. Já o Almeida Garret Reserva Branco 2013 (15€), também feito 100% de Chardonnay, fermenta em barricas usadas e estagia com battonage regular por 10 meses o que lhe confere uma complexidde acrescida. O resultado é um vinho gordo e untuoso, com notas amanteigadas, mas com muito equilibrio. É fresco, com bom volume e dá muito prazer à mesa. Elevou um bacalhau a lagareiro a um outro nivel e foi de agrado geral a todos que estavam na mesa, com diversos perfis enofilos, o que ainda o valoriza mais. Num grande momento de prova, nem se notando os 5 anos de garrafa. Um belo vinho! Disponibilidade: Online

Sérgio Lopes

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Em Prova: Quinta do Cardo Caladoc Rosé Reserva 2015

Na "ressaca" da festa do quinto aniversário da garrafeira Garage Wines, trouxe este rosé, que gosto particularmente, para acompanhar uma noite de sushi. O sushi era competente. O vinho, superior. 

Caladoc é uma uva tinta resultante da mistura entre a Grenache e a Malbec, produzida em pequena quantidade, especialmente na região francesa da Provence, região de excelência na produção de Rosés. 

E esta casta na Beira Interior, cultivada em dois hectares experimentais na vinha da Encosta, na Quinta do Cardo, a 770 metros de altitude, deu origem a um rosé desconcertante, nas sábias mãos do jovem e promissor enólogo Luis Leocádio.

De cor salmão, é um vinho muito fino aromaticamente, com fruta vermelha e rosas, mas tudo num registo muito suave. Tão leve e mineral que até poderia passar por um branco. A boca então pode nos levar a isso mesmo, pois o estágio de dez meses em carvalho deu-lhe, estrutura, untuosidade e muita profundidade. Aliado a uma cor  bonita e pouco marcada. Poderia ser um branco às cegas! È rosé distinto, gastronómico, fresco e muito seco, cheio de classe. Delicioso. E acredito que possa ser de guarda...  PVP: 15€. Garrafeiras.

Sérgio Lopes

sábado, 11 de agosto de 2018

Em Prova: Almeida Garrett Reserva Branco 2013

Provei este vinho, pela primeira vez, muito recentemente, num evento sobre Vinhos da Beira Interior,Há Beira no Porto, onde alguns dos produtores da região vieram até à invicta mostrar os seus vinhos. O nome Almeida Garrett deve a sua designação à descendêndia da familia relativamente ao famoso poeta. Encontram-se situados em Tortosendo, Covilhã e são pioneiros na aposta em Chardonnay, com vinhas com mais de 35 anos. 
designado

Foi precisamente o Almeida Garret Reserva Branco, de 2013, feito 100% de Chardonnay, o vinho que mais gostei de provar e que ontem bebi, mas desta vez, em casa, onde acompanhou um bacalhau com boroa. O vinho fermenta em barricas usadas e estagia com battonage regular por 10 meses o que lhe confere uma complexidde acrescida. O resultado é um vinho gordo e untuoso, com notas amanteigadas, mas com muito equilibrio. É fresco, com bom volume e dá muito prazer à mesa. Elevou o bacalhau a outro nivel e foi de agrado geral a todos que estavam na mesa, com diversos perfis enofilos, o que ainda o valoriza mais. Muito Interessante. PVP: 12€. Disponibilidade: Online.

Sérgio Lopes


segunda-feira, 19 de março de 2018

Em prova: Quinta da Caldeirinha Aragonês 2010

A Quinta da Caldeirinha encontra-se localizada em Almofala, uma aldeia histórica, de Figueira de Castelo Rodrigo, integrada no Parque Natural do Douro Internacional. É pois pertencente à região da Beira Interior

Os vinhos produzidos nesta quinta são de agricultura biológica, plenamente certificada e praticada há 17 anos. A aposta é nos monocasta - Touriga Nacional, Aragonêz (ou Tinta Roriz), Cabernet Sauvignon e Syrah, mas também é produzido um vinho de uma vinha muito velha e de produção muitissimo reduzida.

Provado o Quinta da Caldeirinha Aragonês 2010, este fim-de-semana, trata-se de um vinho com uma cor carregada e com um aroma muito bonito e complexo, cheio de fruta fresca, tal como amoras ou framboesas, entre outros aromas mais vegetais e alguma especiaria. A boca apresenta boa estrutura, taninos suaves e de novo foco na fruta e algum vegetal que lhe confere pendor gastronómico. Termina de agradável persistência.

Um "bio" que não parece nada "estranho", pelo contrário, bebe-se com muito agrado, quer pelo seu lado frutado, quer pelo bom comportamento à mesa. 

PVP: 16€. Disponibilidade: Restauração.

Sérgio Lopes

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Em Prova: Quinta do Cardo Siria 2016


As vinhas da Quinta do Cardo encontram-se à cota média de 750 metros, no meio do planalto ibérico, protegidas pelas serras da Marofa e de Castelo Rodrigo. Os solos são de natureza granítica com uma componente xistosa. Trata-se pois de um vinho da região da Beira Interior, feito 100% da casta Siria e em modo biológico. O resultado é um vinho branco, leve, fresco e mineral com componentes florais e suaves citrinos, tudo suportado por uma belíssima acidez que lhe confere um grande equilíbrio. Não se tratará de um simples vinho de "piscina", pois é bem capaz de se portar dignamente à mesa, com umas entradinhas ou um peixinho mais gordo. Gosto igualmente do rótulo, simples, mas bem bonito. PVP: 5€. Disponibilidade: Grandes Superficies.

Sérgio Lopes

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Em Prova: Encostas do Côa Branco 2014


14,5/20. Vinho produzido pela Adega Cooperativa de Pinhel, distrito da Guarda. A Adega de Pinhel surge há mais de 50 anos, e produz uns quantos milhões de litros de vinho, sendo que grande parte vai para exportação. A gama Encostas do Côa pode ser encontrada no grupo Sonae, sendo que o vinho branco provado, de 2014, marcado pela frescura da casta Siria, mostrou-se aromático, cordato, simpático para o dia-a-dia e adepto da mesa. Comprado com desconto adicional ainda foi melhor. PVP: 2,90€. Disponibilidade: Continente.

Sérgio Lopes

domingo, 29 de junho de 2014

Gravato Garrafeira Tinto 2008

Ano: 2008
Produtor: Quinta dos Barreiros

Tipo: Tinto
Região: Beira Interior

Castas: Touriga Nacional
Preço Aprox.: 12€


Veredicto: Luís Reboredo produz dos vinhos mais distintos do país e ao mesmo tempo a um preço que fazem deles excelentes "pechinchas" face à qualidade apresentada. São vinhos que expressam o "terroir" e as convicções do produtor, num cruzamento entre tradição e modernidade. Depois de provar os renovados "palhetes", o Vinhas velhas e o Touriga Nacional, eis que surge no mercado o seu primeiro Garrafeira Tinto.

Produzido igualmente de uvas de Touriga Nacional, proveniente das melhores parcelas das suas vinhas da região de Mêda, com cerca de 23 anos. Estágio de 1 ano em cubas de Inox e posteriores 15 meses em garrafa até ser lançado para o mercado.

Cor intensa com rebordo violáceo. Aroma fino e complexo, com predominância do lado floral da casta, mas também notas especiadas e forte presença da fruta vermelha madura. Boca harmoniosa, com taninos sedosos e corpo médio, focado na elegância. Termina longo e persistente.

Mais um vinho surpreendente de Luís Reboredo. Um garrafeira sem passagem pro madeira, com a complexidade devida, mas com simultaneamente um belo bouquet e uma enorme elegância. 

Eu pessoalmente preferia um pouco mais de volume de boca, mas tenho quase a certeza que dentro de um par de anos isso vai acontecer e o equilíbrio irá ser perfeito. Contudo, bebem-no desde já, pois para além de distinto, dá enorme prazer. E o preço? De arromba.

Classificação: 17

Sérgio Lopes

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Beyra Branco 2011

Ano: 2011

Produtor: Beyra - Vinhos de Altitude

Tipo: Branco

Região: Beira Interior

Castas: Síria e Fonte Cal

Preço Aprox.: 2,99€

Veredicto: Desde o lançamento em 2012, os vinhos Beyra destacaram-se no panorama dos vinhos portugueses desde a Beira Interior, com origem nas vinhas mais altas de Portugal, a cerca de 700 metros de altitude, da pequena aldeia da Vermiosa, concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. Como curiosidade e de registar, a edição deste ano do concurso Decanter World Wine Awards distinguiu o vinho “Beyra Branco 2012” como o melhor vinho branco do norte de Portugal. Bravo!

O vinho provado, contudo, ainda foi o 2011, naturalmente cheio de vivacidade e frescura.

Feito a partir de duas castas brancas típicas da região, a Síria e a Fonte da Cal, o nariz é muito fresco e mineral, com notas citrinas e de leve vegetal. Na boca, reforçada a mineralidade e a acidez crocante limonada, num conjunto equilibrado e de final médio.

Um vinho "fácil", seco, mas que foge ao tradicional perfil dos vinhos brancos "das tropicalidades", apresentando uma diferenciação que é bem vinda, fruto do terroir, castas e altitude.

Classificação Pessoal: 15,5

Sérgio Lopes

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Luís Pato Maria Gomes Branco 2011

Ano: 2011

Produtor: Luís Pato

Tipo: Branco

Região: Beira Atlântica

Castas: Maria Gomes.

Preço Aprox.: 5.50€

Veredicto: O carismático Luís Pato, o Sr. Baga, produz este branco quase 100% Maria Gomes. No contra-rótulo para além de mencionar que o vinho é proveniente da região da "Beira Atlântica", assina o vinho como Luís Pato - Criador de vinhos. Irreverente e sempre inovador!

O vinho de cor citrina esverdeada, conta com um nariz mineral e fresco, de acidez limonada, notas vegetais e de maçã verde. Na boca, crocante e refrescante, com corpo médio e final agradável.

Simples e atractivo, mas com complexidade qb, para não ser indiferente. Para beber a solo ou acompanhando uns aperitivos.

Classificação Pessoal: 15,5


Sérgio Lopes

domingo, 26 de maio de 2013

Quinta dos Barreiros

Localizada na Mêda, mais propriamente na freguesia de Coriscada, a Quinta dos Barreiros está na posse da familia Reboredo hà vàrias gerações. Aliàs pode-se dizer que o vinho corre no sangue da familia. Basta recordarmos os projectos Carm ou Beyra, por exemplo, conduzidos por membros da família Reboredo. 

À frente do projecto, com a marca Gravato, encontra-se Luis Reboredo que com a sua irreverência e carácter inovador, aposta no regresso ao passado com toques de modernidade. Resgata o "vinho da mêda" outrora tão cobiçado no Porto e seus arredores. Este vinho era sujeito a um grande controle devido às tentativas de contrafacção que acabaram por surgir e, de certo modo acabaram com a boa imagem que tinha o "Vinho da Mêda". Era nada mais nada menos designado de Palhete, que como disse acima, o produtor volta a colocar no mapa vínico nacional.

A Quinta dos Barreiros possui 17he com mais de 33.000 pés de vinha plantada em solos graníticos de extrema mineralidade - com um filão de quartzo, o que confere aos vinhos uma frescura ímpar. A propriedade é de uma beleza idílica, contando com inúmeros vestígios romanos, que se vêem também um pouco por Coriscada e nas regiões adjacentes.


O nome Gravato tem origem numa batalha na qual as tropas anglo-portuguesas saíram vitoriosas, tendo como adversários os franceses que se viram forçados a sair de Portugal. Foi a batalha do Gravato que teve lugar a 3 de Abril de 1811. 


A vinha velha, a 500m de altitude e que dá origem às 3 referências Gravato, com mais de 60 anos possui uvas de castas típicas da região, brancas e tintas, entre as quais o Rufete, Síria Velha, Rabigato, mas também Touriga Nacional, Franca e Tinta Barroca, utilizadas no palhete (55% uvas brancas e 45% uvas tintas). O tinto denominado Gravato Vinhas Velhas é composto por 95% de Rufete e apenas 5% de Síria Velha, tendo sido considerado pela conceituada crítica Julia Harding como um dos 50 melhores vinhos portugueses para beber no Reino Unido. Ambos, tanto o palhete como o Vinhas Velhas, são vinhos para beber frescos (12º a 14º) e deixá-los ir aumentando a temperatura naturalmente para apreciar a sua alteração. O topo de gama é um vinho produzido 100% de Touriga Nacional, designado simplesmente Gravato Tinto, e o único que tem passagem por madeira. É o vinho mais clássico produzido na Quinta dos Barreiros. Todos os vinhos são produzidos na adega da quinta.




Luís Reboredo é um comunicador nato. Homem extremamente afável e apaixonado pelo seu projecto no qual tenta ter um carácter diferenciador e está a consegui-lo, nomeadamente, pelo reconhecimento merecido que vai obtendo, quer nacional quer internacionalmente. Foi uma visita e prova onde nos sentimos verdadeiramente em casa, em agradáveis conversas, à volta de bom vinho. Chegamos ao início da tarde, saímos já noite... É assim com Luís Reboredo. Os seus vinhos são de facto diferentes e "orgulhosamente da Beira Interior". Urge conhecê-los e nada melhor que o Verão para apostar neles, embora Luís refira "o meu palhete vai bem com tudo, em qualquer altura do ano". É verdade. 

Para breve está o lançamento do primeiro Garrafeira. É com enorme expectativa que o aguardamos. O nosso sincero agradecimento ao Luís Reboredo pela excelente tarde passada e um bem haja. "Tchim Tchim".


Quinta dos Barreiros
Mêda
6430-051 Coriscada
Telf. +351 919110502
Email: gravatoqb@hotmail.com



Sérgio Lopes



sexta-feira, 24 de maio de 2013

Quinta dos Termos "Escolha de Virgilio Loureiro" 2006

Ano: 2006


Produtor: Quinta dos Termos

Tipo: Tinto

Região: Beira Interior

Castas: Tinto Cão

Preço Aprox.: 20€

Veredicto: Localizada em Belmonte, de costas viradas para a Serra da Estrela, com exposição sul em declive meio acentuado e resguardada a norte pela montanha que a delimita, está a Quinta dos Termos. Ali se cultivam as castas tradicionais da Beira Interior - Rufete, Marufo, Tinto Cão, Siria ou Fonte Cal, entre outras,  e ainda algumas internacionais, tais como, Syrah, Petit Verdot e Sangiovese.

Com enologia a cargo do professor Virgílio Loureiro, o tinto 2006, denominado como a sua escolha é um vinho 100% produzido da casta Tinto Cão.

De cor violácea, no nariz apresenta um aroma complexo e com profundidade, onde aparecem notas fumadas e especiadas, conjugadas com fruta fresca. Tudo está muitíssimo bem integrado. Na boca, grande corpo, com taninos redondos, mas sem perder uma certa elegância de conjunto e enorme frescura. Termina longo, com requinte e persistente, com cariz gastronómico.

Num fim-de-semana de provas de vinhos de várias regiões, foi sem dúvida o vinho que mais agradou e surpreendeu. Num grande momento, com todos os componentes totalmente integrados a permitir uma prova no mínimo brilhante. Excelente evolução para a casta Tinto Cão, tantas vezes conotada como produtora de vinhos "duros".

Classificação: 17

Sérgio Lopes

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Gravato Tinto Vinhas Velhas 2008


Ano: 2008

Produtor: Quinta dos Barreiros

Tipo: Tinto

Região: Beira Interior

Castas: Vinhas Velhas, Rufete. Síria

Preço Aprox.: 8€

Veredicto: Depois de provados Palhete e Touriga Nacional, eis que escrevo finalmente o comentário sobre o vinho que deu ainda mais notoriedade (totalmente merecida) a Luís Reboredo. Trata-se do Gravato Vinhas Velhas, um tinto onde predomina uma mistura de castas das vinhas mais velhas da Quinta dos Barreiros, incluíndo algums castas brancas, como a Síria, por exemplo...

De cor granada, com rebordo encarnado, no nariz apresenta-se fresco, com uma boa dose de fruta vermelha, coadjuvada por leve balsâmico, geleia de fruta e notas de especiarias. Na boca, confirma a frescura apresentada, a que se junta uma componente vegetal bem vincada. De corpo médio, termina com uma boa persistência e uma secura bem gastronómica.

Um tinto para beber fresco - sim- fresco, correcto, apesar de algo austero, apresenta-se directo e em harmonia de conjunto. Na minha opinião, dados os 5% de síria no lote, estamos perante o verdadeiro e tradicional Palhete, apesar de Luís Reboredo o denominar de Vinhas Velhas. O resultado é surpreendente.

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor.

Classificação: 16

Sérgio Lopes

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Beyra Quartz Branco 2011

Ano: 2011

Produtor: Beyra - Vinhos de Altitude

Tipo: Branco

Região: Beira Interior

Castas: Síria e Fonte Cal

Preço Aprox.: 4,99€

Veredicto: Este vinho tem feito algum furor na eno-blogosfera, na medida em que por um lado  tem suscitado alguma admiração pela diferença que apresenta no mercado competitivo dos vinhos desta gama, mas também por outro lado, pela "luta" que tem dado na prova, não sendo completamente consensual entre os apaixonados que falam e escrevem sobre vinho.

Trata-se da incursão do enólogo Rui Roboredo Madeira na região das Beiras. Produzido através de uvas tradicionais da zona, provenientes de altitudes elevadas e com solos graníticos e um filão intenso de quartzo, o vinho pretende ser diferente. E consegue-o. Desde logo começando pelo rótulo extremamente apelativo bem como a descrição chamativa do vinho. Mas nem sempre estas duas condições são sinónimo de um bom néctar. E de facto, na prova deu "luta"...

Abri-o no sábado ao almoço para acompanhar uns filetes de peixe panga com feijão-frade. De cor citrina, mostrou-se, no nariz,  bastante mineral, leve citrino, frescura qb. Na boca, todo ele leve e com pouco para contar. Desiludiu-nos um pouco e foi parar ao frigorífico. Eis que 2 dias depois ao jantar, voltamos a bebê-lo, acompanhando um frango grelhado com salada e então mostrou-se com uma consistência, equilíbrio e complexidade completamente diferentes. Apresentou-se redondo, com corpo, sem nunca perder a acidez vibrante e o lado citrino evidente. A mineralidade é brutal, bem como um final persistente, seco e muito gastronómico.

Realmente diferente, pede tempo para ser apreciado e necessita de comida para ser potenciado. Claramente não consensual, mas muito interessante para quem procura algo diferente, a um preço em conta.

Classificação Pessoal: 16

Sérgio Lopes

domingo, 26 de agosto de 2012

Gravato Palhete 2005


Ano: 2005

Produtor: Quinta dos Barreiros

Tipo: Palhete

Região: Beira Interior

Castas: Vinhas Velhas

Preço Aprox.: 5€

Veredicto: A versão de 2005 deste vinho invulgar, mas delicioso, apresenta na sua composição ligeiras diferenças, relativamente ao 2004, provado aqui. Das vinhas velhas com mais de 60 anos, o Rabigato é substituído pela Síria Velha, mantendo no lote as castasTouriga Nacional e Franca, Tinta Barroca, Bastardo e Rufete. Estagia 3 meses em inox.

De cor ruby clara, quase atijolada, o aroma é a fruta vermelha fresca - morangos e framboesas, mostrando-se mais especiado que o seu homólogo de 2004, com presença de notas vegetais e leve floral.  Na boca, mostra toda a sua secura, em detrimento da fruta, sem nunca perder o carácter fresco e muito saboroso. De estrutura média, termina seco, longo e persistente.

Embora prefira a versão de 2004, não posso deixar de afirmar que o 2005 para lá caminha! Um vinho equilibrado, diferente, para todas as ocasiões e que merece ser descoberto.

Nota: Amostra gentilmente cedida pelo produtor.

Classificação Pessoal: 15,5

Sérgio Lopes